Strike urbano


Hoje, em frente ao meu prédio uma jovem soltou um grito de susto ao ouvir uma buzina estridente e xingamentos em sua direção, enquanto atravessava a rua.
Ela deu um salto para trás e teve um reação estranha, enquanto o carro se afastava. Parecia estar totalmente desconectada e sem reação. O carro de trás parou e ofereceu ajuda porque a garota continuou na rua estática.
Na verdade, ela estava teclando no celular e agindo mecanicamente, de cabeça baixa, sem prestar atenção ao que ocorria à sua volta.
O senhor do carro de trás a chamou e deu-lhe um pito, referindo-se ao celular e depois seguiu seu rumo.
A garota nasceu de novo, pois esteve a um palmo de ser atropelada por duas vezes.
O mais estranho é que ela permaneceu impassível, como se nada tivesse acontecido.
O que o celular mostrava deveria ser mais importante do que sua própria vida. Porque ela parecia hipnotizada. Um zumbi.
Essa geração virou droga dependente de smartphone.
No metrô, na hora do pico, só encontrão, gente que vem pra cima, na sua direção, como se o mundo fosse todo seu. Dentro do trem ainda encontramos aquelas pessoas que compartilham com os demais o que vai fazer na janta, depois da janta, no dia seguinte, papos estranhos, tretas, tudo com testemunhas ocasionais.
O mundo está tão barulhento e as pessoas aceleradas, na mesma velocidade em que teclam. Pisam nas pessoas que caminham à frente na calçada. Strike pra todo lado.
Alguma coisa terá que ser feita no aspecto comportamental porque está virando uma epidemia de gente abestalhada se propagando por todos espaços.
Essa nova forma de se comunicar está tirando das pessoas o melhor e tornando-as egoístas.
O riso fácil, as reuniões divertidas, os olhares trocados, as gentilezas, quase não se vêm mais. As crianças choram para poder usar os celulares dos pais e não se interessam pelos brinquedos.
O mundo está muito, muito chato.

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