
O tempo passou para o Woody, o seu cabelo caiu e o transplante capilar evoluiu como nunca.
Gente, gente… nem o Woody escapou do açoite impiedoso da calvície. Sim, senhoras e senhores: ela chegou. Silenciosa, sorrateira e absolutamente democrática. No Toy Story 5, nosso simpático boneco de corda, o cowboy clássico e predileto dos brinquedos do quarto do Andy — e depois da Bonnie — surge com uma reluzente coroinha. Um clássico absoluto do terror estético masculino.
Antes de avançar, vale um breve parêntese histórico-emocional. Toy Story marcou uma geração entre 1995 e 2019. Foram quatro longas que acompanharam o amadurecimento de Andy e, de forma quase cruelmente sensível, o amadurecimento da própria plateia. Quem viu Toy Story (1995) aos seis anos, provavelmente já estava escolhendo uma carreira — ou questionando todas elas — quando Toy Story 3 (2010) estreou.
Essa jornada compartilhada criou algo raro: cumplicidade emocional. Toy Story começou como uma aventura de brinquedos e terminou como uma reflexão profunda sobre tempo, perda, apego e amor. “Ao infinito e além” virou metáfora de crescer, mudar e aceitar que nada — nem cabelos — é eterno.
E eis que voltamos à calvície do Woody, esse maior trauma estético masculino desde Adão. Não se trata apenas de vaidade. A perda capilar carrega uma sensação quase existencial de declínio, de algo que escapa sem pedir licença. No caso do Woody, a coroinha funciona como símbolo do envelhecimento inevitável… mas sejamos honestos: não é bem assim.
Woody já poderia apresentar sinais de rarefação lá em Toy Story 3. A calvície androgenética não respeita idade, currículo nem carisma. Nos jovens, ela é mais cruel, mais rápida e infinitamente mais agressiva à autoestima. E a região da coroa — essa mesma que agora brilha no couro cabeludo do cowboy — é a mais temida, a mais ingrata e, tecnicamente, a mais desafiadora.
Popularmente chamada de “coroa de padre”, “coroinha” ou, com a sinceridade mineira que não pede desculpas, “bunda de macaco”, trata-se de uma área que exige do cirurgião capilar precisão milimétrica, profundo conhecimento anatômico e senso estético apurado para respeitar direção, angulação e densidade naturais.
Talvez por isso um Toy Story 6 fosse tão oportuno. Imagine Woody, confiante, chapéu firme, coroa recomposta, simbolizando não apenas a evolução da animação, mas a revolução silenciosa da cirurgia de restauração capilar. Uma especialidade que, nos últimos dez anos, avançou mais do que em décadas inteiras, reafirmando um princípio antigo e sempre atual da cirurgia plástica: “mens sana in corpore sano”.
Porque no fim das contas, até brinquedos envelhecem. Mas sofrer com isso… só se quiser.

