13 de setembro de 2026
Professor Taciano

Sambódromo do RJ 2026: Palco de desfile carnavalesco ou palanque do lulopetismo?

Isso pode, TSE? Homenagem com segundas intenções, em ano eleitoral, travestida de campanha em favor de Lula, e do PT

O Carnaval carioca sempre foi expressão cultural, crítica social, arte popular e identidade nacional. No entanto, em 2026, o Sambódromo do Rio de Janeiro corre o risco de ultrapassar a linha tênue entre manifestação artística e militância político-partidária explícita, transformando-se, perigosamente, em um palanque antecipado do lulopetismo.

O enredo do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que estreia no Grupo Especial este ano, é emblemático dessa controvérsia. Com o título “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola presta homenagem direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A narrativa, longe de ser apenas biográfica ou histórica, parece ter como pano de fundo um objetivo claro: promover, ainda que de forma disfarçada, uma eventual candidatura à reeleição, antes mesmo do período legalmente permitido para propaganda eleitoral, que só se inicia em 15 de agosto.

Os versos anunciados no enredo não deixam dúvidas quanto à intenção política:

“se o ideal valer, nunca desista, não é digno fugir”; “o amor venceu o medo” e o já conhecido refrão; “olê, olê, olê, olá! Lula! Lula!”.

Este último, vale lembrar, foi, e continua sendo, um grito de guerra recorrente de militantes lulopetistas em atos políticos pelo país. No contexto do desfile, a repetição desses versos extrapola a homenagem cultural e adentra o território da propaganda ideológica, levantando sérias dúvidas sobre o uso de um espaço público e de grande visibilidade para fins político-partidários.

Mais grave ainda é o outro lado dessa encenação. A escola também opta por uma provocação considerada por muitos como desrespeitosa e irresponsável, ao projetar, durante seus ensaios, imagens que retratam o ex-presidente Bolsonaro com as mãos sujas de sangue.

A simbologia reforça uma narrativa amplamente contestada, associando-o diretamente à morte de pessoas durante a pandemia da Covid-19, alimentando a desinformação e aprofundando a polarização política.

O Carnaval sempre foi espaço de crítica, sátira e contestação, isso é inegável. Porém, quando a crítica se transforma em ataque político direcionado, com exaltação de um líder e demonização de outro, surge uma pergunta inevitável: até que ponto ainda estamos falando de arte e não de ativismo político disfarçado?

O Sambódromo não pode, ou ao menos não deveria, ser capturado por projetos partidários. O risco é evidente: transformar uma das maiores festas populares do mundo em instrumento de propaganda, corroendo a credibilidade cultural do Carnaval e aprofundando divisões em um país já excessivamente polarizado.

Em 2026, mais do que nunca, o Brasil precisa refletir: o desfile é da cultura popular ou da militância política? O Sambódromo do Rio de Janeiro será lembrado como palco da arte e da diversidade ou como mais um palanque do lulopetismo fora de época?

Professor Taciano Medrado

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

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