
Um amigo publicou no Facebook (é, sou antiga e ele também, ainda estamos lá!) uma questão: se eu queria “durar” ou “viver”, sendo que, em linhas gerais, a primeira opção nos levava a fazer refeições regradas, procurando manter seus horários, comendo coisas tidas como saudáveis – e isso é algo bastante relativo se pensarmos nas mudanças que ocorrem em relação ao que se come, como ovos, por exemplo, que já foram os vilões de uma dieta saudável ou mel, saudável, mas engordativo.
Ou se eu gostaria de viver, o que me levaria a dormir pouco, comer muito e tudo o que faz mal (como frituras e fast-food), beber sem dó do fígado, fazendo de conta que não existe o amanhã.
Achei a dúvida pertinente, embora não me encaixasse em nenhum dos dois casos. Não quero ser cobrada pelo que como ou deixo de comer e nem me sentir culpada por isso, dado que não tenho o menor interesse em viver um dia a mais na vida se, por exemplo, tiver que deixar de comer pão. Assim como vou me recusar a comer o que não curto só porque “faz bem”.
Não acredito na juventude eterna, em peitos empinados para todo o sempre ou em ausência de rugas. Essas mágicas são vendidas e compradas quando somos jovens e vemos como se envelhecer fosse apenas para os outros. No nosso tempo, não existiam influencers, mas acreditávamos igualmente em fórmulas mágicas, dietas milagrosas, etc.
Talvez fôssemos menos imediatistas no sentido de que não nos parecia absurdo que uma música levasse três minutos para ser tocada inteira.
Por outro lado, vejo que a coerência não é exatamente o que preocupa os jovens de hoje e muitos dos que deixam de comer coisas que supostamente fazem mal, fumam – sim, tenho visto muitos fumando, o que, durante um tempo, parecia que havia sido internalizado como algo mal, nocivo de fato.
Nunca fumei e não por virtude, mas simplesmente porque não podia imaginar que eu fosse ficar dependente de algo que eu não podia controlar, ou seja, meu vício. Vi meu pai, que até os 50 anos fumou como uma chaminé, ficar preocupado porque se os bares fechassem, ele não teria onde comprar outro maço de cigarros, estando o que tinha no bolso ameaçadoramente no final: “Será que o guarda da rua tem?”
Outra coisa que deixei de fazer foi mentir: sendo muito distraída, cheguei à conclusão de que se eu falasse sempre a verdade, não ficaria pensando no que eu teria dito para aquela pessoa e evitaria cair em contradição, inventando, sem querer, alguma coisa nova!
Outra coisa que tenho evitado é entrar em “grupos novos” uma vez que estes têm quesitos e “regras de ouro” que eu considero profundamente…idiotas! Num deles, em que entrei e saí e que era especificamente para pessoas idosas, um sujeito dizia que não podia perdoar sua família que, depois de tantos sacrifícios feitos por ele, não o visitavam mais amiúde, não pareciam ter por ele gratidão…
Como não compartilho dessa opinião, tratei de cair fora e não de questionar, que seria minha primeira atitude com uma pessoa conhecida…

