4 de agosto de 2026
Editorial

Mais um tapa na cara do brasileiro

As bancadas estaduais na Câmara não são redistribuídas desde 1993, quando foram estabelecidas pelo Censo de 1991. De lá para cá, variações demográficas criaram distorções.

Embora a Constituição determine que as bancadas sejam atualizadas antes de toda eleição, isso depende do recenseamento populacional. Omisso, o Congresso aproveitou esse pretexto para deixar de ajustá-las depois dos Censos de 2000 e 2010. Agora, por determinação do STF, os parlamentares têm o dever de rever a distribuição segundo o Censo de 2022.

STF fez bem ao determinar que as bancadas da Câmara dos deputados sejam equilibradas. Para isso, o certo seria transferir cadeiras entre os estados segundo sua representação e não aumentar o número de deputados, que só vai gastar mais dinheiro para nada..A legislação atual prevê que o número de deputados federais de cada estado é definido de acordo com a proporção da população, sem ultrapassar o mínimo de 8 (oito) e máximo de 70 (setenta) por unidade da federação.

Mas, como em toda lei brasileira, a interpretação é tudo. Os senhores deputados aproveitaram a correta decisão do STF para tentar uma mudança de natureza corporativista. A Câmara aprovou um projeto que cria 18 novas vagas na Casa, elevando o número de 513 para 531. Dessa forma, nenhum estado perderia cadeiras, e as novas seriam usadas para reequilibrar as bancadas. Esta decisão tem como objetivo apenas acomodar o interesse de bancadas que perderiam cadeiras, de modo a mantê-las intactas.

Descabido esse aumento no número de deputados federais quando sabemos que à maioria, se não a quase totalidade, não tem outro objetivo na vida a não ser trabalhar para ser reeleito.

Em outros países, o movimento tem sido ao contrário. Os Estados Unidos têm 435 representantes desde 1929, mas a Itália reduziu os seus de 630 para 400. A Alemanha, de 736 para 630. O Japão, de 480 para 465. França e Portugal estudam tomar medida semelhante. Enquanto a tendência global é reduzir o número de deputados, buscando diminuir custos, o Brasil vai, novamente, na contramão de vários países que reduziram seus Parlamentos.

Estados com inexpressiva população e participação na economia têm direito a um mínimo de oito deputados federais que irão representar menos do que cem mil eleitores. A reforma verdadeira deveria começar por aí.

Para respeitar o princípio constitucional da proporcionalidade entre os representantes e as respectivas populações representadas, nove estados cuja população aumentou — Santa Catarina, Paraná, Pará, Amazonas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Norte — deveriam ampliar suas bancadas, enquanto sete — Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Piauí, Paraíba, Bahia, Pernambuco e Alagoas — precisariam reduzi-las.

Outro problema, e maior para os estados, este aumento do número de deputados na Câmara Federal provoca efeito cascata nas Assembleias Legislativas.

Meu Deus!!!

Valter Bernat

Advogado, analista de TI e editor do site.

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Advogado, analista de TI e editor do site.

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