
Os brasileiros estão exaustos, porém espiritualmente protegidos com sal grosso.
O Brasil definitivamente não é pra amadores. Isso a gente já sabe. Mas ultimamente nem os profissionais estão dando conta.
Tem dia que parece que o país foi terceirizado pra uma “sitcom” escrita por roteiristas de Chaves misturados com uns do The Office, supervisionados por um orixá com Déficit de Atenção e Hiperatividade.
No meio de uma das crises institucionais mais graves, mais bizarras, vexatórias e, sejamos justos, constrangedoras da nossa história democrática, o improvável aconteceu: Alcione virou a ministra da Defesa Espiritual da República.
Sim, ela mesma. A Marrom. A diva do samba. A patroa do vozeirão. Em pleno programa de TV — desses que funcionam como confessionário pop e onde todo mundo tem um pouco de coach, um pouco de vidente e muita falta do que fazer — soltou, ao vivo, a seguinte ameaça diplomática:
“Alô, Donald, recado dado! Vou sair daqui e fazer uma macumbinha pra você deixar o Brasil em paz e largar do pé do nosso querido ministro.”
E o Brasil inteiro: “Como é que é, Alcione?”
E ela: “É isso mesmo.”
Do nada, o cenário político virou terreiro. A crise virou despacho. A oposição virou oferenda. A situação, galinha preta. E o Trump… o Trump agora tem que andar com um pé de arruda no bolso.
Mas segura que tem mais.
Entrou em cena o Cacique Cobra Coral. Você achou que ele era lenda urbana? Achou que era meme? Que nada. A Fundação (sim, existe) resolveu retaliar o Ken da Casa Branca e anunciou que não vai mais prestar seus “serviços de interferência climática espiritual” nos Estados Unidos. Disseram que vão cortar 50% dos trabalhos esotéricos pra beneficiar o ecossistema americano.
E o planeta, nesse momento, deu uma leve girada pra esquerda e sussurrou:
“Gente… o que tá acontecendo com o Brasil?”
Eu explico, Planeta.
Aparentemente, a política externa agora se resolve com vela de sete dias, fita vermelha e uma pitada de sarcasmo na Globo. O Itamaraty deve estar se perguntando se precisa mesmo de diplomatas ou se basta montar uma “sala de descarrego” com Wi-Fi.
E olha, não me entenda mal, nada contra as religiões de matriz africana. Pelo contrário. São parte essencial da cultura brasileira. O problema é quando isso vira espetáculo cômico e arma ideológica transmitida ao vivo com plateia batendo palma como se tivesse assistindo à final do Show dos Famosos: Edição Feiticeiros Internacionais.
Se o Sergei Magnitsky — aquele mártir russo que inspirou a lei contra déspotas mundo afora — pudesse assistir a esse episódio, ele provavelmente ligaria pra Alexa com um pedido direto:
“Alexa, solta o meteoro. Capricha. Queime em arranjo harmônico de atabaques e saxofone.”
E o brasileiro médio?
A esse ponto, ele já fez o quê?
Acendeu um incenso, deu play numa playlist de mantras e concluiu:
“Deus me defenda da inveja, da crise e da Alcione invocando forças ocultas no horário nobre.”

