Carimbo na testa


Há carimbadores malucos na praça! Cédulas de reais estão sendo carimbadas com a imagem de ninguém menos que Lula, personagem controverso da história recente do Brasil, condenado e preso a doze anos de prisão por crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.
A iniciativa, mostrada em vídeo pelos carimbadores, óbvio que é uma provocação, aos contra o mártir santificado pela rubra militância e incendiou as redes sociais. Isso levou a consultas a juristas, Código do Processo Penal, sites jurídicos das mais variadas vertentes sobre se o ato é crime ou não.
Contendas infindáveis do bloco do não defendem que é um ato legítimo de defesa ao ex-presidente encarcerado por perseguição do malévolo juiz Sérgio Moro. Afinal, nada corre mais de mão em mão, quando não fica represado em malas, cuecas, calcinhas e cofres.
No imaginário tenebroso petista, Moro é quase o Drácula romeno, capaz de sobrevoos na alta madrugada para escolher suas vítimas seletivamente, quando na lua se esconde. Ele acorda pela manhã revigorado e corado, para decretar prisões de petistas e coligados. Haja dentes!
No alto clero petista, a produção de mártires segue afoita. Se a moda pega, logo nossas cédulas estarão alcunhadas por carimbos de uma infinidade de injustiçados bolivarianos em geral. Um monte de velhacos de fazer dó. O tamanduá, a tartaruga, o mico-leão, a onça e outros da fauna estampados nas notas vão pedir asilo no zoológico, para ficarem bem longe dessa turba. Ah! O mico não está mais em extinção!
A reação foi imediata, porque brasileiro que é brasileiro não perde a piada. Vídeos mostram o a imagem de Lula nas notas sendo carimbadas por cima com o desenho de xadrez ou jogo da velha. Se não bastassem, rolos de papel higiênico com estampas do ex-presidente, uma grife de mau gosto para uma função escatológica. Essa imagem circula pelo WhatsApp, Twitter e outras redes com a velocidade da luz. Vingança é assim. E em se tratando de dinheiro sempre tem o troco.
Do outro lado, juristas explicam que a prática de rasgar, riscar, rasurar, destruir parcialmente cédulas ou não e moedas metálicas é crime e está previsto no Código Civil Brasileiro, que regulamenta o tema moeda nos artigos 21, inciso VII, 22, inciso VI e 164 e também nas leis federais 4.595/64, 4.511/64 e 5.895/73. E por aí vai. Entretanto, a cédula carimbada tem validade até chegar à rede bancaria para ser recolhida pelo Banco Central para destruição. Mesmo assim, há quem recuse o recebimento, como forma de protesto.
A brincadeirinha petista não é só uma provocação inofensiva, vai custar muito caro. Uma cédula de 20 reais custa R$ 0,20 para o Banco Central, ou 1% de seu valor de face. A de 50 reais, R$ 0,24 para ser produzida, 0,48% do valor de face. A nota de 100 reais é, proporcionalmente, a de confecção mais barata, R$ 0,25 ou 0,25% do valor de face.
No ano passado o Banco Central celebrou dois contratos, sem licitação, com a Casa da Moeda para produzir mais de meio bilhão de reais. O primeiro contrato foi de R$ 279,1 milhões e o segundo de R$ 272,5 milhões. Em números foi um bilhão de cédulas e mais de 600 milhões em moedas. O valor total foi quase 41% maior do que se o montante fosse produzido na Suécia. Uma decisão questionável em tempos bicudos para justificar uma enormidade de funcionários públicos que lá trabalham. Isso sim é rasgar dinheiro.
Então, para quem não acha que é crime carimbar e rasurar cédulas, pelo menos vale refletir sobre os custos da emissão para os cofres públicos. Essa irresponsabilidade não pode sobrepujar o direito e o princípio. A ideia pode ser aproveitada para quem queira se tatuar com a imagem do herói presidiário, tal como alguns ultra esquerdistas já o fizeram com o Tchê. Pode ser até na testa, fica fashion. O custo é o da resistência da própria pele e o de ter a imagem eternizada até o fim da vida para toda a geração ver.

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