14 de maio de 2026
Professor Taciano

A era VAR e a decadência da arbitragem brasileira

Todo final de semana eu me preparo psicologicamente para acompanhar os jogos do campeonato brasileiro, mas o motivo não é se os meus dois times do coração – Vasco e Bahia – vão ganhar, empatar ou perder, mas sim pela iminente lambança que o maior protagonista do futebol brasileiro vai fazer – o VAR e o trio de arbitragem.

Confesso que já prometi não assistir mais nenhum jogo de futebol no Brasil, mas a minha paixão futebolística fala mais alto. Mas afinal, o que seria do brasileiro se não fossem futebol, samba e cerveja?

Quando o VAR chegou ao futebol brasileiro, vendeu-se a ideia de que a tecnologia traria justiça, clareza e respeito às regras do jogo. Era o início de uma nova era, promissora e moderna, onde os erros humanos teriam um limite e a credibilidade da arbitragem seria, finalmente, restaurada.

No entanto, o que vemos em campo — e fora dele — é exatamente o oposto: uma arbitragem cada vez mais desacreditada, marcada por decisões confusas, incoerentes e, muitas vezes, revoltantes.

A era do VAR não acabou com a polêmica — ela apenas trocou os protagonistas. Se antes a revolta se voltava contra o erro humano evidente, agora ela se volta contra interpretações tecnológicas seletivas, lentas e nada transparentes. O torcedor não entende por que certos lances são revisados e outros não. O jogador não sabe mais se deve comemorar um gol ou esperar cinco minutos por uma decisão.

O árbitro de campo, por sua vez, parece cada vez mais refém da cabine escura do VAR, onde, ironicamente, a luz da verdade parece mais distante do que nunca.

No fundo, o problema não está na tecnologia em si. O VAR é apenas uma ferramenta — quem a opera é que precisa estar preparado. E é justamente aí que mora a crise: a arbitragem brasileira sofre de despreparo crônico, falta de padronização de critérios e ausência de profissionalismo.

Em um esporte que movimenta bilhões, árbitros ainda convivem com amadorismo institucional, recebendo formação irregular, remuneração insuficiente e pouca responsabilização por seus erros.

O resultado está diante dos nossos olhos — ou melhor, nos gramados de todo o país. Jogos são decididos por interpretações incoerentes. Clubes se sentem lesados. Torcedores perdem a fé. A confiança, um dos pilares do futebol como espetáculo popular, está sendo corroída rodada após rodada.

O futebol brasileiro não pode seguir refém de uma arbitragem que, mesmo com toda a tecnologia disponível, falha em seu dever mais básico: garantir a justiça dentro de campo. É preciso mais do que microfones, telas e linhas traçadas digitalmente.

Por fim, é necessário compromisso, capacitação e coragem para rever estruturas ultrapassadas. Caso contrário, o VAR seguirá sendo apenas um espelho do caos — e não a solução esperada por todos. Do contrário, seguiremos colecionando polêmicas, desconfiando dos resultados e assistindo à lenta degradação da credibilidade do nosso esporte mais amado – o futebol.

Professor Taciano Medrado

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

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