22 de abril de 2026
Paulo Polzonoff Jr

Sai daí, Cármen Lúcia! (mas não agora)

Fica, Cármen Lúcia. Vai ter bolo. (Foto: Antonio Augusto/STF)

Pedindo desde já perdão aos poucos que recorrem a este espaço em busca de algum tipo de provocação, hoje vou me permitir ser previsível. É que a ministra Cármen Lúcia veio a público dizer que sofre pressão familiar para deixar o STF. Faz sentido e tomara que seja verdade. Porque, em sendo os ministros do Supremo imunes à pressão popular e incapazes de qualquer autocontenção, que sejam ao menos suscetíveis à pressão familiar. À pressão daqueles que teoricamente os amam. Nem que seja por obrigação.

Essa minha esperança, porém, durou pouco. Porque logo em seguida a ministra disse não entender a pressão da parentaiada. “Não faço nada de errado”, disse ela. Nada? Como assim? Tem certeza, ministra? Nada que a gente possa ao menos questionar, como a censura excepcionalíssima? E as penas excessivas aos vândalos do 8 de Janeiro? E a admiração desavergonhada à esquerda progressista? E o apoio incondicional ao coleguinha que já atropelou tantas vezes a Constituição que até perdi a conta?

Pesadelo

Os erros de Cármen Lúcia, como se percebe, se acumulam. Mas o maior erro dela e de seus pares é mesmo não conseguir enxergá-los. É esse apego a uma autoimagem deformada pela soberba. Que falta faz, nessas horas, um amigo de verdade para dizer à ministra que o primeiro passo para qualquer perdão é o reconhecimento dos erros. É se despir dessa ilusão de infalibilidade, ministra. E, no entanto, a aura de perfeição pode nem ser o maior erro de Cármen Lúcia neste momento, se ela de fato ceder à pressão da família e pendurar a toga.

Porque, se ela resolver sair (fugir?) do STF agora, abrirá lugar para mais uma indicação de Lula. Ainda este ano. E a gente sabe muito bem que é grande a probabilidade de, para o lugar de Cármen Lúcia, Lula indicar alguém ainda pior do que Cármen Lúcia. Imagine a tragédia!

Por isso só me resta pedir que a ministra de cabelos prateados e sotaque minerin permaneça no STF. Só mais um pouquinho. Tá acabando isso que, se é um pesadelo para ela, imagine para nós. Sem falar que, nos quatro anos que lhe restam por lá, a ministra pode consertar muitos dos erros que, sim, cometeu. Ainda dá tempo, Carminha.

Fonte: Gazeta do Povo

Paulo Polzonoff Jr

Jornalista, tradutor e escritor.

Jornalista, tradutor e escritor.

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