27 de setembro de 2026
Professor Taciano

O Poder como espelho da alma

Quando o cargo revela o caráter que antes se escondia

“Quer conhecer o homem? Dê-lhe poder”.

A célebre frase acima, atribuída erroneamente a diversas figuras históricas, talvez nunca tenha sido tão atual. Mais do que um ditado, ela se revela como um alerta — e também como um espelho que desnuda a essência daqueles que ocupam posições de liderança.

Os últimos acontecimentos que assolam um certo país, de um certo continente sul-americano, envolvendo decisões um tanto quanto controversas da Suprema Corte de Justiça, me fez refletir sobre essa frase que não é nova, mas que insiste em intrigar a humanidade: a forma como o poder molda (ou revela) o verdadeiro caráter dos que o detêm.

Vivemos em uma sociedade onde o poder ainda é confundido com privilégio. Em vez de ser um instrumento de transformação coletiva, frequentemente é utilizado como trampolim para projetos pessoais, vaidades infladas e abusos silenciosos. É comum ver pessoas que, ao alcançar cargos de autoridade, mudam de postura, de discurso — e, muitas vezes, até de princípios.

A política brasileira é um exemplo didático desse fenômeno. Muitos dos que, em campanha, juram servir ao povo, ao serem eleitos passam a servir a si mesmos. Cercam-se de bajuladores, desdenham das críticas, e constroem castelos de distância em relação à população que os elegeu. Como num passe de mágica, o “representante do povo” se transforma em “intocável do poder”. E o que era promessa vira arrogância disfarçada de liderança.

Mas não apenas os políticos se revelam sob o peso do poder.

Em empresas, escolas, igrejas ou organizações, vemos constantemente o mesmo enredo se repetir: o poder que deveria inspirar responsabilidade e sensatez acaba se convertendo em palco para o ego. Pessoas comuns, ao assumirem um cargo de chefia, muitas vezes se tornam autoritárias, insensíveis e centralizadoras. Não porque o cargo exige isso, mas porque sempre foram assim — só não tinham a oportunidade de mostrar.

É preciso lembrar que o poder, por si só, não corrompe. Ele apenas expõe. Funciona como uma lente de aumento: revela com mais clareza aquilo que antes estava disfarçado sob a capa da conveniência social. Quem é ético, permanece ético. Quem é ambicioso de forma mesquinha, revela-se dominado por seus próprios interesses.

Por isso, é essencial refletir sobre quem colocamos no poder — e, mais ainda, sobre como agimos quando o conquistamos, seja ele grande ou pequeno. O verdadeiro líder é aquele que se mantém íntegro mesmo quando ninguém mais o fiscaliza. Que se lembra de onde veio, mesmo quando está no topo. Que entende o poder como um meio, e não como um fim.

No fim das contas, dar poder a alguém é como acender uma luz intensa sobre sua alma. E aí, meu caro leitor, a verdade aparece — nua e crua

Professor Taciano Medrado

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

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