Tarso Genro defende Lula com o velho discurso de que foi caixa dois, apenas. Como se caixa dois não fosse crime

Tarso Genro (Foto: PT)

O Tarso Genro que depôs, ontem à tarde, à 13ª Vara Federal de Curitiba como testemunha de defesa do ex-presidente Lula não esteve à altura do ex-ministro da Justiça Tarso Genro que desde o escândalo do mensalão defende a necessidade de refundar o PT, livrando-o dos vícios adquiridos nos últimos 13 anos e das personalidades nefastas que o levaram a cometer tantos graves erros.
Para explicar o mensalão, Lula disse, em meados de 2005, que tudo não passara de caixa dois – a doação por empresas de dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral. E que todos os partidos sempre se valeram de caixa dois para financiar suas campanhas. O que Tarso disse ontem para livrar Lula das acusações que o tornaram réu em cinco processos da Lava Jato? Ora… Simplesmente repetiu o discurso de Lula sobre o caixa dois.
Foi além. Segundo ele, a prática de esconder da Justiça doações de campanha não ocorria por intenção de partidos ou candidatos, mas sim por exigência das empresas doadoras que não queriam ter seus nomes vinculados às campanhas. (Coitadinhos dos partidos… Forçados a competir para continuar existindo, foram constrangidos pelas empresas a infringir a lei. Sem dinheiro não se disputa nem se ganha.)
Caixa dois sempre foi crime. Partidos e políticos fizeram de conta que se tratava de um crime menor, uma simples infração eleitoral, tolerável porque cometido universalmente. Em 2012, durante o julgamento do mensalão, a ministra Cármen Lúcia, atual presidente do Supremo Tribunal Federal, decretou: “Caixa dois é crime e agressão à sociedade. No estado de direito, o ilícito há de ser processado e, se comprovado, punido”.
É crime porque previsto em lei. É agressão porque caixa dois corrompe e subverte a livre manifestação da sociedade. Um candidato montado em muita grana leva vantagem sobre outro com menos grana. Dá-se o mesmo com os partidos. Os mais bem aquinhoados de dinheiro conquistam mais tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão via compra de apoios de outras siglas, por exemplo.
Advogados de Lula perguntaram a Tarso se tinha conhecimento de algum ato do ex-presidente que justificasse a acusação do Ministério Público Federal de que ele construiu colchão de recursos ilícitos para abastecer campanhas. Tarso respondeu que nenhum candidato participa das articulações para o financiamento da campanha “até para não criar uma relação de compromisso com a empresa doadora”.
Menos, Tarso, menos. Em 2002, Lula testemunhou a compra pelo PT do apoio do então Partido Liberal (PL) à sua candidatura a presidente. Ele e o empresário mineiro José Alencar, que seria seu vice, se reuniram em um apartamento de Brasília com Valdemar Costa Neto, então presidente do PL. A certa altura do encontro, esperaram na varanda que José Dirceu fechasse o negócio trancado em um quarto com Costa Neto.
O negócio custou ao PT R$ 6 milhões – uma titica se comparado, hoje, com os negócios milionários e em dólares que desfalcaram os cofres das Petrobras. Lula insiste em dizer que desconhecia a corrupção na Petrobras. Bem, ele ainda teima em negar que o mensalão existiu. Pelo jeito, Tarso nem reconhece o mensalão nem acredita no petrolão. Tudo deve ter sido inventado para derrubar Lula e destruir o PT.
Fonte: Blog do Noblat

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