O voto branco ou nulo não é um ato-cidadão


A situação do eleitor no Brasil está difícil. Temos, de um lado, um candidato a presidente que recebe ordens de um presidiário. Do outro, um que não vai a debates. Um candidato representa um partido que nos últimos anos esteve envolvido em casos de corrupção e o outro sempre foi tido como homofóbico, racista e preconceituoso, embora hoje negue que tenha defendido tais pontos de vista. Ou seja, ambos tentam negar tudo o que um dia foram.
O candidato Haddad passou as últimas semanas antes do primeiro turno tentando colar sua imagem à de Lula. Agora, tenta descolar. Já Bolsonaro, na reta final do segundo turno, resolve anunciar um 13° para os beneficiários do Bolsa-Família sem especificar de onde vai sair o dinheiro para tal bravata, já que esse assunto não é com ele.
O sucesso do fenômeno Bolsonaro segue o script da campanha de Fernando Collor, em 1989. Desta vez, o lema que substitui o combate aos marajás é o do combate à bandidagem, que deverá prevalecer no segundo turno, já que a campanha de Fernando Haddad não deverá conseguir seduzir o eleitorado dos demais candidatos, os que votaram em branco, anularam ou nem às urnas compareceram. Como cativar um eleitor tentando convencê-lo de que a campanha não mudou se até a sua tradicional cor vermelha foi retirada da campanha?
Os votos em branco e nulos não são válidos para o somatório final. São, portanto, votos de protesto individual do tipo “nenhum dos candidatos me representa”. Enfrentamos, entretanto, um processo eleitoral polarizado, com opções bem definidas de direita e esquerda, em que pese o desgaste atual desses conceitos. Nas atuais circunstâncias, o protesto individual (votar nulo ou branco) não é um bom ato-cidadão.
No dia seguinte à eleição, o eleitor sabe que estará em oposição, mesmo que seu candidato vença, seja ele qual for. A citada classe política fez com que a maioria eleitoral, bem intencionada e que tem honestidade de propósito, não fosse votar a favor, mas, sim, contra o outro candidato. Neste pleito, o bom senso do eleitor e o passado dos partidos levaram muita gente a votar contra. Ao menos a democracia está preservada.

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