23 de junho de 2026
Editorial

O Rio está um “salve-se quem puder”

Estou numa fase bairrista. tentando pensar sobre o que acontece sem solução no meu Rio de Janeiro. Quem precisa de meteoros, tempestades solares, tsunamis, terremotos ou zumbis para experimentar o apocalipse quando se vive aqui?

Os cariocas precisam urgentemente estudar técnicas de sobrevivência para aumentar as suas chances de continuar vivo na cidade. As ameaças vêm com a criminalidade em alta, com trágica frequência, ampliada por ações ineptas de forças de segurança desleixadas

Muitas questões graves assolam os moradores da cidade do Rio. Dentre elas, a escalada da violência é sem dúvida a que tem promovido, não só o desassossego, como também o luto de muitas famílias.

Por mais que se escreva, não se consegue descrever o total abandono e a sensação de terror em que se vive nos quatro cantos da cidade. Urge uma mudança em nossa postura, pressionando os políticos para que priorizem o tema “segurança” a fim de uma tomada de medidas eficazes a médio e longo prazos.

A trágica morte de uma oficial médica dentro do Hospital Naval Marcílio Dias, por tiro disparado da comunidade do entorno, mostra que o “pacto de convivência pacífica” entre o hospital e as comunidades que o cercam foi rompido.

É claro que aqui não estou falando só da médica, mas também, por exemplo, de Alessa Brasil, de 30 anos, que foi atingida na cabeça quando trafegava em sua moto ou do arquiteto, a caminho da missa. Nesse faroeste em que o Rio de Janeiro se tornou, a vida não vale muito.

Quando morre um cidadão, não se perde apenas mais uma vida para essa bandidagem que, organizada, vitima toda uma sociedade que pede clemência. Viram estatísticas para compor a “mancha criminal”, índice que normatiza e posiciona policiamento ostensivo. Mas e quando a “mancha criminal” está espalhada em toda a cidade e o policiamento ostensivo não?

E estou falando só de algumas mortes! Há milhares, senão milhões, de vítimas da violência fora de comunidades, no dia a dia, na rua, como eu, que fui vítima, recentemente, de um arrastão, perdendo meu carro e pertences. Parece que os governos – estadual e federal – bem como seus respectivos Órgãos de Segurança, jogaram a toalha.

E impressionante como chegamos ao estágio de degradação em que nos encontramos.“O Rio de Janeiro continua lindo”, como diz Gilberto Gil em sua canção de ode ao Rio, mas extremamente violento. A mercadoria mais barata no Rio são vidas humanas, que sucumbem diariamente como moscas.

Hoje, voltando do centro, um taxista me disse: “… é doutor, a gente tem que suar pra comprar um carro e só compra aquele que cabe no orçamento, mas eles escolhem na rua o que eles querem… e de graça”! Suco de Rio de Janeiro!

No caso do tiro que penetrou no hospital naval e matou a médica, a Marinha foi autorizada a usar o Corpo de Fuzileiros para patrulhar o entorno da instituição militar. A pergunta é: e o resto da população, como é que fica? Vai continuar sob a ameaça das balas dos criminosos? Já passou da hora de o ministro da Justiça autorizar uma GLO efetiva, com as três Forças, não só para a instituição da Marinha, mas para todo o estado, em face das autoridades locais terem perdido a guerra para as quadrilhas armadas e entrincheiradas nas comunidades!

É claro que vão dizer: “As forças militares não foram treinadas para isso”. Simples, deem-lhes treinamento então, para que possam fazer um trabalho de erradicação desses traficantes, milicianos e narco-milicianos. Já passou da hora.

De novo eu pergunto: se eles não foram treinados para guerra, civil em nosso caso, estão prontos pra quê? Uma vez que não temos inimigos externos, deveríamos usar estes militares, juntamente com as polícias Civil e Militar, no combate ao crime organizado que se instalou em nosso estado. Em contexto de guerra, “soldados inimigos” podem ser eliminados por conta de interesses maiores da sociedade. Elementos portadores de armas de guerra, em ambiente urbano, devem ser considerados como tal e eliminados, em defesa da população civil. Simples assim!

Não há como igualar os direitos de quem obedece à lei àqueles da bandidagem que atua contra a ordem. O governo deveria anunciar amplamente à bandidagem que os portadores de armas de guerra serão eliminados, como inimigos, em defesa do estado, seja pelas Forças Armadas ou pelas Polícias Federal, Civil e Militar.

Vejam que estou chegando ao limite de admitir que as Forças – militares e policiais – atirem para matar quem estiver portando arma ilegal, mas situações de crise exigem soluções emergenciais. Não servem as soluções de sempre, aquelas do dia a dia, como “reforçar o policiamento”.

As facções – PCC e CV – crescem exponencialmente em função de que os “novos” bandidos querem sempre se filiar a alguma delas, no sentido de obter, quando
presos, proteção jurídica – com advogados muito bem pagos – e assistência financeira aos seus familiares.

Já passou da hora de agirmos. Vamos lá?

Valter Bernat

Advogado, analista de TI e editor do site.

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Advogado, analista de TI e editor do site.

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