Uma semana difícil

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Nesta semana, escrevi 3 editoriais e meio, e ainda não sei qual publicarei. O primeiro foi com relação ao “affair” Calero x Geddel; o segundo, com relação ao lamentável e trágico acidente com o avião da LAMIA com os jogadores da Chapecoense e jornalistas, o terceiro, sobre a votação na madrugada das “contra-medidas” contra a corrupção e, por último, mas não menos importante, sobre essa figura marcante na política brasileira que é Renan Calheiros. Até agora, ainda não decidi o que publicar. Decidi tirar um pedaço de cada um deles e fazer uma miscelânea.
Em tempos de Black Friday, a sexta-feira já era moralmente negra, pela ameaça de deputados de violentar o projeto anticorrupção, em benefício próprio, e de senadores inibindo as investigações da Lava-Jato com antigos projetos de abuso de autoridade. Afinal, o que queria Geddel? Apenas colocar mais 17 andares em cima dos 13 já aprovados. Coisa pequena, nada importante e, afinal, o “IPHAN da Bahia”, já tinha liberado e o “IPHAN Nacional” ainda não. Ora, o ministro pedinte foi ao seu par, responsável por aquele órgão “cobrar” uma atitude mais firme. “Resolva este problema”, dito em outras palavras. Geddel traficou influência. Aliás, nada de bom se poderia esperar pelo seu histórico. Mas a atitude de Calero de renunciar foi um desastre. Ele teria mais condições de enfrentar a luta como ministro. Sinceramente, acovardou-se ou viu uma brecha para se mandar do conjunto de fracassos do governo.
O ministro Calero, pressionado, botou a boca no mundo. Seu depoimento à PF revela, talvez por ser jovem e na primeira atuação como ministro, falta de experiência e firmeza. Assim, na primeira investida de Geddel deveria ter dado um corte, não deixando dúvidas sobre sua decisão. Procedimento idêntico deveria ter adotado com o ministro Eliseu Padilha. Já com Temer, Calero deveria ter sido bastante claro: “Sr. presidente, enquanto eu for ministro da Cultura vou acompanhar a decisão do “IPHAN nacional”. Estou sendo pressionado pelo ministro Geddel, fato que considero inaceitável.” E então aguardasse os acontecimentos. Se fosse exonerado, aí sim, botaria a boca no trombone.
Bem, assunto resolvido, Calero se demitiu, Geddel foi demitido e o prédio continua com os 13 andares regulamentares. Menos mal… afinal de contas, no governo Temer, em 6 meses, menos 6 ministros, nesta média…
Continuando o tempero da salada, temos o trágico, mas previsível, acidente com o avião da LAMIA. Uma empresa venezuelana, cujos donos foram “convidados” pelo Chávez a sair do país. E todos sabemos como eram feitos estes convites, não? Não importa, os donos encontraram abrigo na Bolívia e mantiveram a empresa, desta feita com 6 aviões, mas pela legislação boliviana, 3 dos 6 não atenderiam às especificações mínimas necessárias bolivianas, daí ficaram só com os 3 mesmos. No meio da aviação, esta empresa era conhecida pela “economia” de combustível. Seu custo era a metade do menor preço de mercado. Evidentemente havia algo errado. Habituée de voar transportando times de futebol, levou a seleção Argentina, de volta à Buenos Aires, após o jogo em BH contra o Brasil e o Messi declarou que nunca mais voaria naquela companhia e, era um voo muito mais curto e muito menos turbulento do que foi o da Chape.
O plano original de voo previa uma parada para abastecimento em Bogotá, já que não haveria combustível suficiente para chegar à Medelin. Como pegou um bom vento de cauda, o piloto, um dos sócios da empresa, julgou desnecessária a parada em Bogotá. Vale um alerta contra a legislação: o plano de voo deveria ser imutável, salvo por emergência. Como não é assim, permitiu ao comandante, mudar seu plano de voo original e desprezar o pouso para abastecimento, e chegar(?) à Medelin na conta do chá, sem contar o aeroporto alternativo e os 30 minutos de sobra a que deveria se submeter, pela legislação vigente.
Pior que isso foi ele declarar emergência por pane elétrica. Toda a parte elétrica de um avião vem da energia gerada nas turbinas. Se eu estou sem combustível, estou sem turbinas, portanto sem energia. A alternativa é o Apu, que é o sistema alternativo de energia que fica na cauda do avião e que é utilizada, em condições normais, apenas para manter luzes e refrigeração em funcionamento, enquanto a aeronave está em solo, mas pode ser usada numa emergência em voo. O que ocorre é que a declaração de emergência de combustível põe todo o aeroporto à disposição daquela aeronave, perfeito, mas impõe uma série de medidas investigativas que podem até cancelar a licença do piloto e até mesmo a licença da empresa de voar… daí a opção por declarar pane elétrica.
E acabou o espaço… fico devendo a absurda votação na madruga contra as medidas contra corrupção, assinada por mais de 2 milhões de pessoas e desprezadas por 513 deputados, que dissecaram e conseguiram estragar as medidas propostas pelo MPF e pela população… mas não esqueceremos disso na próxima eleição. Estes deputados estão marcados e não serão votados. Decretaram seu fim no Legislativo. E também Renan, que aqui também ficou impune, pelo menos até agora… mas eu prometo falar nisso em breve… De mim ele não escapa…
Só nos resta torcer para que o Senado devolva estas medidas à Câmara e que possamos mantê-las o máximo possível próximo ao proposto.

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