7 de julho de 2022
Colunistas Sylvia Belinky

Amenidades

Frenchie puppy sleeping on man’s laps (getty images)

Ao longo da semana, li a respeito de alguns posicionamentos interessantes que me fizeram pensar. Um deles foi a menção de que não fomos criados para aceitar o ócio como parte de uma vida saudável, mas, sim, algo pelo qual devemos sentir culpa, sentir que somos folgados ou vagabundos.

Sempre tive um enorme prazer em meus momentos de “dolce far niente”, e não fui eu quem cunhou esta frase. Se tivesse sido, eu a teria feito necessariamente em Português…

O prazer de levantar e não ter obrigações a cumprir, à exceção de gestos mecânicos, de escovar os dentes, lavar o rosto, tomar banho (que também é um prazer), escolher uma roupa confortável, tomar o café da manhã e decidir se vai ler o jornal, um livro, cuidar dos pets (necessariamente), das plantas, coisas que trazem um bem-estar e uma paz de espírito difíceis de descrever, caso você nunca tenha sentido.

É inenarrável não me sentir culpada pela desigualdade do mundo – juro que fiz tudo que estava ao meu alcance fazer para amenizar parte disso – ou pelos desmandos da corrupção.

Errei bastante – sem querer e querendo também, afinal não sou santa – mas, procurei ser justa dentro de meus limites e fazer dos limões, que a vida me apresentou, uma limonada nem sempre adoçada na medida certa e, por vezes, purgativa…

Li também que ficou cientificamente provado que se pode curar uma “dor de cotovelo” em seis meses. Uma paixão também; e, fiquei em paz comigo mesma já que esta também é ou foi minha experiência pessoal, e nem precisei dessa pesquisa para chegar a esta conclusão.

Para finalizar, li uma crônica que falava do chamado “burn out”, síndrome do cansaço por esforço exagerado, da qual a geração dos millenials vem sofrendo atualmente, sendo que esta nomenclatura abarca apenas os nascidos dos anos 80 em diante.

Imagino que todos os outros como eu, por exemplo, levamos a sério também os momentos de ócio e talvez, por isso mesmo, não fomos afetados por ela…

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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