
O interrogatório de ontem no STF teve como pano de fundo o intento de extrair dos depoentes Jair Bolsonaro, Gal. Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, e Gal. Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil, a tal minuta do golpe, apresentada no decurso das investigações pela PGR. Não deu em nada até agora. Nem vai dar porque simplesmente não existe.
Braga Netto, preso por suposta tentativa de obstrução de justiça, no Rio, e visivelmente debilitado, desmentiu o tenente-coronel Cid, o ajudante de ordens, com relação aos tais “kids pretos”.
O ministro Paulo Sérgio Nogueira fez seu relato com relação às urnas. Incomodou um certo esforço seu em ser simpático com Moraes. Mas não ajudou a acusação.
Já o depoimento de Jair Bolsonaro foi consistente quanto à sua intenção de desmontar a trama armada para encurralá-lo. Negou com veemência a intenção de ferir a Constituição.
Moraes afinou. Tentou até demonstrar certa imparcialidade forçada, coisa que não combina com um ser sanguíneo, que leva sua sina persecutória ao extremo. Ele sabe que está no foco. Não é bobo. Não quer consolidar no mundo a imagem de tirano. Mas passado não se apaga. Tarde demais para ser bonzinho.
Bolsonaro, em certo momento destensionou e até arriscou uma das suas piadinhas de tiozão, convidando Moraes para ser seu vice em 2026. Um certo constrangimento se fez, pegou o relator de surpresa, mas rapidamente dissipou.
Por vezes ele foi prolixo, tentando descrever rotinas. Foi desnecessário, só demonstrou sua forma de trabalhar com ministros e assessores.
Outra tentativa de Moraes para fazer Bolsonaro cair em contradição foi no tema da reunião com os embaixadores, que foi detalhada com clareza, deixando o relator sem argumentos.
No geral, foi um bom desempenho. Mas o interrogatório faz parte da peça já montada para a instrução penal, que não se sustenta, mas tem seu intento definido.
Dificilmente Jair Bolsonaro se verá livre das acusações. O objetivo principal de tudo isso não é dar a ele a chance de se defender, mas de demonstrar uma certa “aura de justiça”. A intenção real é sepultar qualquer chance dele concorrer em 2026. E, de quebra, prendê-lo.
Essa é a vingança reivindicada pelo PT, pelos quatro anos que a Direita chegou ao Planalto e adiou os planos da Esquerda de se eternizar no poder. Só que Lula acabou para a política, tornou-se um blague no cenário nacional. Não adianta reabilitar José Dirceu. Ele não é um animal político, é um articulador de bastidores.
Derrotar Bolsonaro com falácias pode ser fácil, mas manter o PT e sua laia no comando é impossível.

