A volta dos que nunca foram

Foto: Arquivo Google

E quando todos pensávamos que ele estava aposentado, jogando golfe ou coçando os bigodes… e que estávamos definitivamente livres de sua maléfica influência, eis que, como uma Fênix, renasce das cinzas o Sr. José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, que posteriormente foi chamado, politicamente, de José Sarney. Sim, ele mesmo, aquele dos Planos econômicos e da inflação espacial.
José Sarney veta Pedro Fernandes, e outro renascido, Roberto Jefferson indica sua filha Cristiane Brasil, para o Ministério do Trabalho. Quanta sordidez! Qualquer ministério tem dono, não está para servir o povo. Este, o do Trabalho, pertence hoje ao PTB, como antes pertencera ao PDT. Desfaçatez total! Até quando esses caciques e coronéis mandarão?
Quem é José Sarney para vetar a indicação de ministro? Ainda dita regras? Só no Brasil um presidente fraco, que precisa ficar bem com todos, acataria essa sandice. Por que Temer não aproveita e reduz o número de ministérios para dez? Sofreria menos pressão. O indicado vetado cometeu um pecado mortal, ou seja, é contra o clã dos Sarney, no Maranhão, um estado miserável graças a esta família e sua política coronelista. Esse clã é uma “sarna” ainda a ser erradicada.
A sociedade ficou perplexa com a capacidade e o poder que Sarney ainda exerce na política brasileira. Articulador civil do golpe militar, logo, apoiou (talvez até ainda apoie) o regime de exceção, navega agora nas águas da democracia com a mesma desenvoltura que tinha com os generais. Presidente da Arena, do PDS e etc., não sofre qualquer tipo de restrição ou constrangimento do mundo político. Uma vergonha! É mesmo de chorar!
No lugar da deputada, agora ministra, na Câmara dos Deputados, assume sua vaga o suplente Nelson Nahim. Quem é ele? Fácil, irmão de Garotinho, condenado e preso por exploração sexual de menores num dos maiores escândalos de nossa cidade. Cumpriu quatro meses e saiu por habeas corpus. Vergonha! Deveria estar encarcerado, mas vira deputado.
Certamente o presidente Temer não vai ter problema em reformar seu Ministério, porque os que já estão na mira da Lava-Jato vão largar os cargos para tentarem se
eleger e ficarem protegidos pelo STF. Mas ficar submisso a Sarney para indicar novos ministros e nomeá-los mostram claramente que o governo continua
um grande balcão de negócios.
Dando o pontapé inicial, o Sr. Marcos Palmeira (também denunciado na Lava-Jato) entrega seu pedido de exoneração do Ministério da Indústria, pois vai tratar da
candidatura à reeleição — leia-se assegurar a manutenção de seu foro privilegiado.
E a ética? Eis o retrato do Brasil atual: oligárquico desde as capitanias hereditárias, onde o individual prevalece sobre o coletivo. Do prometido “Ministério
dos Notáveis” se desenhou uma mixórdia, uma involução. Resta a esperança nas eleições.
Muda o ano e o Brasil continua refém da política nefasta que nos assola há décadas. De onde vem este gene maldito? Herança dos portugueses, dos índios? Não sei responder, assunto para os antropólogos.

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