Aniversário


Pausa nas comemorações, porque com ou sem aniversário, eu tô trabalhando, com muito orgulho, do alto dos meus 5.9. Bora no textão:
É insano competir pela tragédia mais trágica, com o devido perdão pelo trocadilho. Mas o destaque que a imprensa dá aos eventos estrangeiros em detrimento das mazelas do nosso quintal é gritante, inútil e inócuo. Tempo, papel e informação desperdiçados.
Tudo bem que furacões provocam um estrago danado, mas seca também provoca. E olha que pauta não falta. A indústria da seca, gente que come rato, a transposição do Velho Chico que deu em nada. Ops, nada não. Deu, sim, muita corrupção.
Até quando furacões viram tempestades tropicais, como o Nate nesse fim de semana, a Globonews faz um escarcéu. Pode me dizer para quê, por exemplo, colocaram uma repórter histérica cambaleando no meio da rua durante a passagem por um deles em Miami?
E nenhum especial sobre a seca, sobre a floresta, sobre qualquer coisa que nos assola tão de perto e para as quais não temos visto soluções?
Horas e páginas dedicadas à questão do porte de arma nos EUA, uma suíte interminável da tragédia em Las Vegas, ainda que estejamos carecas de saber que ninguém vai se meter com a indústria bélica americana. Explica, por quê, cazzo?
Reportagens histéricas que tentam dar um ar de gravidade e urgência, enquanto paira a certeza absoluta de que nada ou ninguém vai tirar deles o direito à segunda emenda!
No jornal, uma página inteira sobre essa pauta fria, requentada e inútil e meia página para a tragédia de Janaúba. Como assim? Nenhuma entrevista com psiquiatras, por quê? Nenhuma pauta consistente sobre a falta de alvará dos bombeiros e extintores de incêndio. Quantas escolas da região estão na mesma situação? Quantas no país estão nessa situação? Eu sei, apurar dá um certo trabalhinho mesmo. Mais fácil é colocar no ar uma repórter que parece que acabou de acordar na TV, e nos jornais o velho e bom cozidão do factual.
Gente, furacão nível 1 não merece mais do que 15 segundos. É registro. Ponto.
O Brasil tem tanta coisa a ser apurada com seriedade, tantas mazelas a serem denunciadas e os jornais ficam nesse mimimi de armas americanas?
Aí você, boa assessora de imprensa que é, vai no fulaninho e canta uma pauta da maior urgência, de interesse nacional, que atinge milhões de pessoas e envolve mais de 200 bilhões de reais. O que ouve? Ah, mas isso interessa ao mercado de capitais, né?
Não, filhinho, não só. Mas também a milhões de pessoas que correm o risco de perdas enormes porque VOCÊ acha que o governo tem que ser o grande gestor do meu, do seu e do nosso dinheirinho. Mas se você quiser aprender, te apresento uma pessoa que pode explicar melhor sobre a ineficiência, sobre inépcia e sobre a malandragem do Estado Gestor do seu dinheiro.
E também, vamos combinar, você tem uma enorme preguiça de apurar. Dá trabalho, e você já ganha suficientemente mal para desempenhar esse papel medíocre de quem nem lê o editorial do próprio jornal.

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