22 de julho de 2024
Sylvia Belinky

Esta época do ano


Não gosto nada desta época do ano; Natal e Ano Novo são sinônimos de coisas postiças, coisas bem ao gosto de hoje: antenadas, fashion e fakes! É, é isso: são legitimamente… “fakes”!
A começar pelo Natal. Se pensarmos bem, o que há para comemorar em relação a Jesus Cristo? Seus ensinamentos, ainda que não se tenham perdido completamente, tampouco são seguidos como deveriam. E o que é certo é que Jesus certamente não aprovaria o fausto dessa época, o comprar sem freios e o comer… idem, idem! É feita uma quantidade enorme de comida, convidam-se inclusive aqueles que não temos vontade nem que venham, nem de alimentar, mas que “fazem parte”…
As ruas ficam lotadas de gente que vai às compras, buscar “lembrancinhas” – que serão baratas e de mau gosto e alvo da língua comprida de quem teve a má sorte de recebê-las – ou muito caras, fazendo com que quem receba fique constrangido por não ter como presentear na “mesma altura” e, quando for agradecer pelo bom gosto, ouvirá um falso: “mas é só uma lembrancinha”…
Ao longo da festa, é bem frequente nos darmos conta de que nos esquecemos por completo de alguém e que vai ficar chato quando a criatura perceber… E, nessa época e circunstâncias, nada passa desapercebido… que baita mico!
E, ultrapassada a maratona do Natal, vem a do Ano Novo: toca comprar uma roupa especial para a ocasião e, manda a tradição que a roupa deva ser… branca. Pois é, logo eu que tenho bichos em casa e que, quando vou sair, eles se tornam mais efusivos, pulam com as patinhas sujas, querendo nos convencer a não sair…
E a roupa de final de ano será exclusivamente isso: vestiu, todos repararam – e nem sempre no fato de a roupa ser bonita, mas no fato de você estar assim… mais rechonchuda, digamos, do que estava no ano passado… E, ai de você se tentar vesti-la novamente: todos vão lembrar, inclusive os cachorros!
Bom, e como você está definida, vai mesmo à festa de réveillon, agora vem a parte do trânsito, do não poder beber porque a polícia de plantão vai estar mais ligada do que nunca nesse “pormenor”. E não é que você encontra com o mesmíssimo figurino que você na festa? Que vontade de “se enfiar no rabo da vaca” como dizia uma pessoa queridíssima, gaúcha e muito engraçada…
Mas, esquece a roupa e lá vamos nós, seguindo todas as crendices: algo novo, algo velho, algo emprestado, algo azul… ou será que tudo isso é só no dia do casamento? Mas calcinha amarela (prá ter dinheiro) é certeza, caroços de 12 uvas chupadas no alto da escada e colocados na carteira – que sorte não serem caroços de abacate…
E, exatamente na hora das 12 badaladas, você não sabe se beija, se olha os fogos na TV, se fala ao telefone e deseja feliz ano novo e… Acabou!
Você não pulou as 6 (ou são 12?) ondas, não vai poder guiar (porque era você que ia guiar), as uvas, ao invés de 12 eram só 8… E, agora?
Ao contrário: a moça de vestido igual foi embora, o pessoal resolveu ir de Uber, o beijo no gatão pode não ter sido exatamente à meia-noite mas ele está aí, não é fake…
Então tá: FELIZ NATAL E ANO NOVO, e prá valer!!

Sylvia Marcia Belinky

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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