
Passei dez dias com este Leapmotor C10 verdinho que você vê nas imagens deste post. A versão é a REEV, de Range Extended Electric Vehicle — veículo elétrico com alcance estendido —, ou Ultra-Híbrido, como apresenta o fabricante. Isso quer dizer que esse SUV médio-grande é movido apenas por um motor elétrico, mas conta também com um motor a combustão, que funciona como gerador de energia. A Leapmotor é uma marca associada ao grupo Stellantis, que já anunciou que vai montar o C10 e outros modelos em sua fábrica de Goiana, em Pernambuco. Por enquanto, esse carrão chega aqui importado da China, por R$ 220 mil. Se vale a pena? Espero que esta avaliação o ajude a tirar as suas conclusões.
Como mencionei ali em cima, o C10 REEV é movido por um motor elétrico. Mas ele conta também com um motor a combustão (abaixo), que serve apenas como gerador de energia. Ele é aspirado, tem quatro cilindros, é abastecido somente com gasolina e fica na dianteira.

Abrindo o capô e olhando rapidamente, qualquer um vai achar que ele é igual aos que se vê nos carros, digamos, tradicionais. Só que, se reparar com mais atenção, notará que este não está ligado a uma caixa de marchas; serve mesmo como gerador para recarregar a bateria, aumentando consideravelmente a autonomia do carro.
O motor elétrico que faz o carro efetivamente andar fica na traseira, debaixo do porta-malas. Ele é do tipo síncrono e fornece 215 cv de potência e 32,6 kgfm de torque. Força suficiente para levar as quase duas toneladas do SUV com tranquilidade. Aliás, tranquilidade talvez seja a melhor palavra para definir o C10. Ele é muito silencioso, superespaçoso, muito bem acabado e bem equipado, cheio de recursos e bom de guiar, especialmente em “modo zen”.

Rodando apenas com a energia acumulada na bateria, é possível percorrer até 111 km, segundo o fabricante (são até 950 km no total, promete a montadora). A recarga de 30% a 80% dessa bateria pode ser feita em 18 minutos, em um carregador do tipo DC.

Guiando o Leapmotor C10 REEV no trânsito urbano
Na cidade, ajudado por um belo time de recursos de segurança — que inclui, entre outros, avisos de ponto cego, piloto automático adaptativo (inclusive para engarrafamentos), alerta de proximidade de outros veículos e de pedestres e frenagem autônoma de emergência, além de câmeras com imagens que mostram todo o entorno do carro e coisas do gênero (veja a relação completa dos itens de série na parte final do post) —, o C10 roda macio e silencioso no fluxo do trânsito e faz com que os engarrafamentos se pareçam, no máximo, com um filme aborrecido que você está assistindo do sofá da sala de casa.

Por outro lado, a tranquilidade é interrompida, aqui e ali, com a intromissão um pouco exagerada dos mesmos sensores e avisos luminosos e sonoros. Até dá para desativar parte deles usando a interface em uma das telas da multimídia. Mas você vai ter de fazer isso todas as vezes em que desligar e religar o carro, pois tudo vai estar funcionando por padrão.

Mesmo sendo um carro grande, com mais de 4,70 metros de comprimento e 2,12 m de largura (veja a ficha técnica completa no final do post), esses recursos tornam bem fácil fazer as manobras para estacionar. Até estranhei que, com esse alto padrão todo, não tenha encontrado um sistema do tipo park assist, que assuma o volante e faça o papel de um cuidadoso manobrista para colocar o C10 na vaga.

Como é o Leapmotor C10 REEV na estrada
Na estrada, a tal tranquilidade continua a dar o tom. Como costuma ser padrão nos elétricos, o C10 é bom de arrancada — de 0 a 100 km/h em 8,2 segundos — e retomadas, algo fundamental em ultrapassagens, por exemplo.
É fácil manter velocidades de cruzeiro acima dos 100 km/h (a máxima é de 170 km/h, limitados eletronicamente), com o carro rodando suavemente sobre o asfalto e passando uma sensação de controle total ao motorista. Isso porque, a despeito do conforto, a suspensão tem uma calibragem mais firme que a da maioria dos SUVs conterrâneos (da China) e contemporâneos desse Leapmotor. Para o tamanho e altura que tem, ele é bom de curva, desde que dentro de um limite razoável, claro.

O espaço para os passageiros no banco de trás é digno de uma limusine, graças aos 2,82 m de entre-eixos e, no porta-malas, embora não haja tanto espaço quanto em modelos desse tipo a combustão, há bons 435 litros para a bagagem, com fácil acesso. Esse espaço comparativamente menor que o dos concorrentes desse tamanho, mas com motor a explosão, deve-se ao assoalho um pouco mais alto por conta do motor elétrico, que mora ali embaixo.

Interior do carro impressiona; usabilidade, nem tanto
O acabamento interno do C10 impressiona pela qualidade. É até difícil encontrar alguma parte do painel, do forro das portas, do console ou do tablier que não seja revestida, emborrachada ou texturizada com materiais macios, acolchoados e sempre agradáveis ao toque. O desenho de tudo é de bom gosto, sem papagaiadas desnecessárias. E há um friso luminoso em LED personalizável (você escolhe a cor), já comum em muitos outros modelos, que é ao mesmo tempo estiloso e útil, pois ilumina sutilmente o espaço.

Para abrir o carro, você pode usar um cartão magnético, que deve ser encostado sobre a capa do retrovisor esquerdo. O mesmo dispositivo deve ser colocado em um sensor no console para que o C10 funcione. Esse cartão é semelhante aos de banco e de crédito e, no meu caso, quase idêntico ao que uso para passar na roleta do edifício em que trabalho. Distraído que sou, claro que troquei os cartões, tentei entrar no prédio com a “chave do carro” e por pouco não pago o pedágio com o cartão verdinho do carro. Mas também dá para fazer abrir o SUV – e mais um monte de funções – por meio de um aplicativo que você instala no celular. E que torna possível, por exemplo, ligar o ar-condicionado antecipadamente, abrir a tampa do porta-malas, conferir a autonomia do carro etc.

E, pela tela da multimídia, há como selecionar e ajustar uma quantidade enorme de recursos e rotinas. Tanta coisa que, confessando minha semi-aposentadoria em nerdice (a tara por tecnologia), não explorei tanto quanto talvez devesse.
Uma das únicas coisas de que não gostei muito no C10 foi ele não contar com botões nem teclas para acionar praticamente nada. Tirando o ajuste dos espelhos e do som, que você faz pelo volante multifuncional, todo o resto só é acessível pelo toque dos dedos na tela da multimídia.

Até há ali, logo na tela de abertura, alguns atalhos para funções mais usadas (acima). E, na parte de baixo da imagem, uma pequena barra com os ícones de alguns itens básicos, como a climatização da cabine, os ajustes dos bancos dianteiros — incluindo ventilação e aquecimento — e um atalho geral para as configurações.
Mesmo o botão para ligar o importante pisca-alerta (que só deve ser acionado com o carro parado, gosto sempre de lembrar) fica em um local pouco óbvio, junto dos botões para abertura e fechamento do ótimo teto panorâmico (cujo vidro não abre, apenas a cortina interna). Ali, aliás, há um terceiro botão configurável — e que, no carro que testei, estava escalado para rebater ou abrir os retrovisores externos, e assim deixei.

Outro detalhe pouco prático é a localização das tomadas USB — grande e do tipo C — para conexão e/ou recarga de smartphones. Elas ficam localizadas numa espécie de “andar de baixo” do console central (acima), em um lugar em que você (ou pelo menos eu) só vai conseguir mexer com a porta aberta e se espichando sobre o banco. Um pouco mais difícil ainda do que em alguns modelos da Honda, marca que também utiliza essa bizarra disposição.

Além disso, o Leapmotor C10 não oferece espelhamento para os sistemas Apple e Android. Para compensar, a própria central multimídia traz uma série de aplicativos — como Spotify, GPS etc. — pré-instalados. O sistema de som, aliás, não é de nenhuma marca premium, mas oferece boa qualidade de áudio. E há conexão direta com a internet e sistema de wi-fi.
De resto, porém, todos os comandos e dezenas de possibilidades de configuração ficam distribuídos em várias páginas diferentes visualizadas na tela, que nem sempre são fáceis de achar, principalmente enquanto você está dirigindo. Não é muito intuitivo e, pelo menos para mim, dez dias de convivência não foram suficientes para ganhar intimidade com boa parte do que queria usar.

Autonomia e modos de condução do C10 REEV
Uma das coisas que você provavelmente vai querer controlar é a autonomia disponível. Ela, ufa, aparece no painel de instrumentos, mas, para selecionar um dos modos de condução, só na telinha. Esses modos vão do puramente elétrico ao combinado, com o gerador entrando automaticamente nos momentos de maior demanda para aumentar a energia disponível. E incluem a opção de manter o motor a gasolina ligado para recarregar mais a bateria.

Segundo a Leapmotor, dá para rodar até uns 110 km apenas no modo elétrico. E dá para recarregar a bateria com um cabo externo, no sistema plug-in, como nos outros carros elétricos. Mas, com o fornecimento de eletricidade do motor 1.5 a explosão, essa autonomia total pode passar dos 900 km. Não cheguei a tanto.
Recebi o carro com a bateria com quase 100% da carga e o tanque de 50 litros cheio de gasolina. Rodei pouco menos de 360 km, entre estrada e cidade, incluindo engarrafamentos, subidas puxadas e trechos com quebra-molas e velocidade baixa. E, quando devolvi o C10, ele ainda informava ter mais de 300 km de autonomia. Eu viajei com ele, rodei mais de 350 km e, quando o devolvi, ainda havia mais de 300 km de autonomia combinada entre bateria e combustível para o gerador.

E então, o Leapmotor C10 REEV vale a pena?
Não custa repetir que a Leapmotor é associada ao grupo Stellantis — detentor de marcas tradicionais em nosso país, como Fiat, Jeep, Ram, Peugeot e Citroën —, assim como de uma estrutura de fábricas, fornecedores e concessionários consolidada há décadas em nosso país.
O C10 na versão REEV sai hoje por R$ 220 mil — há também uma versão apenas elétrica do carro, com os mesmíssimos recursos e acabamentos, que custa R$ 205 mil. Até não muito tempo — um ano e meio, pouco mais —, bastariam esses preços para dar a esse Leapmotor um argumento de venda quase irresistível. Hoje, há concorrentes mais ou menos em padrão, recursos e preços próximos, como GAC Aion V/i60 (R$ 220 mil) e MG S5 (R$ 220 mil). E até um indigesto rival de R$ 180 mil, o Jaecoo 7. Entre os chamados ultra-híbridos, porém, o concorrente direto é um pouco mais caro: o Geely EX5 Pro (R$ 235 mil).
Em comum com o Leapmotor, o Geely tem o fato de estar associado aqui no Brasil a uma marca já tradicional em nossas terras, a Renault, com a qual compartilha o sistema de concessionárias e, em breve, até a linha de montagem, no Paraná.

Respondendo (finalmente) à pergunta: sim, o Leapmotor C10 REEV vale a pena, especialmente para aquelas pessoas (como eu) que gostam de viajar e ainda têm um certo temor em relação à autonomia dos elétricos. Com seu sistema ultra-híbrido, esse SUV resolve bem essa questão, já que basta abastecê-lo com a boa e velha (e poluente) gasolina para ter mais uns 500 km (no mínimo) de autonomia.
Além disso, o C10 é um carro bem bonito e muito bem resolvido em termos de dinâmica, sendo equilibrado, espaçoso, confortável, impecável no acabamento e capaz de proporcionar uma dose bem razoável de prazer ao dirigir (em modo zen, que fique claro). Sobre a boa condução, aliás, meu amigo e colega Paulo Vaz, do Inside Cars, disse que, ao guiá-lo, lembrou-se das boas (e hoje raras) station wagons, as peruas de porte semelhante, no melhor dos sentidos, pois ele se comporta mais como uma delas que como um SUV. Concordo plenamente com ele.
Leapmotor C10 Ultra-Híbrido (REEV) – Ficha técnica (dados do fabricante)
Motor elétrico de tração
Posição: Traseiro, transversal
Tipo: síncrono com ímã permanente
Potência: 215 cv
Torque: 320 Nm (32,6 kgfm)
Motor a combustão (somente gerador)
Posição: Dianteiro, transversal
Número de cilindros: 4 em linha
Diâmetro x curso: 73,5 x 88,3 mm
Cilindrada total: 1.499 cm³
Taxa de compressão: 15,3:1Nº de válvulas por cilindro: 4
Comando de válvulas: duplo, no cabeçote
Combustível: gasolina
Tanque: 50 litros
Ciclo: Atkinson
Bateria Tipo: Fosfato de Ferro-Lítio (LFP)
Posição: sob o assoalho, entre os eixos
Arrefecimento: líquido
Tensão: 400VCapacidade: 28,4 kWh
Recarga
Conector: Type 2 e CCS2Velocidade: 6,6 kW (AC) / 65 kW (DC)Tempo de recarga AC (6,6 kW): 3h (30% a 80%)Tempo de recarga DC (65 kW): 18 minutos (30% a 80%)
Transmissão
Ligação direta do motor ao diferencial
Relação: 11,36Sistema de freios
Dianteiro: A disco ventilado (diâmetro de 319 mm x 26 mm) com sistema de frenagem regenerativo integrado
Traseiro: A disco ventilado (diâmetro de 324 x 16 mm) com sistema de frenagem regenerativo integrado Suspensão dianteira
Tipo: Independente, McPherson com barra estabilizadora
Amortecedores: Hidráulicos e pressurizados
Elemento elástico: Molas helicoidais
Suspensão traseira
Tipo: Independente, Multibraço com barra estabilizadora
Amortecedores: Hidráulicos e pressurizados
Elemento elástico: Molas helicoidais
Direção Assistência: Elétrica
Diâmetro mínimo de curva: 11,2 m
Rodas
Medidas: 20”, de liga-leve
Pneus: 245/45 R20
Peso do veículo
Em ordem de marcha: 1.976 kg
Capacidade de carga: 434 kg
Dimensões externas/capacidades
Comprimento: 4.739 mm
Largura da carroceria: 2.128 mm (c/espelhos) / 1.900 mm (s/espelhos)
Altura do veículo: 1.680 mm
Distância entre eixos: 2.825 mm
Altura mínima do solo: 180 mm
Ângulo de entrada: 17º
Ângulo de saída: 23º
Volume do porta-malas: 435 litros
Performance0 a 100 km/h: 8,2 s
Velocidade máxima: 170 km/h (limitada eletronicamente)
Autonomia no modo exclusivamente elétrico: 111 km (ciclo PBEV/Inmetro)
Autonomia total: 950 km (ciclo WLTP)
Itens de Série
Alerta de colisão frontal (FCW)
Alerta de Trafego Cruzado Traseiro com frenagem autônoma (RCTA/RCTB)
Alertas de fadiga e distração do motorista com câmera (DDAW/ADDW)
Antena tipo Shark Fin
Apoio de braço central para os bancos traseiros
Appstore Leapmotor com aplicativos de musica, navegação online e entretenimento integrados
Ar-condicionado automático Dual zone
Assistência de descida em declive (HDC)
Assistência de partida em aclive (HHC)
Assistência de permanência de emergência na faixa (ELKA)
Assistência em Engarrafamento (TJA)
Assistência inteligente de velocidade (ISA)
Assistente Leapmotor (Comandos de voz com reconhecimento duplo)
Aviso de abertura de porta (DOW)
Aviso de colisão traseira (RCW)
Aviso de saída de faixa e assistente de permanência de faixa (LDW/LKA)
Banco do motorista com funções memória e “Welcome/Goodbye”
Bancos com revestimento premium e certificação OEKO-TEX STANDARD 100
Bancos frontais aquecidos e ventilados
Bancos frontais eletricamente ajustáveis
Bancos traseiros rebatíveis (60/40) com ajuste reclinável de encosto
Câmera 360 com função carro invisível
Carregador de celular por indução
Carregador portátil T2M2
Central Multimídia Leap One de 14,6″
Chave digital – Smartphone as a key
Chave tipo cartão NFC
Conexão 4G com atualizações remotas (OTA)
Controle de centralização de faixa (LCC)
Controle eletrônico de estabilidade (ESC)
Controle eletrônico de tração (TCS)
Desbloqueio automático das portas com sensor de colisão
Detecção de ponto cego (BSD)
Farois Full-LED automáticos com função “Follow me home”
Farol alto automático
Freio de estacionamento eletrônico (EPB) e Auto-Hold
Freios a Disco dianteiros e traseiros
Freios ABS
Frenagem automática de emergência (AEB)
Função “Vehicle to load” (V2L) – 220V / 3.300W
Iluminação ambiente Smart Light
Kit de reparo dos pneus
Lanternas Full-LED com barra de luz integrada com animação
Leap+ Connect (Aplicativo de Serviços Conectados)
Luzes de neblina frontais e traseiras
Modos de condução – Conforto, Esportivo e Personalizado
Modos de energia – EV+, EV, Combustível e POWER+
Monitoramento de pressão dos pneus direto (TPMS)
Motor gerador 1.5L a gasolina com injeção indireta
Painel de instrumentos digital 10,25″
Piloto automático inteligente (ICC)
Porta-malas elétrico
Porta-revistas no encosto dos bancos frontais
Quebra-sol com espelhos iluminados
Rack de teto
Retrovisores eletricamente ajustáveis, com memória, aquecimento, auto rebatimento e “tilt down”
Saída de ar-condicionado para os bancos traseiros
Sensor de chuva
Sensor de estacionamento traseiro
Sistema ISOFIX com Top Tether
Teto panorâmico Sky View com 2,1m2
Theater Sound System 7.1 com 12 alto-falantes
Tomada 12V
Volante com ajustes de altura e profundidade
Volante com revestimento premium
Volante multifuncional com aquecimento
18min para recarga DC (30 – 80 porcento)
4 portas USB (2 USB-C + 2 USB-A)
6hrs para recarga AC (5 – 100 porcento)
7 Airbags (2 frontais, 2 laterais, 2 de cortina e 1 central)
Fotos HK
Fonte: Rebimboca Comunicação

