
Um relatório de 218 páginas produzido pela Polícia Federal (PF) trouxe novos elementos sobre a relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O documento, identificado como IPJ-A nº 3298613/2026, foi produzido a partir da análise forense do iPhone 17 Pro apreendido durante as investigações. O material foi encaminhado ao ministro André Mendonça e passou a ser divulgado
publicamente nesta semana.
Contato salvo como “Alexandre de Moraes Brasília”
Entre os principais elementos encontrados pela PF estão registros de mensagens enviadas por Vorcaro para um número que estava salvo em sua agenda como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
Segundo o relatório, o número foi associado a outros contatos salvos no aparelho com denominações como “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”. A análise também registra que o contato teria sido compartilhado com Vorcaro por Fábio Faria, em dezembro de 2023.
A perícia realizada no aparelho identificou registros técnicos relacionados às comunicações e, segundo a PF, os chamados “logs” encontrados no dispositivo são compatíveis com as mensagens efetivamente enviadas.
Mensagens temporárias e registros forenses
O relatório descreve ainda o uso de mensagens com visualização única e conversas configuradas para desaparecer após 24 horas.
Mesmo com esse mecanismo, os investigadores conseguiram recuperar registros técnicos e arquivos residuais armazenados no aparelho de Vorcaro. A documentação apresenta uma reconstrução cronológica das comunicações e registra diversos episódios envolvendo o banqueiro e o contato identificado no aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
Contrato com escritório da esposa de Moraes
Outro ponto que chama atenção no relatório é a relação comercial entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
A PF analisou uma minuta de contrato enviada a Vorcaro em janeiro de 2024. Nos metadados do arquivo aparece, como última modificação, um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
O documento também registra pagamentos realizados ao escritório. Entre eles, consta uma transferência de R$ 3.422.268,14.
A existência desses registros, por si só, não estabelece irregularidade ou crime, mas integra o conjunto de informações que a PF submeteu à análise judicial.
Encontros e articulações
O relatório também reúne mensagens relacionadas a encontros entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Há registros de conversas nas quais terceiros aparecem intermediando ou organizando reuniões, inclusive com referências a encontros na residência do ministro. Em outras mensagens, Vorcaro teria informado a pessoas próximas que estava com Alexandre de Moraes.
A documentação também descreve contatos relacionados a eventos jurídicos e encontros realizados ou planejados em Londres.
Eventos em Londres
Um dos capítulos do relatório trata da participação de Alexandre de Moraes em eventos realizados em Londres.
Mensagens analisadas pela PF indicam que Vorcaro participou da organização de encontros considerados exclusivos e manteve tratativas com pessoas próximas ao ministro sobre a programação.
O relatório também registra conversas relacionadas à participação de familiares do ministro e à divulgação de informações envolvendo encontros com autoridades e personalidades internacionais.
O que o relatório não afirma
Apesar da dimensão dos elementos reunidos, é importante destacar que o documento da PF não representa uma condenação de Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa citada.
O relatório é uma peça de análise de material apreendido durante investigação e reúne registros, mensagens, documentos e interpretações dos investigadores. Eventuais responsabilidades civis ou criminais dependem de apuração e decisão das autoridades competentes.
A própria Polícia Federal ressalva que sua análise não é necessariamente exaustiva e que novos elementos podem surgir no decorrer das investigações.
Crise institucional
A divulgação do relatório ocorre em meio a uma nova crise envolvendo o STF, a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o caso Banco Master.
A situação ganhou ainda mais repercussão porque os elementos encontrados no celular de Vorcaro envolvem integrantes ou pessoas próximas às instituições responsáveis pela própria investigação.
O caso agora deverá ser submetido ao debate jurídico e institucional, especialmente quanto à possibilidade e aos limites para investigar autoridades com foro por prerrogativa de função.
O TMNews do Vale continuará acompanhando o caso e trazendo os principais documentos, fatos e desdobramentos da investigação.
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