Nada será como antes

Fonte: Google – Diário da Manhã

A todo momento mudam os protocolos do tratamento do Covid-19, não só no Brasil, mas no mundo. Isso porque ainda não há vacina e estudos concluídos. Apenas testes in vitro estão sendo realizados em diversos países, inclusive aqui. São cerca de 200 grupos de pesquisas e 18 protótipos próximos de serem testados no mundo todo.

A Inglaterra, segundo informações, estaria com as pesquisas mais avançadas e lideradas pela Universidade de Oxford. Na China, 9 mil profissionais de saúde estão inscritos para os primeiros testes com a vacina local. Austrália e Estados Unidos também estão com estudos avançados. É confortante saber que o mundo científico está debruçado sobre as bancadas, com a promessa de combater o mortal vírus.

Mas o que essa pandemia tem de diferente em relação às outras do passado da humanidade?

Também nunca houve tamanha repercussão até porque não se pretendia mostrar as fragilidades do sistema de saúde dos países envolvidos, como ocorreu com a peste de 1918.

O fato é que essa é a primeira globalizada, com informações atualizadas diariamente e divulgadas pelas mídias sociais. A popularidade do Covid-19 é tamanha que nada está sendo ocultado, todos os dias há novas informações.

Os estragos não estão restritos às áreas de saúde, mas do meio político também.

Alguns chefes de estado contraíram a doença, como Boris Johnson, premier da Inglaterra, que chegou a ser internado; os príncipes Charles, do Reino Unido, e Alberto II de Mônaco foram contaminados; Nuno Nabuan, primeiro-ministro da Guiné Bissau; Nikol Pachinian, premier da Armênia; Juan Orlando Hernández, chefe de estado de Honduras; Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, além de um sem número de ministros, chefes de estado e políticos de todo mundo.

No Brasil, o contexto não é diferente. Até o momento, o Covid-19 está próximo de atingir 2 milhões de infectados, cerca de 80 mil óbitos, mais de um milhão recuperados. Já provocou a queda de dois ministros da saúde e de times de pesquisas.

Vários governadores, senadores, parlamentares foram infectados. Tudo isso alimentado por discórdias no tratamento de pacientes contaminados. Um deles ficou tão popular em seu discurso, que pretende ser candidato a presidente nas eleições de 2022.

Nunca uma droga ficou tão famosa como a cloroquina e, mais recentemente, a Ivermectina. Há grupos de defensores dessas drogas nas mídias sociais. Diante das incertezas e falta de uma vacina efetiva, o caos tomou conta do país. O medo é tanto que as pessoas têm optado por fazer uso deles por conta própria. Sumiram das prateleiras das farmácias. A Ivermectina, que era vendida por pouco mais de 7 reais a dose de dois comprimidos, agora é anunciada por quase trinta reais.

Em muitos casos os pacientes têm pedido aos médicos para serem tratados com essa ou aquela medicação. De longe, o Covid-19 tornou-se o assunto mais comentado no Brasil e no mundo. Aqui ainda há o viés político. Quem é conservador, de direita e defensor do presidente, toma cloroquina, quem é de esquerda e assemelhados não quer nem ouvir falar. A todo instante muda o protocolo de tratamento à medida que se avança nas pesquisas e a doença vai sendo compreendida.

O presidente Jair Bolsonaro, com a teimosia que lhe é peculiar, vinha desafiando o vírus como se fosse blindado, expondo-se em demasia, sem os devidos cuidados para evitar o contágio. Continuou apertando mãos, avesso à incomoda máscara, e acabou contaminado pela gripezinha. E óbvio está sendo tratado com a cloroquina. Parece piada, mas não é.

Imaginem se chegar ao Brasil um outro vírus que já está circulando na China, Mongólia e Cazaquistão. Também causa pneumonia só que é mais agressivo e a taxa de mortalidade potencial é maior. Até o momento já fez 700 vítimas. Ainda não se sabe quase nada dele. Se isso não bastasse, um pastor mongol foi acometido pela peste bubônica, aquela que dizimou 70 milhões de europeus, na Idade Média. Ele teria ingerido carne de marmota e contraído a yrsenia pestes.

Parece pesadelo. Enquanto a pandemia do coronavírus avança, a humanidade está aprendendo que deve saber como interagir com o meio natural. Nada será como antes.

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