1 de julho de 2022
Colunistas Ricardo Noblat

A seguir assim, só prendendo Lula outra vez para que não se eleja

O ano termina com Bolsonaro rejeitado por 60% dos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha

Lula de máscara em close Rafaela Felicciano/Metrópole

Como dizia o saudoso locutor esportivo Fiori Gigliotti ao final da narração de jogos, “fecham-se as cortinas e termina o espetáculo” do ano de 2021 com todas as pesquisas de opinião que de fato importam indicando que Lula (PT) é o favorito para se eleger presidente no ano que vem. Faltam pouco mais de 9 meses.

Já posta a circular pelas forças ocultas que a encomendaram, entre os bolsonaristas o que faz mesmo sucesso é a pesquisa de um tal de Instituto Brasmarket, com supostos 40 anos de experiência no ramo, que dá Bolsonaro (PL) à frente de Lula com larga margem de vantagem, derrotando-o – pasmem! – inclusive no Nordeste.

Deixa pra lá. Se a eleição tivesse ocorrido nesta semana, Lula teria vencido no primeiro turno, superando com folga a soma de votos obtidos por Bolsonaro, Sergio Moro (Podemos), Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB), segundo as pesquisas CNI, CNT, Ipec (ex-IBOPE) e Datafolha divulgadas nesta semana.

Lula vence nas pesquisas espontâneas, nas quais os entrevistados respondem de memória à pergunta sobre em quem votariam; e vence nas induzidas, em que aos entrevistados é apresentada uma lista com nomes de candidatos. Em um segundo turno, venceria qualquer adversário, enquanto Bolsonaro perderia de todos.

Desde o início do seu governo, diz-se que o maior adversário de Bolsonaro é ele mesmo. O que soa a frase feita confirma-se a levar em conta sua taxa de rejeição. Dos 3.666 eleitores ouvidos pelo Datafolha em 191 municípios de todo o país, de segunda-feira (13) até ontem, 60% disseram que não votariam nele de jeito nenhum.

Entre os mais pobres, com renda familiar menor que dois salários mínimos, a rejeição a Bolsonaro é de 64%. Na região onde ele vai bem, o Sul, a rejeição é de 54%. Doria tem só 4% das intenções de voto no primeiro turno, mas no segundo ganharia de Bolsonaro com 12 pontos percentuais a mais (46% a 34%).

Lula e Doria são rejeitados por 34% dos eleitores. Moro, por 30%. Bolsonaro deve torcer para que Moro não o ameace, mas também não o decepcione. Os dois disputam os mesmos devotos. Moro é o Plano B dos bolsonaristas. Sem ele, maiores seriam as chances de Lula se eleger sem disputar o segundo turno.

Na pesquisa Datafolha que fechou o ano de 2017, Lula apareceu com 34% das intenções de voto, e Bolsonaro com 17%. Hoje, ele tem 48% e Bolsonaro, 22%. Se Lula não cometer graves erros, e se o acaso não lhe aprontar nada, será preciso prendê-lo outra vez para que não se eleja presidente.

Fonte: Blog do Noblat

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

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