1 de outubro de 2026
Sylvia Belinky

Idiossincrasias

Se você for ao dicionário, ele dirá que se trata de modo de agir, mania ou detalhe de conduta que torna uma pessoa ou um grupo, único. Pois é, como não sou fã de grupos, trata-se de mim mesma, que não sou chegada nessa história de “seguir pessoas” só porque a criatura tem alguma característica que te agrada…

Ademais, esse tipo de atitude pode, eventualmente, ser mal interpretada, confundindo-se com “stalking” que, para quem não sabe, é tipificado como…crime!

Longe de ser um baluarte dos bons costumes, eu apenas sigo o que me agrada, com justificativas para tanto…

Assim, vamos ao assunto de hoje: desde sempre, cozinho muito bem e suponho que, como gosto de comer bem, isso deve ter facilitado minha aprendizagem que surgiu…do nada; honestamente, ninguém jamais me ensinou, devo ter aprendido de observar quem era bom…

De resto, tenho algumas manias na cozinha e, uma delas, é não seguir receitas “ao pé da letra” por uma boa razão: disciplina jamais foi meu forte – excelente razão para eu só me aventurar fazendo salgados, uma vez que doces não “aceitam desaforos”.

Os ingredientes têm que ser colocados em uma determinada ordem e em quantidades específicas. Ferrou! Percebe-se que eu não seria uma boa professora de culinária porque minha natureza caótica não facilita as coisas…

Na cozinha, algumas coisas me irritam e poderão parecer totalmente sem importância; mas, se repetidas, depois de um determinado tempo, a reação parecerá excessiva para o acontecido naquele momento, uma vez que, dezenas de vezes anteriores foram “ignoradas”.

Vamos às explicações: você já está arrumando a comida para ser colocada na mesa e aí aparece o “bicão”, de colher em punho e enfia dentro da travessa sem a menor cerimônia e, em tom de aprovação e de boca cheia diz: “Hummm… isto está ótimo!!”, engolindo o bocado gostosamente.

Ora, foi você quem fez e achou que estava bom o suficiente para ser colocado na mesa para que todos comessem… cai fora com essa sua “colher torta”! Ninguém te perguntou nada! Convenhamos que ninguém precisa de um ou mais enxeridos na cozinha, enfiando a colher nas panelas e dando palpite, concorda?!

Outra coisa que me desagrada sobremaneira e que me deprime: tatuagens claramente recém feitas em “idosos” de acordo com a lei…

A sensação que tenho é que, homens nessa situação estão desafiando seus próprios pais, que não lhes permitiria sair “escrevendo de forma definitiva na própria pele”…

Então, os ricaços vão fazer uma porção de “desenhos” nem sempre de bom gosto (arg) e com trocentas cores… “Viu só que lindeza?!” “Custou uma fortuna!!” E lá vai o incauto com a barriga da perna desenhada – sim, a maioria escolhe esse como um dos lugares prediletos – , imagino eu…

Ah! Mas serve no antebraço também; provavelmente, para não ter que olhar o tempo todo e ter “atos falhos” do tipo:”Xiiiii, quando meu pai vir isso vai ter um ataque” – e, nessa altura do campeonato, o pai, claro, nem vai notar…

Já as mulheres escolhem borboletas, flores e, como não poderia deixar de ser, versículos da bíblia e os nomes dos filhos… Pessoalmente, encaro esses escritos como “instruções para uso” e o restante , “agora já sou dona de mim e posso fazer o que eu bem entender!” – desde que esteja na moda, claro!

Sou de uma época em que tatuagens eram “marca registrada” de marujos e gente do “bas fond” que, trocado em miúdos, significava gente, para dizer o mínimo, pouco séria.

Perdão se ainda olho assim, mas, eu não gostaria de ser paciente de um médico cheio de tatuagens, nem cliente de um advogado que ostentasse várias.

Como sei que essas coisas são para o resto da vida, elas não me agradam exatamente por isso.

Não sei nada do futuro e assumir que vou querer aquilo para todo o sempre… não vou, e a cicatriz ficará lá para me lembrar da cretinice que fiz.

Sylvia Marcia Belinky

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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