Manda quem pode, no caso Bolsonaro. Obedece quem tem juízo

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O obediente da vez é o ministro da Saúde que jura respeitar a Ciência, mas que ao mesmo tempo não quer perder o emprego

O que faz o presidente pressionar o ministro da Saúde para que interrompa a imunização contra a Covid em adolescentes de 12 a 17 anos? E o ministro a apressar-se em obedecer ao invés de convencer do contrário o presidente que se orgulha de nunca ter lido um livro sobre qualquer coisa? O presidente é inconvencível!

Jair Bolsonaro tem como livro de cabeceira as memórias do coronel torturador Brilhante Ulstra, mas admite que só o folheou. Se dependesse dele, livros teriam mais ilustrações do que letras, como gibis. Médico, o cardiologista Marcelo Queiroga chegou ao ministério da Saúde como defensor intransigente da Ciência.

Na live semanal do presidente, um ex-paraquedista, no entanto, Queiroga criticou o excesso de leis e disse que, em breve, o uso de máscara contra o coronavírus deixará de ser obrigatório. A pandemia esfriou, mas não foi contida. Países que abandonaram o uso da máscara voltaram a adotá-la. Bolsonaro é contra.

Ele está irritado com a exigência feita pela Organização das Nações Unidas (ONU) para que use máscara quem participar de sua próxima Assembleia Geral. Chefes de Estado estarão dispensados de usá-la quando ocuparem a tribuna para discursar, mas não para circular no plenário e demais dependências do seu prédio.

Passear por Nova Iorque, sede da ONU, sem máscara, é proibido. Bolsonaro e seus comparsas se verão privados dos seus maiores prazeres sempre que visitam a cidade: ir às compras e frequentar restaurantes. Comer hambúrguer, só nos quartos de hotel. Coitado do membro da comitiva visto de máscara por Bolsonaro.

O que se esconde por trás da interrupção da imunização dos adolescentes, antes autorizada pelo Ministério da Saúde, é simples: não há vacinas disponíveis para tanto. Acredite: em entrevista, ontem, Queiroga queixou-se dos Estados que estão vacinando com muita rapidez. Sim, foi isso o que você leu: com muita rapidez.

A logística de distribuição de vacinas continua uma zorra, embora o ministro anterior, o general Eduardo Pazuello, tenha-se apresentado ao país como um especialista em logística. Pazuello teve seu momento de brilho ao dizer que manda quem pode, obedece quem tem juízo. Queiroga pensa da mesma forma.

Desde que entrou em cena Jairzinho paz e amor, o mandatário que joga dentro das quatro linhas de Constituição e se curva à independência dos demais Poderes da República, Bolsonaro está à procura de ocasiões para convencer seus devotos de que não recuou coisa nenhuma, e muito menos se acovardou.

Precisa dar provas de que o macho alfa é ele. Então… Pois é. Quem o pariu que o embale até o fim. Ou se arrependa a tempo.

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