28 de maio de 2026
Vinhos

Escolhendo um vinho para guardar

“Envelhecer como um bom vinho” é uma expressão consagrada, muito utilizada para qualificar pessoas que se tornam cada vez mais interessantes, com o passar dos anos.

O paralelo com os vinhos tem um lado absolutamente verdadeiro: todo vinho pode envelhecer.

O grande problema é saber se deve ser envelhecido. Nem sempre o resultado esperado pode valer a pena.

A maioria dos vinhos produzidos atualmente foi elaborada para serem consumidos rapidamente. Por outro lado, os chamados grandes vinhos, como os de Bourdeaux, Bourgogne e Champagne, na França, Barolo, Brunello e Barbaresco, na Itália, os Tempranillos da Rioja, Espanha, e os vinhos do Douro, em Portugal, são vinificados para serem guardados por alguns anos, antes de serem degustados.

São produtos de safras muito especiais, portanto bem mais caros que os vinhos do dia a dia, que se bem armazenados podem trazer novas camadas de aromas e sabores, se afastando do perfil frutado, fresco e fácil de beber. O novo perfil entra na região dos “terciários”. Aparecem frutas secas ou em compotas, couro, tabaco, com taninos bem arredondados e baixa acidez. Um final de boca muito persistente e agradável.

Pensando nisto, vem a primeira dica: se você nunca provou ou não gosta deste tipo de perfil, nem tente trafegar por este caminho.

Mas, se for esta a via desejada, aqui está a segunda dica: escolha um vinho que você já tenha provado e gostado.

Depois, certifique-se que ele tem algumas condições, na sua juventude, para poder melhorar na terceira idade: taninos presentes, boa acidez, teor alcoólico acima da média.

Uma interessante sugestão é comprar duas ou três garrafas deste mesmo vinho que se pretende envelhecer. Fixe uma data para ir abrindo cada uma delas, acompanhado a evolução da que será a última. É um ótimo aprendizado.

Um mito que devemos esquecer é o que afirma que só os tintos envelhecem bem: totalmente falso.

Um dos mais famosos vinhos do mundo, o Champagne, é disputadíssimo em anos safrados (vintage), simplesmente pela excelente capacidade de envelhecer. O mesmo pode ser dito sobre vinhos doces. A maioria são brancos.

Obviamente, existem castas, tintas ou brancas, que realmente melhoram com o tempo. Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir, por exemplo, são algumas das mais conhecidas entre as tintas. Chardonnay, Riesling e Chenin Blanc são bons exemplos de uvas brancas.

Outros fatores que influenciam num bom envelhecimento são a passagem por madeira e o tamanho da garrafa. As menores envelhecem mais rápido.

Temperatura e umidade controladas, posição horizontal, baixa iluminação e constante observação são recomendações válidas para vinhos novos ou envelhecidos.

Resumindo:

– Envelhecer um vinho não significa, necessariamente, que ele será melhor;

– Quem vai decidir esta questão é o seu paladar;

– Só armazene um vinho se você aprecia os sabores mais maduros, típicos de um vinho mais evoluído;

– Seguir o caminho dos vinhos consagrados é mais seguro, mas a grande aventura é trilhar por outras regiões menos famosas e descobrir novidades;

– Prefira um vinho que você já conheça. Tentar melhorar um vinho ruim, com envelhecimento, vai resultar num vinho ruim e velho;

– Vinhos tintos, brancos, rosados ou espumantes podem ser envelhecidos. Façam uma sábia escolha.

 Saúde, bons vinhos!

(A dica de hoje é uma boa opção para deixar quieto na adega.)

Dica da Karina – Cave Nacional

 

Vistamontes – Merlot Gran Inovum 2022

A Vistamontes Vinícola fica no interior de Bento Gonçalves. Ela faz parte da Rota Cantinas Históricas, um roteiro composto por diversos pontos turísticos da região. Os enólogos Geyce Marta Salton e Anderson De Césaro uniram experiências para elaborar sucos, espumantes e vinhos em seu local de origem: Faria Lemos, distrito de Bento Gonçalves.

O VistaMontes Gran Merlot Inovum é um vinho feito de Merlot de mesmo terroir e mesma safra porém com vinificação diferente. Uma parte do vinho estagiou em barricas de carvalho francês por 24 meses e outra parte amadureceu em ovos de concreto por 21 meses.

Possui visual límpido e brilhante, apresenta-se com coloração púrpura intensa. No nariz muita fruta, vermelhas e negras, como morango, cereja, mirtilo e o toque da madeira e do concreto, trazendo notas minerais e de especiarias, como grafite, fósforo, tabaco e pimenta preta. Um vinho vibrante e potente, com taninos firmes e polidos, com notas de frutas pretas se destacando, juntamente com o mineral e a barrica.

Valor unitário em 17/05/2025: R$ 315,00

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de mrsiraphol no Freepik

Tuty

Engenheiro, Sommelier, Barista e Queijeiro. Atualiza seus conhecimentos nos principais polos produtores do mundo. Organiza cursos, oficinas, palestras, cartas de vinho além de almoços ou jantares harmonizados.

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Engenheiro, Sommelier, Barista e Queijeiro. Atualiza seus conhecimentos nos principais polos produtores do mundo. Organiza cursos, oficinas, palestras, cartas de vinho além de almoços ou jantares harmonizados.

4 Comentários

  • Adriana Sampaio 19 de julho de 2025

    Bom dia… eu já estou velha, (70+). Como vou pensar em comprar um vinho de guarda? Vou bebendo os vinhos “normais” que me satisfazem e, eventualmente, junto com amigos um vinho especial. Adorei a coluna, mas acho que ela deveria ser direcionada a um público 40-. kkk. Acompanho sua coluna já há muitos anos e adoro. Só quis fazer este comentário que contém ironia… rs

    • Tuty 19 de julho de 2025

      Ola Adriana
      Agradeço seu simpático comentário.
      Aqui vai um contraponto: eu tenho 77 anos e ainda escolho vinhos para ficarem “esquecidos” na minha adega.
      Uma das últimas aventuras foi na visita a vinícola do Luiz Pato. Quando ele comentou que seus vinhos, feitos com a casta Baga, deveriam ficar cerca de 20 anos adegados antes de serem abertos, eu fiz um comentário bem semelhante ao seu:”estou velho para isto”!
      Ao final, fui presenteado com uma garrafa de Baga, já no “meio do caminho”.
      Abs

  • Eliete Betulani 19 de julho de 2025

    Bom dia. Leio suas colunas semanalmente. Moro aqui na Califórnia há mais de 10 anos. Elas são o meu guia. Compartilho-as com diversos amigos que tb gostam. Não tenho comentado pq só degustá-las já me dão a satisfação suficiente. Esta sobre vinhos de guarda me atingiu diretamente. Meu pai, um bebedor de vinho contumaz, faleceu há 5 anos e herdei sua mini adega, onde há vinhos com mais de 20 anos. Encontrei um safrado como 2001, ou seja, há 24 anos. Abraço e parabéns pelos posts.

    • Tuty 19 de julho de 2025

      Ola Eliete
      Agradeço seu ótimo comentário.
      Um expert, como seu pai, deve ter escolhidos os vinhos certos para deixar na adega.
      Este de 24 anos deve estar “no ponto”.
      Abra numa ocasião especial e se delicie.
      A propósito: nasci na Califórnia. Meus pais estavam a serviço do governo brasileiro da época.
      Abs

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