
Conviver com coisa chata e gente chata vai minando nossa paciência podendo nos transformar em verdadeiros ranzinzas. Todo cuidado é pouco!
Acredito que quanto mais amadurecemos mais nos tornamos críticos, exigentes, seletivos e, por que não, ranzinzas? A ranzinzice talvez seja um status adquirido com a convivência com os chatos da vida – entidade em ascensão no mundo todo – e suas teorias, modos e hábitos igualmente chatos. E como o homem é produto do meio todo ranzinza é, portanto, um chato.
Neste texto, divido algumas de minhas muitas prevenções contra certas chatices que me tiram do sério ou, digamos, aguçam tendências à ranzinzice.
Uma delas é de ordem religiosa. Que me perdoem as crenças e os crentes de qualquer credo, mas dar as mãos aos vizinhos de banco nas igrejas e abraçá-los desejando paz e amor é algo, no mínimo, constrangedor.
Se ficasse apenas entre os vizinhos da direita e da esquerda seria apenas chato. Mas existem aqueles “irmãos” que deixam seus lugares, duas a três filas à frente, e saem abraçando a igreja inteira. Desculpem-me, mas isso extrapola a chatice e passa a ser pecado.
Nessa mesma toada, também não entendo o beijinho que a maioria das pessoas dá no dedo indicador da mão direita logo após fazerem o Sinal da Cruz. Também me pergunto, o que representa repetir o gesto sempre por três vezes e rapidamente? Alguém me explica, por favor?
Mudando de foco, embora os gestos acima tenham tudo a ver com eles, uma coisa que muito me intriga é a necessidade que têm os jogadores de futebol de fazerem média com suas escolhidas beijando a aliança na comemoração do gol. Dureza, né?
E o coraçãozinho feito com as mãos, arrancado do peito e jogado em direção à torcida? É de doer! A bola por debaixo da camisa simulando uma gravidez prefiro não comentar sob pena da minha inspiração desaparecer e não conseguir concluir essa crônica.
Mais uma pérola. Tenho convicção que aqueles que prendem a ponta da gravata por dentro da calça dificilmente alcançarão o reino do céu. E aqueles que a deixam acima do umbigo, parecendo mais um babador do que propriamente uma gravata? Tem base?
Nada nos fortalece mais espiritualmente do que ter paciência com prolixos, estes mesmos que ao serem cumprimentados respondem explicando, nos mínimos detalhes, porque estão bem ou mal. E quando falam nos segurando ou apertando, ou cuspindo ou ainda empurrando, a certeza absoluta da nossa salvação é irreversível.
Alguns vícios de vernáculo são, no mínimo, intrigantes. Refiro-me àquelas pessoas que quando falamos “´Muito obrigado” respondem com um “Imagina!” Imagina o quê, meu Deus? Não é implicância, juro! Mas muito pior do que isso é quem agradece dizendo “gratidão”. É algo intangível!
Querem algo mais grotesco do que conviver com pessoas que mascam chicletes e com a boca semiaberta? Tenho a impressão que todo mascador de chicletes cumprimenta com aquela mão mole durante um aperto de mão, outro hábito que só Freud explica, além de constranger os de mão forte.
Mais uma da série “Só Jesus na causa” é andar pelas ruas, no cinema, na igreja, no trabalho com garrafinhas de água, bebericadas a cada cinco minutos. É de desadorar!
Concluo fazendo alusão a quem se despede mandando “um beijo no coração”. Guardei para o final porque se começasse com essa máxima da cafonice certamente ninguém chegaria ao fim dessa leitura.

