24 de outubro de 2026
Professor Taciano

Quem governa o Brasil é Lula ou o Google?

Quando o presidente é questionado sobre os resultados de sua própria gestão, a população espera respostas claras, dados objetivos e prestação de contas — não apenas indicações para que procure informações na internet (Google).

O último debate presidencial do segundo turno, realizado pela TV Globo na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, foi palco de uma pergunta que resumiu um dos momentos mais comentados do confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

“Quem governa o Brasil, você ou o Google?”, questionou Flávio Bolsonaro, depois de Lula recomendar, repetidas vezes, que o
adversário e os telespectadores recorressem ao mecanismo de busca para consultar informações sobre as realizações de seus
governos.

A frase provocativa ganhou destaque porque toca em uma questão fundamental da vida democrática: até que ponto um governante deve ser capaz de prestar contas diretamente à população sobre as ações de sua administração?

Não há nada de errado em recomendar pesquisas na internet. Pelo contrário, o acesso à informação é indispensável para uma
sociedade livre, e consultar diferentes fontes pode ajudar o cidadão a compreender melhor os fatos. O problema surge quando a
indicação para pesquisar substitui, em vez de complementar, uma resposta direta a uma pergunta objetiva.

O eleitor não precisa de um presidente que saiba de memória cada número, cada contrato ou cada estatística da máquina pública. O Brasil é complexo, e nenhum governante domina sozinho todos os detalhes da administração federal. Entretanto, espera-se que o chefe do Executivo conheça as prioridades de seu governo, apresente resultados verificáveis e saiba explicar as decisões tomadas por sua equipe.

Afinal, governar não significa apenas anunciar investimentos ou enumerar obras. Significa explicar quanto foi gasto, o que foi
efetivamente entregue, quem foi beneficiado e quais problemas continuam sem solução.

No caso do saneamento básico, tema que motivou a troca de declarações, a discussão vai muito além das provocações entre os
candidatos. Milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades de acesso à água tratada e à coleta e ao tratamento de esgoto. Para essas pessoas, pouco importa quem venceu a discussão verbal no estúdio: o que interessa é quando o serviço chegará à sua casa.

É justamente nesse ponto que o debate eleitoral precisa cumprir sua função. Candidatos devem apresentar números que possam ser conferidos, esclarecer divergências e responder às perguntas que afetam a vida cotidiana da população. Se um governo afirma ter realizado investimentos, cabe demonstrar os valores aplicados e os resultados alcançados. Se a oposição contesta esses dados, deve apresentar elementos concretos que sustentem suas críticas.

O Google pode ajudar a localizar documentos oficiais, relatórios públicos, notícias e estatísticas. Mas um mecanismo de busca não executa obras, não administra o orçamento federal, não formula políticas públicas e não responde politicamente pelas decisões do Palácio do Planalto.

Quem governa é o presidente da República. Quem fiscaliza é a sociedade, com o apoio das instituições e da imprensa. E quem
decide se os resultados apresentados são suficientes é o cidadão, com base em informações verificáveis.

A pergunta de Flávio Bolsonaro, portanto, merece ser compreendida para além do efeito retórico. Ela expõe uma cobrança legítima por transparência e clareza nas respostas de quem ocupa o mais alto cargo do Poder Executivo. Isso não dispensa o próprio candidato oposicionista de demonstrar a consistência de suas propostas nem o eleitor de examinar criticamente as declarações dos dois lados.

Em uma democracia, nenhum candidato deve ser tratado como dono da verdade. Promessas, acusações e balanços de governo precisam ser confrontados com fatos, documentos e resultados concretos.

O Brasil não precisa escolher entre acreditar cegamente em um discurso ou aceitar automaticamente o discurso contrário. Precisa de cidadãos capazes de perguntar, investigar, comparar e cobrar. Porque, no fim das contas, a pergunta mais importante não é apenas quem governa o Brasil: Lula ou o Google?

A pergunta que permanece para todos os candidatos é outra: quem está disposto a prestar contas, apresentar resultados
comprováveis e assumir a responsabilidade pelas decisões que toma em nome dos brasileiros?

É isso que a população tem o direito de exigir de qualquer presidente, independentemente de partido ou ideologia.

Professor Taciano Medrado

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

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