O País da Piada Séria


Hei de fazer cinema, mesmo sendo brasileiro. O caminho inverso feito pelo Arnaldo Jabor.
Mas primeiro, vou fazer de conta que todo mundo assistiu “Meia Noite em Paris” (2011), do Woody Allen. Convidei um amigo para, a quatro mãos, escrevermos um “Meia Noite no Rio”. Podia ser até “Meio Dia no Rio”.
Este amigo, que não conheço pessoalmente, escreve muito bem. Edson Aran foi colunista da revista VIP, depois editou as revistas “de mulher pelada”, “Sexy” e “Playboy”. Com ele, consegui publicar dois textos, um em cada revista. Pelo menos a “Playboy” não existe mais. Que revista de mulher pelada consegue competir com a Internet “em movimento, gemidos e cores”. Só falta cheiro e gosto…
Aran, que na verdade é como Pelé, mineiro e Arantes, não quer saber mais disso, faz outras coisas e escreve muito aqui no Face. É editor da “República dos Bananas” e ditador na “Cão Filósofo Produções”.
E o mesmo Aran que me ajudou, com toda a razão, depois de ler minha sinopse, jogou um balde de água fria sobre nosso filme “Meia Noite ou Meio Dia no Rio de Janeiro: “Cara, parece bem bom, mas é muito derivativo… e roteiro anda me dando no saco, as produtoras são muito toscas e não entendem esse tipo de sofisticação. Humor pra eles é o Hassun…”.
Aran foi elegante e comedido. Pensei bem e o cenário é muito pior. No cinema brasileiro, hoje, só tem lugar para comédias idiotas. Quer dizer, nem comédias são, pois têm graça nenhuma. Parecem não, são uma sequência, uma adaptação no formato cinema, destes programas de humor das TVs abertas: uma baixaria apelativa, vulgar e burra. Chicletes para os olhos.
O Brasil, nem assaz alhures e antanho, já foi muito mais inteligente e engraçado. Mas graça e inteligência, ironia e humor viraram crimes.
O Brasil chato e politicamente correto de hoje transferiria Costinha, Ronald Golias, Agildo Ribeiro, Juca Chaves, Chico Anysio; “TV Pirata”, “Casseta & Planeta, Urgente”; da TV para perseguições judiciais, tribunais e condenações.
Tudo isso veio me assombrar, mais uma vez, quando, ontem, saindo de BH, fui procurar leitura para viagem e orquestra. Queria algo leve, humor mesmo, só para passar o tempo.
Não achei o que procurava, mas encontrei o novo humor deste novo Brasil: a séria Folha de São Paulo, sério.
Já comecei a rir com as manchetes. E bastou ficar na capa. Quem diria, a outrora imprensa mais séria do Brasil virou um saco de risadas.
Tentarei ser breve, sei que meus textos andam e correm deveras longos. Mas eis outra vantagem da Internet sobre a Imprensa Escrita: além da “liberdade de expressão vigiada”, não ficamos engessados em número de palavras e frases. Vai do tamanho que quisermos e da paciência de quem lê.
Mas, túnel do tempo, para o 9 de abril de 2019, na Folha de São Paulo, o Jornal da Piada Pronta.
Claro, a manchete principal e garrafal era contra Bolsonaro que trocou o ministro da Educação. Quando Dilma fazia isso, era faxineira, quando Bolsonaro faz, é porque escolheu errado, é incompetente e indeciso. Logo Dilma, que de faxineira só tinha a vassoura de bruxa.
E quando a Folha escreve que o novo ministro é “afinado com Olavo Carvalho”, outro sempre demonizado, quer dizer que Weintraub é aluno, capacho, carregador de mala, menino de recados do Olavo.
O hilário é que Olavo há anos diz a mesma coisa, é coerente e sempre foi ignorado. Agora, que tem voz, virou idiota, palhaço, como “Bozo” outro “engraçadíssimo e original” apelido para diminuir Bolsonaro.
O estadista mesmo, “O Cara”, segundo Obama, está preso, sem motivos e provas, claro. Bolsonaro é golpista com mais de 57 milhões de votos. Mais de 57 milhões de palhaços no salão, a mesma maioria que elegeu e reelegeu FHC, Lula e Dilma.
Ao lado, crítica chamando o chanceler Ernesto Araújo de desleal para baixo.
A foto da capa, também garrafal, trata de assunto sério, verdadeiro e inaceitável: a viúva, em prantos, de Evaldo Rosa dos Santos, morto com alguns dos 80 tiros de……………….militares. Militares como Bolsonaro, Mourão e outros generais do governo federal. Militares que estão no Rio de Janeiro porque a polícia local não dá conta de combater o crime organizado, mesmo prendendo os chefes, Cabral e Pezão, amigos de infância de Lula…
Tem muito mais, mas vamos para a maior piada da capa, contenham o fôlego para ler tudo: “Cotado à Presidência, em 2018, o apresentador Luciano Huck diz à Folha que o governo Bolsonaro merece crédito, mas quer concretizar propostas ‘com o avião voando’. Para Huck, é difícil começar uma gestão sem projeto claro”.
Nem sei por onde começar a analisar a profundidade deste pires furado.
Sei: Luciano Huck, por incrível que pareça, foi sim cotado à Presidência, como dois outros apresentadores de TV: Silvio Santos e um tal de Donald Trump, kkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Luciano Huck Presidente! Que caldeirão, sem Obélix, kkkkkkkkkkkkkk.
Luciano Huck, cuja maior qualidade é a Angélica calada e pelada.
Luciano Huck que comanda um “Freak Show” no Circo de Horrores da Globo!
Luciano Huck, grande alquimista como Faustão, que transforma merda em ouro.
Luciano Huck que tinha, pasmem, em sua “equipe” de governo, o mesmo e atual ministro da Economia, Paulo Guedes, kkkkkkkkkkkkk.
Luciano Huck que critica “avião voando”. Ele prefere o quê? Propostas em avião caindo, onde estava o Brasil na classe econômica?
O mesmo avião usado nas metáforas do mesmo Paulo Guedes defendendo a Reforma Agrária?
Meu Deus, aonde vamos parar? No fundo do mar ou contra uma montanha, em destroços? Luciano Huck, além de presidente, comentarista, cientista político da Folha de São Paulo, kkkkkkkkkkkkkkkkk.
PS: Que saudades do Chacrinha, este sim, daria um ótimo presidente nesta enorme Chácara chamada Brasil.

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