
Há toda uma máquina de propaganda trabalhando (!) para nos fazer odiar o trabalho. (Foto: Reprodução/ IMDB/ Domínio Público)
Muito se falou sobre a redução (na marra, e por objetivos eleitoreiros) da escala 6×1. Falou-se em produtividade, ou melhor, na falta dela. Também se falou em qualidade de vida, que o governo garante que aumentará, mas duvido; que você terá mais tempo para a família e tal. Acredita quem quer. Falou-se ainda das consequências negativas, como a inflação, o desemprego e a crise. E eu até levantei a questão sobre o brasileiro ser ou não esse povo preguiçoso de que tanto falam.
Mas hoje eu vou falar do trabalho. Do valor do trabalho. Não valor pecuniário. Digo, também. Mas quando penso no valor do trabalho penso no que acabou de dizer o papa Leão XIV na sua recém-lançada encíclica Magnifica humanitas: o trabalho como “cooperação com o Deus que cria, ferramenta de desenvolvimento e realização pessoal”. Isto é, trabalhar para sobreviver, sim, mas também para ser feliz, no sentido mais elevado da palavra, e para contribuir com o bem comum.
Coisa de gente indigna
Porque é disso que se trata o debate que deveria ter acontecido, mas não aconteceu, simplesmente porque todos estavam hipnotizados pela ideia de ter mais tempo a perder nas redes sociais: de um lado, quem vê o trabalho como um castigo insuportável, uma tremenda injustiça, pô, o que é que eu tenho a ver com o que Adão fez? Do outro, quem vê o trabalho como aquilo que o papa falou e vou repetir, porque é perfeito: cooperação com o Deus que cria, ferramenta de desenvolvimento e realização pessoal.
E eu sei que há toda uma máquina de propaganda trabalhando (!) há décadas para nos convencer de que o trabalho é um bicho-papão. Coisa de gente indigna. Sei que rirão de você se você disser que gosta de trabalhar e que sente que seu trabalho contribui para a sociedade. Sei que questões como vocação e a busca pela excelência estão distantes da preocupação da maioria. Mas este texto é um bom contraexemplo de tudo isso: fiz meu trabalho, fiz da melhor maneira possível e, com sorte, ele alcançará alguém disposto a refletir sobre sua própria relação com o trabalho. Acho que, por hoje, cumpri o meu dever.
Fonte: Gazeta do Povo

