
Hoje, o novo dress code da elite não é terno. É moletom. Mas calma — não é qualquer moletom. É o moletom que custa o valor de um fim de semana em Paris.
O conforto virou artigo de luxo. Antes, o símbolo de sucesso era o Rolex que brilhava no pulso. Agora ele vem com solado grosso e cadarço limpo. Tênis branco, impecável e legging de quatro dígitos..Top de yoga que sussurra: “eu sou dona do meu tempo”.
E a indefectível, inseparável – e cafoníssima – garrafinha d’água — porque hidratação também virou status.
Taí o novo dress code da elite: o conforto ostentação. Roupas discretas, minimalistas e violentamente caras. É o uniforme invisível de quem pode trabalhar de qualquer lugar.Inclusive… do tapete de meditação.
Só que tem um detalhe curioso nesse novo baile: quem ainda se veste “direito”… parece deslocado.
Terno? Formal demais. Salto? Exagerado. Gravata? Quase um pedido de desculpas.
A moda virou um idioma exclusivo.E quem não fala… parece antiquado.
Mas vamos combinar uma coisa?
Andar o dia inteiro de roupa de treino não é exatamente liberdade.
Às três da tarde, alguém de legging e top não me passa “poder”… me passa “essa pessoa esqueceu de voltar pra casa. Precisa urgentemente de um banho e descanso”
O discurso do conforto virou desculpa elegante para o desleixo.
Chamam de minimalismo. Eu chamo de preguiça premium,mas, às vezes… é só esforço mínimo com etiqueta cara.
E os homens também entraram no jogo: calça curta demais, tornozelo à mostra, sapato sem meia… ou o clássico moderno, smoking com tênis branco. Ou seja:
A pessoa tá pronta pra um jantar de gala ou pra correr dele se lá estiver chato.
Só que elegância nunca foi sobre tecido. Nunca. É sobre comportamento.
É como você trata o garçom, como cumprimenta o porteiro, como entra num lugar sem precisar se anunciar.
Elegância é presença. É silêncio com autoridade.
Porque no fim, não é o moletom caro que impressiona, nem o terno perfeito. É a classe. Aquela que cabe em qualquer roupa.
E que, curiosamente, anda cada vez mais rara.

