14 de julho de 2024
Colunistas Sylvia Belinky

Maluquices atuais

Estamos em guerra, quem diria. E um bando de gente se mandando para as praias, “numa nice”, se sentindo presenteada pelo fato de ter feriado sem carnaval agora e um novo feriado dessa vez COM CARNAVAL, garantido, em 21 de abril: cá pra nós, data super bem escolhida!

Nesse meio tempo, escuto a declaração de uma senhora, professora e dona de um português impecável, mas ucraniana de nascimento, dizendo que o pai dela foi se alistar no exército ucraniano ontem e que a Ucrânia não vai abaixar a crista para a Rússia – coitados, é surrealista!

Enquanto isso, nosso capitão Cloroquina, que foi até lá dissuadir um de seus iguais, o Putin, de entrar em guerra, tipo “cara, não vai lá, irmão, não vale a pena, sou solidário a você, mas não dá pra anexar agora, deixa pra daqui há algum tempo” (aliás, embora eu continue a usar esse “há” com agá, até nos jornais vejo que ele caiu em desuso – e palavras surgem no dia a dia no gênero de “possa ser”, “economicidade” e outras excrescências, caindo no goto – tudo quanto é iletrado passa a utilizar e se sentir dono da língua!).

Recebo de uma amiga, que respeito muito e que acho muito inteligente, uma “Carta Manifesto” contra o Putin e sua invasão à Ucrânia e a pergunta é: “Você vai se manifestar ou ficar calado?” e fico desejando não ter recebido nada e, se recebesse, que não tivesse vindo dela – sinto VA (vergonha alheia) e jamais assinaria algo do gênero porque, nessa história, temos a mesma importância do cocô da mosca que pousou no estrume do cavalo do bandido!

Não sou alienada e boa parte de minha família veio da Rússia. Nós, da geração que já nasceu e cresceu em solo brasileiro, ouvíamos falar russo em casa.

Ao ouvir os pronunciamentos do Putin e fico encantada em descobrir que entendo um monte de palavras e expressões e fico me crucificando – um pouco tarde demais, é verdade – por não ter me dedicado a aprender o russo, um idioma que soa lindamente, uma língua suave, embora a figura da KGB de suave não tenha nada, bem ao contrário!

Em um dos discursos – tenho que admitir, de gênio, sendo que a tradução estava irretocável – ele diz que os Estados Unidos anexaram o Texas, a Califórnia, que sequer falavam a mesma língua e ninguém abriu a boca.

Se a moda pega, anexar quem fala a mesma língua… nossos vizinhos têm sorte de falar espanhol senão… estavam no papo!

Sylvia Marcia Belinky

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

1 Comentário

  • Aron Belinky 27 de fevereiro de 2022

    Essa dinâmica da língua portuguesa anda muito estranha mesmo…

    O que eu não aguento é ver gente “ressignificando” a palavra ‘assertivo’… Já reparou que, de um tempo para cá, virou moda usarem como se fosse o mesmo que certeiro, quem acerta muito? Haja ignorância… Acho que nunca vi escreverem com C, mas deve ser porque a novidade ainda não poluiu os corretores automáticos… só os ouvidos e cérebros da malta!

    Também fico louco quando alguém diz que ‘odeia’ uma situação ou comida (como em ‘odeio coentro’). Em português existe palavra certa para isso: detesto. Ódio se reserva para outras situações, menos prosaicas. Essa distorção, tenho certeza, foi importada devido a traduções preguiçosas: nos filmes em inglês usam ‘hate’ para tudo… Lamentável.

    (Sobre Putin, Ucrânia e nossa impotência, nem comento: triste demais…)

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