11 de agosto de 2022
Veículos

Quando viajar no porta-malas da Variant era curtição de criança

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Quem era criança na primeira metade dos anos 1970 provavelmente conhece bem esse carro. Objeto de desejo da classe média – junto com o Corcel Belina e, mais tarde, com o Opala Caravan –, a VW Variant tinha os predicados do Fusca (mecânica confiável e de fácil manutenção, resistência à buraqueira nacional, bom valor de revenda…) e, também, espaço suficiente para levar a tranqueira de uma família em viagens. E, quando o trajeto era mais longo e adentrava a noite, quando a meninada cansava de perguntar “papai, já tá chegando?”, os ainda podia se deitar sobre a (quentinha) tampa do motor para dormir – ou só para mudar a farra de lugar.

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Se era perigoso viajar ali? Bom, naquela época, os conceitos de segurança ainda eram quase rudimentares em relação ao que são hoje e mesmo o uso do cinto de segurança – embora esse já fosse um acessório obrigatório nos carros vendidos no país – era pouquíssimo difundido no Brasil. Assim, poucos pais pensavam nisso quando permitiam ou mesmo estimulavam as crianças a se alojarem, livres, leves e soltas, naquele espaço onde, quase que invariavelmente, acabavam adormecendo embalados pelo barulhinho da ventoinha e pela a dança suave de uma suspensão traseira complacente. Como vantagem competitiva, a caminhonete germanobrasileira oferecia lugar para bagagens também em um porta-malas dianteiro – o que liberava um pouco a tal tampa traseira para que prestasse serviços ocasionais como dormitório.

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Esta Variant na cor Ocre Marajó aí abaixo foi fotografada pelo Filipe Porto, em Guapimirim para a página dos Carros do Rio que mantemos no Facebook – https://www.facebook.com/carrosdorio/

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A Variant dessa primeira geraçao, com alterações estéticas na dianteira e nas lanternas traseiras, ficou no mercado entre 1969 e 1977 (ano do anúncio acima). Em 1978, ainda com o mesmo motor de 1.600 cilindradas refrigerado a ar, a VW lançaria a Variant II (abaixo), que, além das mudanças estéticas e de tamanho (maior), traria várias inovações tecnológicas – como por exemplo a suspensão dianteira do tipo McPherson, com molas helicoidais, igual a do Passat. A defasagem mecânica, no entanto, deixava o carro lento e beberrão e, apesar de seu ótimo espaço, conforto e dirigibilidade (era infinitamente melhor em estabilidade que sua antecessora), impediram que essa segunda geração atingisse o sucesso da primeira. A última Variant II foi fabricada em 1981. No ano seguinte, a marca colocaria nas lojas a Parati, versão familiar da família do Gol, com motor e tração dianteiros. Era o fim da caminha quentinha para crianças no porta-malas.

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FONTE: BLOG REBIMBOCA ONLINE

Jornalista, blogueiro e motorista amador.

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