Vinhos não filtrados: modismo?


Não faltam tendências no mundo do vinho. Se combinarmos os diferentes ‘terroirs’, a variedade de castas e as técnicas de vinificação, temos farto material para criar infinitos ‘trends’, palavrinha do momento que, na falta de termo mais adequado, tenta reunir debaixo de um só guarda-chuva tudo que pode acontecer no universo do vinho.
Muitas vezes são pequenos detalhes que passam desapercebidos pelos consumidores menos atentos. Um dos mais comuns é o tipo de recipiente utilizado para a fermentação, quase nunca declarado em rótulos ou contrarrótulos. A variedade é grande passando por diferentes materiais como aço, madeira, cerâmica, concreto e até materiais plásticos. Cada um exige uma técnica específica, obtendo-se vinhos bem distintos entre si.
Depois de fermentados, que é o principal processo na elaboração dos vinhos, o líquido obtido passa por uma série de outros procedimentos que, durante muito tempo, forma considerados como padrões, entre eles a clarificação e a filtragem.
Estas duas operações têm por objetivo remover uma série de impurezas, como os resíduos de fermentação, bactérias, entre outros, deixando a parte líquida limpa, estabilizada e com uma excelente aparência. Alguns produtos de origem animal, como clara de ovos ou uma espécie de gelatina obtida a partir da bexiga natatória de peixes, são usados na clarificação, o que chamou a atenção dos produtores que seguem a linha de vinhos naturais, orgânicos, biodinâmicos e veganos.
Embora existam agentes clarificadores de origem não animal e alguns sintéticos, o que também não respeita a cartilha de algumas destas linhas de produção, diversos vinificadores estão abandonando, pelo menos num primeiro momento, estas duas técnicas, deixando, apenas, que os vinhos decantem naturalmente seus sólidos em suspensão, o que exige um tempo bem maior de produção, impactando no preço final.
Apesar de não ser uma unanimidade, há uma corrente que acredita que estes vinhos são superiores aos clarificados e filtrados, e os consideram melhores para a saúde de todos.
O debate entre produtores é intenso. Sempre se acreditou que os processos mencionados fossem imperativos e muitos vinificadores se valiam disto para corrigir pequenos problemas ou falhas da fermentação e maceração.
Como a tecnologia de vinificação evoluiu muito e, atualmente, é quase ‘a prova de balas’, ficou mais simples controlar estes resíduos e o que seria removido pode, eventualmente, contribuir para melhorar a qualidade do vinho e deixa-lo com uma maior capacidade de envelhecimento, se armazenado nas condições ideais.
Por outro lado, isto só não garante que o vinho não clarificado e não filtrado seja melhor que outro que passou por estas etapas. Muito mais importante é a forma como cada produtor decide como vai vinificar, sua filosofia vínica, do que usar ou não determinados processos ou equipamentos.
A higiene da cantina é fundamental, diminuindo os riscos de contaminação por agentes estranhos que, eventualmente, seriam eliminados nas etapas de filtragem. Existem vinhos maravilhosos, obtidos com qualquer uma das técnicas, assim como vinhos sem nenhum caráter.
Para o consumidor final é interessante saber como foi tratado o caldo que está prestes a comprar. Um não filtrado pode trazer algumas interessantes características.
Mas o que vai garantir sua qualidade não são os processos, mas sua origem e quem o vinificou.
Saúde e bons vinhos!
Vinho da Semana: com o verão se aproximando, é hora de pensar nos brancos.
Chardonnay Santa Augusta – $
Fermentado 50% em barricas de carvalho francês e 50% em tanques de inox com temperatura controlada. Seu visual é amarelo-palha brilhante. No olfato, um aroma fino e complexo, destacando-se abacaxi, banana e nuances de tostados e baunilha, muito elegante. Na boca é frutado, harmônico e leve. Percebe-se as mesmas frutas encontradas no aroma, retrogosto elegante, estruturado e com acidez muito equilibrada.
Harmoniza com peixes em geral, camarão, crustáceos, culinária japonesa e oriental, carnes brancas, coelho e comidas leves.
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