
Isso pode, TSE? Homenagem com segundas intenções, em ano eleitoral, travestida de campanha em favor de Lula, e do PT
O Carnaval carioca sempre foi expressão cultural, crítica social, arte popular e identidade nacional. No entanto, em 2026, o Sambódromo do Rio de Janeiro corre o risco de ultrapassar a linha tênue entre manifestação artística e militância político-partidária explícita, transformando-se, perigosamente, em um palanque antecipado do lulopetismo.
O enredo do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que estreia no Grupo Especial este ano, é emblemático dessa controvérsia. Com o título “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola presta homenagem direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A narrativa, longe de ser apenas biográfica ou histórica, parece ter como pano de fundo um objetivo claro: promover, ainda que de forma disfarçada, uma eventual candidatura à reeleição, antes mesmo do período legalmente permitido para propaganda eleitoral, que só se inicia em 15 de agosto.
Os versos anunciados no enredo não deixam dúvidas quanto à intenção política:
“se o ideal valer, nunca desista, não é digno fugir”; “o amor venceu o medo” e o já conhecido refrão; “olê, olê, olê, olá! Lula! Lula!”.
Este último, vale lembrar, foi, e continua sendo, um grito de guerra recorrente de militantes lulopetistas em atos políticos pelo país. No contexto do desfile, a repetição desses versos extrapola a homenagem cultural e adentra o território da propaganda ideológica, levantando sérias dúvidas sobre o uso de um espaço público e de grande visibilidade para fins político-partidários.
Mais grave ainda é o outro lado dessa encenação. A escola também opta por uma provocação considerada por muitos como desrespeitosa e irresponsável, ao projetar, durante seus ensaios, imagens que retratam o ex-presidente Bolsonaro com as mãos sujas de sangue.
A simbologia reforça uma narrativa amplamente contestada, associando-o diretamente à morte de pessoas durante a pandemia da Covid-19, alimentando a desinformação e aprofundando a polarização política.
O Carnaval sempre foi espaço de crítica, sátira e contestação, isso é inegável. Porém, quando a crítica se transforma em ataque político direcionado, com exaltação de um líder e demonização de outro, surge uma pergunta inevitável: até que ponto ainda estamos falando de arte e não de ativismo político disfarçado?
O Sambódromo não pode, ou ao menos não deveria, ser capturado por projetos partidários. O risco é evidente: transformar uma das maiores festas populares do mundo em instrumento de propaganda, corroendo a credibilidade cultural do Carnaval e aprofundando divisões em um país já excessivamente polarizado.
Em 2026, mais do que nunca, o Brasil precisa refletir: o desfile é da cultura popular ou da militância política? O Sambódromo do Rio de Janeiro será lembrado como palco da arte e da diversidade ou como mais um palanque do lulopetismo fora de época?

