1 de maio de 2026
Editorial

“Uma vitória relativa”

Imagem: Carta Capital

Durante as últimas semanas, nosso governo, através de seu presidente e de seu assessor direto para assuntos internacionais Celso Amorim, fez de tudo para que acreditássemos que um processo eleitoral estava em curso na Venezuela, na contramão do que dizem as grandes potências. Afinal Lula é chavista e madurista desde criancinha.

No entanto, a única coisa que poderia provar, de forma cabal e indiscutível, que o processo eleitoral na Venezuela fora justo, foi se tivéssemos como resultado a vitória da oposição. Só assim é que poderíamos garantir, já que em todas as últimas eleições, pelos mais diversos motivos, só deu Maduro.

Na medida em que Maduro ganhou novamente, com sua vitória sendo proclamada pelo Conselho Eleitoral – leia-se TSE deles – nomeado por Maduro, deixa dúvida: tanto ele pode ter ganho de fato, quanto ele pode ter ganho de mentira. Não dá pra saber, podemos desconfiar ou achar que temos certeza, mas prova, não temos. No entanto, vemos que a Venezuela continua a ser o que começaram a semear lá, com Chávez há 25 anos e, a partir de 2013, com Nicolás Maduro, ou seja uma ditadura.

O resultado das eleições venezuelanas foi rapidamente reconhecido por China, Cuba, Nicarágua, Honduras, Bolívia, Rússia, pelo PT e MST. Uau! Todos países democratas, não?

A verdade é que o Brasil não pode dar as costas à Venezuela, à Arábia Saudita ou à China que, embora sejam dirigidos por ditadores, são grandes parceiros comerciais. Neste caso, Lula está correto quando diz que a relação comercial é institucional, nada tendo a ver com os regimes de governo.

Alguém (salvo Lula e Celso Amorim) imaginou Nicolás Maduro, depois de longos anos no poder (com o Legislativo e o Judiciário no bolso), deixando o Palácio de Miraflores humildemente, com sua trouxinha de roupas nas costas, arrasado com a ingratidão do povo venezuelano e consolando seus dois mil generais com uma frase do tipo: “tudo bem, pessoal, o importante é que a democracia prevaleceu”? Óbvio que não.

O desprezível Maduro continua debochando do mundo civilizado. Pisa na democracia, humilha adversários e despreza o resultado das urnas. Desrespeita e agride a vontade popular. Antipático, cretino e repugnante, continuará impune, enxovalhando o Judiciário e os direitos do povo… e ainda manda a quem esteja indignado e insatisfeito “tomar chá de camomila”.

O plano do Maduro para vencer as eleições na Venezuela foi mais ou menos como se segue:

  • Ameaçou a população de dar um banho de sangue se não fosse eleito;
  • Próximo da eleição, fechou a fronteira, impedindo os observadores externos de acompanhar a apuração do escrutínio e também a entrada de venezuelanos para votar;
  • Disse que a contagem de votos foi devidamente auditada e…
  • Pôs uma forte barreira de soldados proibindo a entrada de pessoas para acompanhar a apuração.

Foi aclamado vencedor de uma eleição, sigilosa e nada democrática, sobre a qual só ele e seus comandados sabem o que realmente aconteceu na contagem dos votos.

O mundo cobra as atas, mas a demora dá tempo de Maduro produzir novas, de acordo com o que ele quer.

Tudo indica que Maduro teve uma “vitória relativa”. Bem de acordo com as regras de uma “democracia relativa”.

Valter Bernat

Advogado, analista de TI e editor do site.

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Advogado, analista de TI e editor do site.

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