22 de julho de 2024
Vinhos

Vinhos com indicadores de origem são melhores?

Responder está questão não é uma tarefa fácil. Cada país produtor tem suas próprias normas no que diz respeito às Indicações Geográficas (IG), Denominação de Origem Controlada (DO; AOC; DOCG …) e algumas outras indicações que estão mais para um bom marketing do que uma regra a ser respeitada.

Existem algumas razões por trás destas indicações, as mais significativas são determinadas garantias, tanto para o produtor quanto para o consumidor.

A qualidade de um vinho é variável com o tempo, mudando de acordo com a natural evolução da vida social onde é produzido. Métodos de cultivo e manejo das uvas, processos de vinificação e até mesmo o meio ambiente, são dependentes da qualidade da mão de obra envolvida. Este talvez seja o fator mais direto a influir na qualidade final.

Quando um vinho recebe uma designação, significa que há uma especificidade: este produto, ou qualquer outro com esta mesma denominação, cumpre uma série de requisitos para receber a autorização de imprimir uma destas siglas em seu rótulo.

Esta é a melhor garantia: “O que está no rótulo, está na garrafa”.

É uma enorme diferença, mas não o suficiente para afirmarmos que é um vinho de qualidade.

Para os produtores há mais garantias e proteções em jogo. Uma boa norma de designação de origem deve incluir desde os princípios básicos sobre a quantidade de videiras por área plantada, quais castas podem ser cultivadas, a proporção utilizada por volume de produção e muito mais.

Nem sempre cumprir todos estes requisitos é uma tarefa simples. O que se busca é manter uma diferenciação desta ou daquela região, que seu produto seja homogêneo, ou seja, que tradições sejam mantidas. Evitam-se, assim, aventureiros, oportunistas, falsários e outros “espertos” que engarrafam qualquer coisa, colam um bonito rótulo e esperam pelo lucro fácil.

Existem alguns exemplos que ajudam a fixar esta ideia:

1 – Historicamente, atribui-se à região do Douro, em Portugal, onde é produzido o Vinho do Porto, o título de “primeira região demarcada do mundo”. Foi instituída em setembro de 1756 por alvará de D. José I.

Por trás deste alvará estava a influência do seu Secretário de Estado, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, que aproveitou a oportunidade para incluir umas terras de sua propriedade, em Oeiras, próximo a Lisboa e lhe permitir produzir um vinho fortificado, por lá…

Em dezembro de 2001, a UNESCO classificou parte da região como “Patrimônio Mundial”, sob o nome de Região Vinhateira do Alto Douro.

2 – Talvez a denominação mais conhecida seja a francesa AOC ou “Appellation d’Origine Controlée”. Curiosamente, a primeira AOC foi instituída em 1411 para proteger o queijo Roquefort.

As regras para a indústria do vinho aparecem a partir de 1905. Em 1935 é criado o CNAO, “Comité National des Appellations d’Origine” para administrar a concessão das AOC.  Após a Segunda Guerra, sua área de atuação foi ampliada, se tornando o INAO, “Institut National des Appellations d’Origine”.

Este conjunto de normas é muito abrangente e rigoroso. Para receber a certificação, os vinhos devem ser produzidos em terroirs delimitados e satisfazer a normas de produção muito estritas, definidas por decreto. Há limites de rendimento, um grau mínimo de alcoolização e as condições de envelhecimento.

Atualmente, naquele país, existem pouco mais de 400 vinhos de denominação de origem controlada.

Interessante notar que o importante conceito de “terroir” tem, como base, este conjunto de regras de produção.

Ao final, podemos perceber que a qualidade de um vinho, sua superioridade ou, usando um adjetivo mais amplo, sua singularidade, decorrerá da forma como as regras de elaboração sejam cumpridas. Todas as ferramentas para que seja um grande vinho estão ali.

Mas gosto não se discute.


Temos novidade no site

Dica da Cave Nacional:

Depois de um longo tempo hibernando, volta a indicação semanal de um vinho. Pedimos ajuda para a Karina Bellinfanti, proprietária da Cave Nacional, uma loja especializada em vinhos brasileiros, no Rio de Janeiro.

Caetano Vicentino Cabernet Sauvignon – Merlot

A Caetano Vicentino é uma vinícola de Nova Pádua, região de Altos Montes, no RS.

Este vinho é um blend de Cabernet Sauvignon safra 2022 e Merlot safra 2021. Passam 12 meses por barrica de carvalho, francês para o Cabernet e americano para o Merlot, todas de primeiro uso.

É um vinho límpido, brilhante, de coloração rubi profunda. Aromas de frutas vermelhas maduras, mirtilo, notas balsâmicas, cravo e alcaçuz. Acidez equilibrada, tanino e corpo médio – mais. Sabores que lembram cassis, tabaco, cacau e muita fruta. Final persistente.

Harmoniza maravilhosamente com carnes e pratos à base de cogumelos.

A Cave Nacional envia para todo o país. Para adquirir este vinho, clique no nome.

Saúde e bons vinhos!

#comprevinhogaúcho

CRÉDITOS:

Foto por Tomas Williams no StockSnap

Tuty

Engenheiro, Sommelier, Barista e Queijeiro. Atualiza seus conhecimentos nos principais polos produtores do mundo. Organiza cursos, oficinas, palestras, cartas de vinho além de almoços ou jantares harmonizados.

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Engenheiro, Sommelier, Barista e Queijeiro. Atualiza seus conhecimentos nos principais polos produtores do mundo. Organiza cursos, oficinas, palestras, cartas de vinho além de almoços ou jantares harmonizados.

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