15 de maio de 2026
Ligia Cruz

Os velhacos contra o senador

Vamos lá, foi dada a largada à temporada de ataques na campanha eleitoral. A esquerda está toda empenhada em matar a campanha de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, para viabilizar a campanha de Lula.

Um homem velho, sem sucessor, moralmente derrotado, com uma capivara que supera qualquer nome da história da república, só mesmo usando de métodos rasos para vencer oponentes.

Sem um nome de peso mordendo seu traseiro, fica mais fácil continuar o plano comunista de escravização do país, pela dependência do estado.

Hoje, em torno de 54 milhões de brasileiros dependem do Bolsa Família. É a “cubanização” levada ao extremo, ao longo de três décadas, agora com apoio da tirania judicial. É disso que se trata, o resto é o enredo triste de um projeto de poder pérfido.

As reservas morais do sistema pegaram carona em conversa vazada em matéria do veículo de extrema-esquerda Intercept, que não é de hoje aponta o dedo só para quem não é da sua laia. E montaram o teatro.

O fato é que o Intercept, surpreendentemente, sempre tem acesso a conversas privadas vazadas. O que revela uma relação promíscua com quem pode grampear telefones no âmbito estatal. Não é preciso dizer quem. O que faz crer que nenhum celular neste país está imune à espionagem.

O que mais surpreende é ver o eleitorado conservador embarcando em toda e qualquer denúncia como se fosse a verdade mais absoluta, sem fazer uma análise crítica dos fatos e colocando o fígado no meio.

Então não dá para chamar esquerdistas de gado, com essa mentalidade bovina de “Maria vai com as outras”. Escolher lado não é simples, é principalmente se informar, analisar fatos, sem histeria e tomar uma posição. Não no calor da denúncia, mas com a cabeça fria. É assim que um eleitor sensato deve se portar.

Os fatos.

A conversa vazada é informal, entre duas pessoas que se conhecem, não que tenham propriamente vínculo.

Em nenhum momento ficou patente que Flávio usou seu cargo para obter favores – havia um contrato confidencial em curso com o banco Master, de um total de R$ 134 milhões, para patrocinar o filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai.

Do total contratado, R$ 61 milhões foram honrados e as parcelas estariam atrasadas. O que Flávio fez foi ligar para Daniel Vorcaro, em tom amistoso e informal e cobrar. Isso aconteceu um dia antes de o banqueiro ser pego ao embarcar para o exterior. E o senador sequer imaginava o desfecho, apesar de ter conhecimento, como todo mundo, que havia uma crise instalada no banco.

A conversa já estava gravada à espera do momento certo para ser vazada. Isso aconteceu quando um instituto de pesquisas deu uma dianteira de 50% dos votos para Flávio no segundo turno, ficando o restante dividido pelos demais.

Então, colocar Flávio Bolsonaro no mesmo balaio dos corruptos do sistema petista viria a calhar. Tanto que no dia da denúncia, 13 de maio, o dólar despencou e os ânimos também.

A Polícia Federal entrou no meio, pelo empenhado cão de guarda do STF, Andrei Rodrigues, cujas ordens foram dadas para rastrear o caminho do dinheiro. E o foco um só: caçar ilegalidades, ampliar o fato para atingir familiares, caçar o mandato do senador, prendê-lo e derrotá-lo antes de chegar às urnas.

A PF investiga se os R$ 61 milhões repassados por empresas de Vorcaro (como a Entre Investimentos, do Grupo Entrepay) foram integralmente aplicados na produção do filme ou se serviram como justificativa para desvio de recursos.

Como por exemplo, se há empresas de fachada na estrutura financeira de Vorcaro, para ocultar a real destinação do dinheiro, configurando possível evasão de divisas ou lavagem de dinheiro. Além de investigar se parte do valor foi transferido para o sustento de Eduardo Bolsonaro, cujos recursos pessoais foram bloqueados por Alexandre de Moraes.

A PF planeja ainda intimar os intermediários da negociação, como o publicitário Thiago Miranda e os responsáveis legais pelas empresas receptoras nos Estados Unidos.

Todas as mensagens temporárias trocadas entre Flávio e Vorcaro, por WhatsApp estão sendo recuperadas e analisadas.

E os movimentos da defesa jurídica de Flávio Bolsonaro seguem duas linhas distintas: comprovar o destino do dinheiro e a legalidade das conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro.

É claro que o fato em si é uma imensa cortina de fumaça para encobrir o envolvimento de Viviane Barci de Moraes no escândalo Master, que recebeu R$ 129 milhões a título de serviços advocatícios prestados, e também os R$ 6 bilhões desviados do INSS em pleno governo Lula.

Integrantes do STF avaliam reservadamente se os valores pedidos por Flávio Bolsonaro para o filme não superam o total do contrato advocatício de Viviane Barci, retirando o foco exclusivo da corte e colocando o senador no mesmo patamar de ilegalidades. E como objetivo final matar a CPI que está nas mãos do ministro André Mendonça. É um jogo sórdido que ultrapassa todos os limites de decência.

E vai além. O objetivo também é ligar Flávio Bolsonaro a um “esquema” de tráfico de influência e assim minimizar o envolvimento de Lula no escândalo do INSS, em 2026, e em todos os outros que se repetiram ao longo de seus mandatos, onde a corrupção e o ataque aos cofres das estatais foram adotados como método de governabilidade. É o mesmo que dizer: “está vendo, ele não é diferente”.

Além disso, querem atribuir ao senador crime de função, provando que ele usou o peso do seu cargo para pressionar um banqueiro a lhe beneficiar com dezenas de milhões de reais, como se houvesse um esquema de chantagem.

Juridicamente, o crime de concussão ou tráfico de influência se consuma mesmo que o dinheiro seja privado, segundo a justiça. Isso somado ao fato de que o áudio vazado configura uma atuação ilícita em pleno mandato parlamentar e às vésperas de uma eleição presidencial. Mas sempre há defesa.

A questão central do áudio comprova que o senador não menciona o seu cargo de parlamentar, tratando do assunto estritamente no âmbito pessoal e familiar. Flávio inicia e termina a conversa chamando o banqueiro de “Daniel” e “irmão”. E adota apenas a posição de filho. Isso está claro na sua fala: “Eu fico sem graça de ficar te cobrando… mas é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso”.

E o argumento é o receio de a produção não honrar os pagamentos aos profissionais internacionais renomados, como o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, que geraria um efeito negativo para a imagem do projeto. No áudio não há pedidos de favores políticos, promessas de emendas, facilitação em órgãos reguladores ou menção à atividade legislativa. É uma iniciativa totalmente privada.

Enquanto isso, o inegável passivo judicial de Lula foi formalmente zerado pela Suprema corte, na canetada, para que ele voltasse ao poder levando-o ao terceiro mandato. Às vistas da “lei” foi absolvido e isento de crimes: o seu CPF está limpinho, zerado e sua generosidade para com os parças o absolve de tudo.

A percepção de qual escândalo é mais grave depende da régua a ser utilizada pelo eleitor. E a decisão será a de por na balança se o nefasto histórico de Lula, com envolvimento de filhos e irmãos em roubos de aposentados e outros escândalos, tem peso muito maior do que o flagrante de um parlamentar em exercício de mandato cobrando um banqueiro somas milionárias atrasadas de um contrato firmado, é pior.

Qual foi o erro de Flávio Bolsonaro? Toda campanha política deve ter um assessoramento que integre um comitê de crise, que se antecipe aos fatos, antes que aconteçam. A partir do momento em que o escândalo Master estourou, ele deveria ter acionado o comitê e seu corpo jurídico para se precaver à situação que se instalou.

Infelizmente, o fato está dado. Agora é escolher a melhor defesa para não perder o mandato e a campanha presidencial.

Ligia Maria Cruz

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Ligia Cruz

O abraço no inimigo

Ligia Cruz

O caso Ypê

Ligia Cruz

Governadores de fibra