21 de junho de 2024
Colunistas Ligia Cruz

A turma da carniça

Quando vemos urubus planando no céu, das duas uma: ou vai chover, ou tem carniça em solo.

Imagem: Google Imagens – YouTube

É impressionante a quantidade de carniceiros de plantão neste país, olhando de cima e torcendo para que vítimas sucumbam.

As agências de notícias criadas para estabelecer uma linguagem unificada, de acordo com as regras da esquerda globalista filtram as informações para dar um toque sempre ruim sobre o atual cenário do Brasil.

Toda informação, mesmo as positivas, são trabalhadas para que haja uma ponderação negativa de maior peso.

Exemplo disso foi a queda do nível do desemprego no primeiro trimestre deste ano, em relação a igual período de 2021. Notícia para se comemorar. Porém, em contraponto leu-se: “Mas, ainda há milhões de desempregados e miseráveis passando fome, devido à péssima política econômica deste governo”.

Entre as aspas veem-se os mesmos padrões em todas as notícias nos jornalões, com mudanças apenas nos sinônimos. Bem ao estilo copy & paste.

O saldo das contas públicas no último mês de abril foi positivo em R$39 bilhões, o maior resultado desde 2001, durante a gestão do PSDB. Ou seja, o desempenho do que mais impacta a vida dos brasileiros para os copiadores não representa um resultado tão bom assim. Essa informação não saiu na mídia como deveria, afinal passaram-se só 21 anos.

A conjunção adversativa “mas” vem sempre enviesada e ligada a algo ruim, com um toque de inveja de quem xinga por despeito.

Em maio passado, a maior feira de agronegócios da América Latina, a Agrishow de Ribeirão Preto, revelou uma realidade bem diferente das notícias negativas e mal escritas na mídia nacional.

A pujança do setor foi mostrada pelas lentes dos fabricantes pesos-pesados de caminhões, máquinas agrícolas, implementos, soluções de armazenamento, ferramentas tecnológicas para o campo rendeu negócios da ordem de R$ 11,2 bilhões, em cinco dias. O setor âncora da economia do país teve a presença maciça de 193 mil visitantes, entre expositores, investidores estrangeiros e trabalhadores do setor.

Os releases foram filtrados de modo a minimizar os resultados e a magnitude do evento, que foi reduzido a uma mostra regional. Os destaques foram os políticos que resolveram dar as caras por lá, com exceção do presidente que foi prestigiar os resultados exitosos de seu governo. E só.

Uma pobreza extrema de conteúdo das “big news”, que estão atoladas até o pescoço com os compromissos ideológicos e não com seus leitores.

O “mas” veio também na forma de uma notícia ruim, repercutida junto a “especialistas” de plantão sobre o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) do país, pós pandemia. O crescimento de nossa economia atingiu 1% e saltou do 21° lugar no ranking de 34 países para o 9°, quando a maioria ficou próxima à média de 0,3%. “Mas a inflação gera dúvidas sobre o segundo semestre”, diz um urubu midiático. A tendência não é essa dizem: a guerra na Ucrânia vai impactar a todos. A própria China manteve-se no 5° lugar.

Depende de quem avalia e porquê. A expectativa é a de que a economia brasileira crescerá 1,7% em 2023, contra os 0,5% previstos pelos gurus dos jornais.
O bom jornalismo tem como regra ouvir as fontes e citá-las, mas hoje, com a pasteurização das informações, tanto faz ouvir fontes expressivas no mercado. Ou então destacam-se os palpites daqueles nerds de mercado financeiro que ninguém conhece.

Outra boa notícia não repercutida foi a de que neste mês de junho teremos bandeira verde na energia, na região Sudeste. O que representa milhões de economia para todos. As chuvas estão mais regulares e as represas estão voltando aos níveis ideais, um alento para a produção no campo e custo mais baixo para a indústria e a população. Mas aí foi São Pedro. Alguém deu a notícia? Teve uma pior.

O presidente da Bolívia, Luis Arce, cancelou o acordo de fornecimento de gás para o Brasil e o destinou à Argentina. Não pela Argentina, mas interromper um acordo com o país que investiu na infraestrutura de dutos entre os dois países é mais do que marra bolivariana, uma burrice para não dizer outra coisa.

A economia da Bolívia não está equilibrada para descartar um cliente de peso como o Brasil, cujo mercado está em expansão e não corroído por uma gestão equivocada como a da Argentina. É uma torpeza definir mercados com base em afinidade ideológica. Uma maldadezinha do vizinho para fustigar o presidente brasileiro. “Nada teria acontecido, se não fosse ele”. Essa foi a notícia, não a da bandeira verde.

A turminha do urubu adorou quando o Brasil não foi convidado a participar da Cúpula das Américas, que ocorrerá nos próximos dias, por Joe Biden, junto com o México e países da América Latina.

Só que, alguém soprou no ouvido Biden que seria um erro estratégico e ele voltou atrás. Romper relações com um dos Brics e fornecedor de commodities agrícola, não seria uma decisão inteligente. A mídia não curtiu essa volta atrás e não teve como omitir que os presidentes de Brasil e EUA terão um encontro reservado para tratar de negócios.

E por aí vai o pacote de adversativas da mídia para torcer o pepino, com o apoio de signatários do STF, que se articulam em série para manchar o governo brasileiro no exterior. Uma agenda vil daqueles que deveriam servir a pátria e não seu próprios guetos.

Ligia Maria Cruz

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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