16 de setembro de 2026
Professor Taciano

Brasil: um país mergulhado em um mar de lama

Sujeira na política, no governo, no congresso nacional e por fim, no STF

Há momentos na história de uma nação em que o silêncio deixa de ser prudência e passa a ser cumplicidade. O Brasil parece viver exatamente um desses momentos.

O país está mergulhado em uma profunda crise moral, ética e institucional. Não porque todos os brasileiros sejam corruptos, desonestos ou incapazes de distinguir o certo do errado, mas porque a política brasileira criou uma atmosfera em que valores fundamentais da República parecem frequentemente subordinados à conveniência do poder.

E quando o poder passa a ser mais importante do que os princípios, a sociedade inteira paga a conta.

O Brasil vive uma polarização que ultrapassou os limites do saudável confronto democrático. De um lado, uma direita conservadora que se apresenta como defensora da liberdade, da família, da propriedade privada, da responsabilidade
fiscal e de valores tradicionais. Do outro, uma esquerda liderada politicamente pelo lulismo e pelo PT, que seus adversários acusam de representar uma visão excessivamente estatizante e de esquerda sobre o papel do Estado e da sociedade.

Mas existe algo ainda mais grave do que a própria polarização: a incapacidade de grande parte da classe política de reconhecer erros quando eles são cometidos por seus próprios aliados.

É aí que começa a podridão.

Para alguns, determinado político é corrupto porque está do outro lado. Para outros, o mesmo político é vítima de perseguição quando pertence ao seu campo ideológico.

Mudam-se os personagens, mas permanece a lógica.

O Brasil precisa parar de tratar política como futebol. Político não é ídolo. Partido não é religião. Ministro não é autoridade acima da crítica. Presidente não está acima das instituições. Congresso não é clube privado. E cidadão não nasceu para ser súdito de governante algum.

A democracia brasileira precisa recuperar uma palavra que parece ter sido esquecida: limite.

Limite para o Executivo.
Limite para o Legislativo.
Limite para o Judiciário.
Limite para partidos políticos.
Limite para autoridades.
Limite, inclusive, para aqueles que acreditam possuir o monopólio da verdade.

O poder precisa ser fiscalizado

É impossível falar sobre a atual crise brasileira sem mencionar o protagonismo, cada vez maior, das instituições de poder nas disputas políticas nacionais.

O Supremo Tribunal Federal ocupa hoje um espaço central no debate público brasileiro. Seus ministros exercem uma função constitucional indispensável, mas isso não significa que suas decisões estejam acima do questionamento público.

Nenhuma autoridade republicana deveria ser imune à crítica.

Questionar decisões judiciais não significa necessariamente atacar a democracia. Criticar ministros não significa necessariamente defender ruptura institucional. Discordar de uma interpretação constitucional não transforma
automaticamente alguém em inimigo da República.

Democracia também significa poder dizer: “discordo de você”. E isso vale para todos.

Da mesma forma, o Congresso Nacional precisa recuperar sua capacidade de exercer efetivamente seu papel de fiscalização e produção legislativa, sem transformar o interesse público em moeda de troca permanente nas negociações políticas.

O Executivo, por sua vez, precisa compreender que vencer uma eleição não significa receber um cheque em branco.

O voto concede mandato. Não concede poder absoluto.

O fantasma da corrupção

O Brasil conhece muito bem os efeitos devastadores da corrupção.

Operações policiais, processos judiciais, delações, desvios bilionários e escândalos envolvendo empresas públicas e grandes grupos econômicos deixaram marcas profundas na sociedade brasileira.

Não é preciso inventar números nem criar acusações para reconhecer uma realidade histórica: a corrupção custou — e ainda custa — caro ao Brasil.

Cada real desviado representa menos investimento em saúde, educação, segurança, infraestrutura e saneamento.

Enquanto determinados setores da política discutem poder, cargos e eleições, brasileiros continuam esperando atendimento médico, vivendo em ruas sem saneamento, convivendo com a violência e enfrentando dificuldades para colocar comida na mesa.
Essa é a verdadeira dimensão da crise.

Não é apenas financeira. É moral.

Lula, PT e a esquerda brasileira

O retorno de Lula à presidência demonstrou que o lulismo continua possuindo enorme força eleitoral no Brasil. Mas a volta de Lula ao poder também reabriu antigas feridas políticas.

O PT carrega uma história marcada por importantes conquistas sociais, mas também por escândalos de corrupção que atingiram governos e dirigentes do partido e que deixaram uma profunda cicatriz na política brasileira.

Ao mesmo tempo, seria intelectualmente desonesto transformar todo eleitor petista em cúmplice de corrupção. Milhões de brasileiros votam no PT por convicção, identificação social ou avaliação positiva de suas políticas.

O eleitor precisa ser respeitado, mesmo quando sua escolha é contestada.

A crítica deve ser dirigida às ideias, aos governos, às decisões e aos fatos — e não à dignidade das pessoas.

E a direita?

A direita também não está acima da crítica.

O conservadorismo brasileiro precisa compreender que defender valores tradicionais não significa possuir autorização para cometer erros.

A direita não pode combater a velha política reproduzindo os mesmos vícios que condena.

Não pode defender liberdade e, ao mesmo tempo, querer silenciar o adversário. Não pode defender moralidade e tolerar irregularidades quando praticadas por aliados.

Não pode defender Deus, família e pátria apenas como slogans eleitorais.

Valores verdadeiros precisam ser praticados principalmente quando isso é difícil.

A direita precisa amadurecer. Precisa abandonar o personalismo. Precisa compreender que o futuro do conservadorismo brasileiro não pode depender exclusivamente de uma pessoa, de um sobrenome ou de um grupo político.

O Brasil não precisa de salvadores

Esse talvez seja o maior erro da política brasileira: a crença permanente de que algum líder providencial será capaz de resolver todos os problemas nacionais. Não será.

Nenhum presidente salvará o Brasil sozinho. Nenhum ministro salvará o Brasil sozinho. Nenhum partido salvará o Brasil sozinho. Nenhum influenciador político salvará o Brasil sozinho.

Quem pode salvar o Brasil é uma sociedade que aprenda novamente a separar princípios de paixões políticas.

Precisamos de instituições fortes, mas também de instituições que aceitem ser fiscalizadas. Precisamos de liberdade de expressão, mas também de responsabilidade.

Precisamos de imprensa livre, mas também de jornalismo comprometido com a verdade.

Precisamos de políticos fortes, mas submetidos às leis.

Precisamos de Judiciário independente, mas também consciente dos limites impostos pela própria Constituição.

E precisamos, sobretudo, de cidadãos que não tenham medo de questionar ninguém.

O mar de lama

O Brasil não está condenado. Mas está diante de uma escolha.

Ou continuamos alimentando a guerra ideológica, transformando adversários em inimigos e justificando nossos próprios erros porque “o outro lado fez pior”; ou começamos a reconstruir uma cultura política baseada em princípios.

O mar de lama não será vencido com mais lama. Não será vencido com ódio. Não será vencido com censura. Não será vencido com perseguição. Não será vencido com corrupção. Não será vencido com impunidade.

E muito menos será vencido colocando um político no lugar de outro sem modificar as estruturas e a cultura que permitiram que chegássemos até aqui.

O Brasil precisa voltar a acreditar que a lei vale para todos.

Que o dinheiro público pertence ao povo. Que autoridade não é sinônimo de autoridade absoluta. Que liberdade não é concessão de governo. Que crítica não é crime. Que oposição não é inimiga da pátria.

E que nenhum projeto político, seja de esquerda, direita ou qualquer outra corrente ideológica, pode estar acima do interesse nacional.

O Brasil é maior do que Lula. É maior do que Bolsonaro. É maior do que o PT. É maior do que qualquer partido. É maior do que qualquer ministro. É maior do que todos nós.

Talvez seja justamente essa consciência que esteja faltando.

Enquanto continuarmos escolhendo políticos para defender em vez de princípios para defender, continuaremos presos ao mesmo ciclo. E, nesse ciclo, o cidadão continuará pagando a conta.

O Brasil precisa sair do mar de lama. Mas a primeira limpeza precisa começar dentro de nós mesmos.

Porque uma República verdadeiramente livre não é construída por cidadãos que perguntam: “Quem está do meu lado?”

É construída por cidadãos capazes de perguntar: “O que é certo?”

E defender o certo — venha de quem vier.

Professor Taciano Medrado

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

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