Agora, vai…

A Polícia Federal – grande PF – atirou no que viu e acertou no que não viu. Tentando vincular a Mossack Fonseca, empresa de advocacia e consultoria sediada na República do Panamá, ao tríplex do Guarujá – o tal que o Lula jura de pés juntos não ser dele -, ela tropeçou num inacreditável esquema de empresas offshores. Todas fraudulentas. Desta vez, não há escapatória. Provavelmente não existe um só político neste país que não esteja com o rabo preso. OK, não vamos exagerar. 95% estão com o rabo preso. Os 5% restantes ou não tiveram a chance de cair de boca ou – milagre, milagre – são realmente honestos. Quem diria, hein? Não é que pode existir alguém honesto em Brasília?
Bomba
Um ano antes de a Polícia Federal brasileira desconfiar da Mossack Fonseca, um grupo de 376 jornalistas de 76 países, inclusive do Brasil, já estava no rastro desta firma. No fim de semana passado, eles revelaram o que pode ser considerado o escândalo do século. Para se ter uma ideia, diante da imensa rede de corrupção e sonegação, o coitadinho do tríplex do Lula não passa mesmo de um “minha casa, minha vida”, como afirmou o seu proprietário à PF.
Tal fato significa que nós, os brasileiros, vamos ter que parar de nos chatear mutuamente para enfrentarmos juntos a inacreditável missão de reconstruir o Brasil. Ah, minha pátria amada, idolatrada, salve, salve, vamos combinar, você não dá uma folga. Entra governo, sai governo, só mudam as moscas.  Desta vez, porém, fomos surpreendidos. O tamanho da m… é absurdo. Haja mosca.
Antes que eu me esqueça: alguém ainda se lembra que o prefeito Eduardo Paes, da nossa muy leal cidade de São Sebastião, tem uma conta no Panamá junto com o pai? Nada, não, Escrevi só para lembrar e também para afirmar que, debaixo desta ponte, ainda vai rolar muita lama.
Até agora, poucos nomes foram revelados. Mas já se sabe que as as grandes empreiteiras ligadas aos Lava-Jato estão envolvidas: Odebrecht, Mendes Júnior, Schahin, Queiroz Galvão, Feffer, que controla o grupo Suzano e a Walter Faria, do Grupo Petrópolis. Sabe-se também que alguns políticos foram flagrados com a boca na botija. Mas estes continuam afirmando não saber de nada e que tudo não passa de delírio persecutório da polícia e da imprensa. Sendo assim, prefiro que a PF divulgue os seus nomes. Sou macaca velha. Não vou enfiar a minha mão nesta cumbuca.
Mas não deixo de relatar que os quase 12 milhões de documentos encontrados acrescentam grandes novidades à roubalheira da Petrobrás, comprovam várias delações premiadas feitas à PF – por exemplo, foi confirmada, tintim por tintim, a confissão do empresário Ricardo Pernambuco –  e revelam uma imensa rede de propinas e de dinheiro ilegal que circulou pelas contas secretas das offshores.
A lambança é absolutamente enorme e não deixa pedra sobre pedra. A Polícia Federal ainda não conseguiu acessar os dados da Mossack Fonseca do Panamá, onde, provavelmente, existem outras muitas toneladas de revelações e de espantos. Mas o que já encontrou na filial brasileira da empresa não deixa dúvidas de que muita gente boa vai dançar.
As novidades bombásticas, que nos deixarão siderados nos próximos dias, irão sendo publicadas aos poucos sob a retrança Panamá Papers.  Viva o jornalismo sério, viva a minha profissão, viva os coleguinhas que marcaram um gol de placa.
Acho que agora, vai.
Isto é, se o Supremo Tribunal Federal não der um jeito de anular as provas encontradas ou de modificar o conceito de contas secretas e de offshores  sonegadas ao Imposto de Renda. Nosso país, sabemos, é factual. Se for preciso, o STF, num passe de mágica, adaptará novas verdades aos novos fatos.
Mas eu prefiro acreditar que, finalmente, pegaremos todos os corruptos.
Aleluia.

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