3 de julho de 2022
Colunistas Walter Navarro

Usaram ácido ou sabão em pó?

Mesmo sem fundamentos científicos, uma expressão,muitas vezes repetida, vira lugar comum. Até mesmo as mais sérias. Por exemplo, vítimas de lavagem cerebral, para definir estes renitentes, chatos e insistentes petistas. Estas pessoas que não têm “loção”…

“A lavagem cerebral,  reforma de pensamento ou reeducação é qualquer esforço constituído visando a mudar certas atitudes e crenças de uma pessoa – crenças estas consideradas indesejáveis ou em conflito com as crenças e conhecimentos das outras pessoas – utilizando-se, para tal, de métodos agressivos, como cansaço, substâncias químicas e persuasão, aplicados sobre pessoas que estão privadas da livre determinação de sua vontade (como prisioneiros de guerra). Por meio da lavagem cerebral, indivíduos passam a ter opiniões que não teriam se estivessem em condições de plena liberdade”.

Não me lembro quando ouvi ou li a expressão “lavagem cerebral” pela primeira vez. Foi numa conversa, num filme, aula, livro?

Os exemplos são vários. Lavagem cerebral na Guerra da Coreia, na Republica Popular da China contra os “inimigos do povo e os invasores estrangeiros”; em cultos religiosos, nas massas… (o ópio e o pio do povo). Casos mais recentes são os de “ocidentais” seduzidos, levados e lavados pelo terrorismo do Estado Islâmico.

Minha primeira associação é com prisioneiros políticos, aqueles que são confinados numa Sibéria, por exemplo, para serem reeducados, das formas mais abomináveis. Outra lavagem cerebral pode ser aquela do filme “Laranja Mecânica”, onde o cara tem uma overdose de imagens e situações violentas, provocando terrível mal estar físico. Ele sai de lá incapaz de se defender de uma mosca.

Outro tipo de lavagem, em outro filme, é a de “Um Estranho no Ninho”, um “tratamento psiquiátrico” que deixa o infeliz completamente idiota, inofensivo, bobo e babão. O que me lembra também os hospícios de minha terra natal, Barbacena, com suas lobotomias e choques, de verdade.

Alienígenas que invadem corpos humanos também fazem lavagem cerebral.

“Motivos para a lavagem cerebral podem incluir o objetivo de afetar o pensamento e comportamento do indivíduo que o sistema de valores padrão considera indesejável. A lavagem cerebral é, atualmente, um elemento forte na cultura popular globalizada e, muitas vezes, é retratada como uma teoria conspiratória”.

Daí comecei a analisar os petistas, órfãos de Dilma, Lula e PT. Caso sério. Impressionante. Ficou besta, estarrecido como dizia Dilma, ao constatar como não conseguem conversar, como não têm argumentos. O discurso parece decorado, cego. É monólogo agressivo. Falam e disseminam uma ideia (sic) que vira lei. Se não for aquilo, não pode ser outra coisa. Parecem que não escutar e usam sempre os mesmos exemplos, o mesmo vocabulário em qualquer e todo assunto. Impeachment só serve para os outros. Golpe explica e justifica até unha encravada. Discutir com petista é pregar no deserto e ainda levar pedrada. Eles têm sempre razão em tudo. O interlocutor que pensa diferente é elite, imperialista, golpista, de direita, reacionário, fascista. Papagaios que repetem sem refletir. Tá tudo dominado, tudo lavado. Eles deveriam ter um Facebook só pra eles…

Há uns anos li um texto do Arnaldo Jabor que explicava esta doença com fundamentos de Freud. Perfeitos, o texto e o pensamento. Na minha bagunça, perdi o Jabor, mas…

Veio o José “Tropa de Elite” Padilha e escreveu a mesma coisa, dia 16 de março de 2016, em O Globo. Desta vez guardei: ” Lula, Freud e o futuro da esquerda (…) Não resta a menor dúvida, para qualquer pessoa minimamente razoável, de que o Partido dos Trabalhadores e seus principais dirigentes — entre eles José Dirceu, Antônio Palocci, João Vaccari e Luiz Inácio Lula da Silva — estruturaram uma organização criminosa com o apoio de outras facções da política brasileira (facção se aplica melhor à nossa realidade do que partido) com o objetivo precípuo de se perpetuar no poder (…)

No entanto, ainda há quem tente negar a realidade revelada no processo do mensalão e nas provas e testemunhos das operações Lava-Jato e Zelotes. O que nos leva de volta a Sigmund Freud: por qual motivo há tanta relutância por parte da esquerda em encarar a realidade que lhes foi exposta ao longo dos últimos anos? A explicação é dupla. No caso da militância profissional, da UNE, da CUT e do MST, se aplica a máxima de Upton Sinclair, famoso escritor americano:

‘É difícil fazer com que alguém entenda algo quando o seu salário depende do não entendimento deste algo’. Mas o que dizer dos intelectuais e artistas que não recebem salários por sua “militância”? No caso deles, não se trata de grana, mas de uma questão psicoanalítica. Investiram as suas vidas e reputações em posições pró Lula e pró PT.

Agora, não suportam reconhecer o erro que cometeram por uma questão de auto-imagem. Freud e sua filha Anna chamaram este fenômeno de negação”.

Estão vendo? Nem Freud explica o PT, precisou da filha.

Este caso de “negação” explica o general cego Chico Buarque. E Chico Buarque explica o resto, os soldados ainda mais cegos, aquele que insistem em atravessar a rua sem olhar para os lados.

PS: pra este texto, de novo, não ficar Terra de Gigantes, só mais uma coisa: a lavagem cerebral, hoje, começa em nossas escolas e universidades. Não só lá, mas muito lá… Enquanto isso, cuidado com os invasores de corpos. O ventre da besta (da jararaca) continua fértil.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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