Com candidatos ultra treinados e histórico de favoritismo blindado, os confrontos na TV servem mais como teste de sobrevivência do que como

Está aberta a temporada de debates entre os candidatos às eleições gerais que se repetem a cada quatro anos desde 1994. Nada mais natural, pois, que volte a circular a seguinte questão: o quanto os confrontos influenciam, de fato, nos resultados que saem das urnas?
A resposta mais precisa é: muito pouco. A menos que um candidato tido como favorito “pise feio na bola”, as oscilações costumam ser marginais, pois todos os postulantes à cadeira presidencial chegam para os eventos extensamente bem treinados.
No segundo turno da eleição presidencial de 1989 — a primeira pelo voto popular desde o fim da ditadura militar —, Lula e Fernando Collor de Mello se enfrentaram duas vezes. Lula foi considerado superior a Collor no primeiro embate, mas no segundo deu-se o inverso.
Pesou decisivamente para que Collor se elegesse a polêmica edição do segundo debate, condensada pela Rede Globo de Televisão e exibida no dia seguinte no horário nobre do Jornal Nacional.
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Em 1994, na condição de “pai do Plano Real”, Fernando Henrique Cardoso compareceu apenas ao primeiro debate presidencial, organizado pela Rede Bandeirantes. Ele faltou aos demais encontros justamente para evitar ser o alvo preferencial das críticas da oposição.
Fernando Henrique elegeu-se com folga, sem a necessidade de disputar o segundo turno. Repetiu a mesma dose em 1998 e obteve o mesmo resultado eleitoral. Nas duas ocasiões, derrotou Lula, que em um passado distante havia sido seu cabo eleitoral.
Da primeira vez em que se elegeu presidente, em 2002, Lula marcou presença nos principais debates da televisão brasileira. A estratégia de comunicação dele na época, comandada pelo marqueteiro baiano Duda Mendonça, focou em construir a célebre imagem do “Lulinha Paz e Amor”. Esse reposicionamento exigia que ele enfrentasse os adversários diretamente na TV para atenuar a forte rejeição que possuía junto ao eleitorado de centro.
Quatro anos depois, em 2006, sob o forte desgaste político provocado pelo escândalo do Mensalão, o cenário mudou. Embora liderasse com folga as pesquisas de intenção de voto, Lula recusou-se a comparecer a todos os debates programados para o primeiro turno.
À época, o então presidente alegou em nota que seus adversários usariam os encontros televisivos puramente como uma “arena de grosserias e agressões”. Depois de admitir publicamente que a ausência havia sido um erro estratégico, participou de quatro debates no segundo turno, vencendo Geraldo Alckmin nas urnas.
Mais recentemente, o atentado à faca que Jair Bolsonaro sofreu em Juiz de Fora acabou por dispensá-lo de participar dos debates na eleição de 2018. Já na campanha de 2022, Bolsonaro e Lula estiveram frente a frente e debateram quatro vezes ao longo dos dois turnos.
Este ano, a princípio, Lula não planeja comparecer aos debates do primeiro turno. No outro espectro político, Flávio Bolsonaro já manifestou que só participará dos debates caso Lula também compareça.
A lógica de ambos é evidente: evitar servir de vidraça ou “saco de pancadas” — Lula blindando-se dos ataques vindos da direita, e Flávio resguardando-se daqueles que, dentro do seu próprio campo à direita, tentam se viabilizar como alternativas políticas a ele.
Fonte: Blog do Noblat

