21 de abril de 2026
Carlos Leão

Pedrinho, o último romântico do futebol

Presidente do Cruzeiro desbanca Donald Trump e é campeão de comentários nas redes sociais

Não conheço o Pedrinho pessoalmente, mas já fiquei fã.

Pedro Lourenço de Oliveira é um bem-sucedido empresário supermercadista mineiro detentor de uma das maiores redes de supermercados do país além de outras atividades, principalmente relacionadas ao pujante agronegócio brasileiro.

Dentre suas grandes qualidades, Pedrinho é cruzeirense doente. E futebol, não tenho dúvida, é uma “doença” causada pela paixão.

Desde tenra idade, nós, apaixonados pelo futebol, crescemos, sofremos, brigamos, alegramo-nos, deprimimo-nos, adoecemos, tudo por um amor arrebatador que vira paixão e que, pelas proporções de sua intensidade, vira uma espécie de doença que pode até chegar à uma gravidade letal. São inúmeras as histórias de morte por emoções incontidas e arrebatadoras causadas pelo futebol.

O que leva um mega empresário, de repente, comprar uma SAF sem nunca antes ter convivido no meio, está, portanto, explicado como estágio avançado dessa “doença” em nome de um amor que não se explica. Algo metafísico.

Pedrinho, com uma simplicidade e sinceridade pouco usuais nesse meio inóspito, o futebol, virou notícia após uma entrevista épica e tornou-se mais comentado em todas as mídias que Trump taxando a China em 104%.

O cara investiu mais de 100 milhões contratando uma tchurma de medalhões tornando o Cruzeiro um dos melhores, mais prestigiados, mais invejados e mais caros elencos do país. Só que não! Não deu liga! O time é um bando de Pelés sem rumo, sem tática, sem garra, sem vontade, sem alma, sem nada! Perdeu tudo que disputou até agora.

Na referida entrevista, com aquele jeito mineiro de ser – simples, sincero, transparente e com enorme personalidade Pedrinho falou do seu sentimento, um misto de decepção e desaponto, em relação às aquisições.

Uma espécie de mea culpa, talvez por um equívoco da diretoria, falta de critério, erro de planejamento e, para culminar, falou sobre a exorbitância dos salários e no lucro desmedido dos empresários de atletas, três a quatro vezes maior do que o dele em suas pujantes empresas.

Só os homens probos reconhecem seus erros para, com eles, darem a volta por cima e corrigirem a rota. Parabéns, Presidente!

O futebol de outrora acabou, meu caro. Acabou o romantismo, o amor pela camisa e, sobretudo, o compromisso com o seu maior patrimônio – a torcida. Deu lugar ao mercantilismo, ao desinteresse. Nem Fellini, em seus mais delirantes devaneios, poderia pensar nos salários, nas exigência e nas mordomias desses caras, só vistos na realeza.

É algo descomunal. Uma afronta à pobreza reinante nos quatro cantos da Terra. Se, pelo menos, esforçassem-se, suassem a camisa, doassem-se de corpo e alma nas quatro linhas, virtudes ainda latentes numa absoluta minoria, haveria uma leve percepção de aceitação a esse descalabro comportamental.

Mas não! Não tão nem aí! Só pensam neles, nas mais improváveis tatuagens, nos cabelos cafonérrimos, nas vestimentas aberrantes, carros, iates e aviões. Lucrar! Enriquecer! Aparecer!

Não sei vocês, mas não tenho mais a menor vontade de assistir aos jogos da Seleção Brasileira. Pra mim, acabou o encantamento. Menos um sofrimento na minha vida. Já basta o Fluminense!

Muito obrigado, Pedrinho, pela coragem de desnudar uma realidade cruel que fere mortalmente o futebol, antigo ópio do povo cujo efeito entorpecente já não engana mais os moradores do Brasil, antigos brasileiros.

Carlos Eduardo Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

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