O Código do Consumidor


Sou uma “justiceira reclamante” nata: eu tinha 19 anos, morava sozinha e um tintureiro lavou um blazer de lã meu com  água e sabão! Escusado dizer que ele encolheu de tal maneira que só serviria em uma… boneca! Furibunda da minha  existência, fui pessoalmente até a tinturaria reclamar com o dono dela. Como ele não me tivesse
dado a mínima bola, ameacei:
“– Cara, vou ficar aqui na porta de sua tinturaria e vou contar para todos que  chegarem perto o que a sua incompetência fez com meu blazer! É isso ou você paga parte de meu prejuízo: eu compro a lã e o tecido do forro, que você paga, e eu arco com o feitio na minha costureira”. O cara deu de ombros. Mas, quando chegou a primeira cliente e eu a abordei com  o blazer na mão, o tintureiro achou melhor pagar…
Dai por diante, o Jornal da Tarde passou a ser meu porto seguro para todas as reclamações que eu pudesse ter e comprovar. Inesquecível foi uma queda de braço com uma montadora que me vendeu um carro novo cujo painel esquentava a ponto de não dar para encostar nele. Depois de meses levando o carro na concessionária perdendo tempo, tudo o que fizeram foi desligar o sistema de aquecimento do carro entrei com uma ação contra eles que me reputaram de irresponsável por reclamar de um “defeito sanado”.
O caso culminou com um Oficial de Justiça em minha casa, para arrolar “meus bens” e me fazer pagar as custas da ação que foi voltada contra mim! Não me acovardei e fiz publicar em um jornal, que a montadora não só não consertava um defeito de um carro OKm, como ainda me cobrava por ter reclamado!
Com o passar dos anos, surge o Código de Defesa do Consumidor, tido como um dos mais completos e eficientes do mundo, e eu passei a achar que nós, pobres consumidores, vítimas de uma parte de maus fornecedores de serviço, estávamos a salvo!
Isso se revelou parcialmente verdadeiro, uma vez que maus prestadores de serviços enviam ao fórum onde rola a ação, “prepostos profissionais”, pagos por concessionárias de serviços, empresas de (des)serviços de celular, de planos de saúde,  etc, para dizer que “não têm autonomia para fazer qualquer proposta”. O pobre do consumidor volta para casa frustrado e tem que esperar que o juiz decida se a ação movida por ele é ou não válida!
Quis o destino que eu me tornasse conciliadora e mediadora e passasse a ver e vivenciar esses fatos pessoalmente.Não há dúvida que existem consumidores “reclamantes por profissão”, que buscam viver às custas de reclamações  mal intencionadas e que, semana sim e outra também, estão no fórum reclamando de eventos fictícios, fruto de sua “criatividade”…
Em todos os lados existem aproveitadores, algo que é inerente ao ser humano, que é “tirar vantagem de tudo” – pobre Gerson, jamais imaginou que esse bordão pudesse se tornar tão longevo!
Mas o fato é que nosso Código do Consumidor é digno de todos os elogios e de orgulho para nós brasileiros, um instrumento real de justiça ao alcance do mais modesto de todos nós!

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