Diário da crise XVIII

Na Europa, alguns países como a Dinamarca e Áustria preparam uma gradativa volta à normalidade depois da Páscoa.

É um processo delicado, cheio de armadilhas, que os chineses de Wuhan já começam a viver.

Tudo depende de um plano bem elaborado e de muita flexibilidade para corrigir erros, ou mesmo voltar atrás em caso de necessidade.

No Brasil, onde ainda não atingimos o ponto máximo da curva, há duas propostas de flexibilização em cena. Tenho dúvida sobre elas.

Uma delas é do Ministério da Saúde: flexibilizar as medidas de isolamento em cidades em que menos de 50 por cento dos leitos estão ocupados.

Aparentemente é racional, se a cidade tem, por exemplo, 70 por cento de leitos vazios em termos teóricos não precisa temer um colapso em seus serviços de saúde.

No contexto da pandemia do corona vírus esta racionalidade é duvidosa. Isto porque a propagação do vírus se dá de uma forma exponencial. Matematicamente, quando 50 por cento dos leitos estiverem ocupados já seria tarde demais para evitar o colapso do sistema, que teria de ser socorrido pelas grandes cidades, estas também no limite.

Outra proposta é do governador do Rio Wilson Witzel. Ele decidiu flexibilizar o isolamento nas cidades do norte e nordeste do Rio que mantenham suas barreira sanitárias e ainda não tenham registrado caso de Covid-19.

Estou lendo uma reportagem no NY Times sobre a propagação do corona vírus na zona rural norte-americana. Em muitos lugares pequenos, as pessoas eram super confiantes: aqui esse vírus não chegará.

Infelizmente, chegou em dois terços dos condados americanos. Num deles, foi levado por um pastor que veio para uma cerimônia religiosa.

Na cidade de Alfenas não tinham nenhum caso e provavelmente ergueram barreiras sanitárias. Mas um morador foi receber a filha que chegava de Londres no aeroporto de Guarulhos e ao voltar apresentou os sintomas.

Possivelmente em muitos lugares onde não há caso de corona vírus isto quer dizer que ainda não foi detetado oficialmente. Só é possível dizer isto com ajuda de testes em massa.

Em Itapecerica da Serra, SP, uma festa de aniversário em 13 de março, contaminou metade dos convidados e matou três irmãos.

Naquele momento, não havia casos em Itapecerica. A cidade só foi registrar um caso em 28 de março, duas semanas portanto depois da festa.

Continuo dizendo que o isolamento não pode ser para sempre, mas levantá-lo precisa de uma discussão tranquila para elaborar as regras de transição e determinar o momento ideal.

Em alguns países foram criados grupos especiais especialmente para discutir o tema. Ainda assim todos reconhecem que vão avançar num terreno extremamente perigoso.

Fonte: Blog do Gabeira

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