1 de maio de 2026
Veículos

O Nissan Kait vale a pena?

No finalzinho de março, participei de um evento de apresentação do novo Nissan Kait, aqui no Rio, e já saí de lá com um exemplar para um test-drive de uma semana. O Kait está no ultracompetitivo segmento dos SUVs compactos. Ele foi lançado no final do ano passado e, mas só começou mesmo a chegar às concessionárias no final de fevereiro. Em minha avaliação, usei a versão Exclusive, que custa cerca de R$ 153 mil – isso se for na cor preta, porque qualquer outra cor, como o belo Branco Diamond das fotos, custa mais dois mil.

Nissan Kait e o efeito “acho que já vi esse carro antes”

A primeira pergunta que boa parte dos que são um pouco mais ligados em automóveis e acompanham a indústria automobilística no Brasil faz ao se deparar com o Nissan Kait é: ele é realmente um novo modelo? Isso porque, na prática, o Kait é uma atualização do Kicks de primeira geração, que foi produzido até o ano passado como o nome de Kicks Play (confira aqui nosso post sobre o carro).

Basta olhar o novo carro de lado para perceber que ele mantém praticamente toda a carroceria do antepassado, e examinando um pouco mais, fica claro que muito do interior e a base mecânica do novato também vieram do Kicks “MK1”. Isso é inegável, e vale dizer que a Nissan, de forma bem honesta, não tenta esconder ou disfarçar nada disso.

Na própria apresentação aos jornalistas cariocas que mencionei lá no começo do texto, o Diretor de Comunicação Corporativa da marca, Rogério Louro (na foto), explicou em detalhes as modificações feitas e a estratégia envolvida nesse, digamos, relançamento. Daí a pergunta do título deste post: a despeito de ser pouco mais que um facelift (que é como chamamos essas plásticas rejuvenescedoras nos carros) de um carro com uma década de mercado, será que o Nissan Kait vale a pena?Visual do Kait é a grande novidade, mas é só isso?

A despeito da idade – afinal, foi lançado no já distante 2016 –, o Kicks I não tinha propriamente um visual ultrapassado. Méritos do projeto original ter sido… original, mesmo, com forte personalidade própria, mantida nos retoques, feitos principalmente em sua dianteira, ao longo do tempo. Uma prova disso é que, em seus últimos anos de produção, o modelo atingiu ótimos números de vendas, sendo inclusive o carro mais faturado no nosso Estado do Rio de Janeiro em 2024 – o que lhe rendeu um Prêmio Roda Rio.

Outra modificação bem chamativa é o novo desenho da tampa traseira, que ficou mais bojuda e ganhou o nome do modelo em letras nada discretas. Nas laterais, porém o visual do projeto inicial se manteve. As únicas diferenças mais marcantes estão no desenho das novas rodas de liga leve e em um simpático grafismo “tribal” (acima) aplicado na coluna traseira, e que dá um ar jovial e descolado ao SUV.

Por dentro, a novidade mais visível é o painel de instrumentos digital personalizável de 7 polegadas. e personalizável. Na versão Exclusive que testei, o revestimento dos bancos têm acabamento em dois tons e costuras que contrastam. Os bancos, aliás, já eram um ponto alto no antigo Kicks e seguem sendo dos mais confortáveis do mercado. Mas o mais interessante do Kait você praticamente não vê, os recursos de segurança. São, orgulha-se a Nissan, “17 equipamentos e sistemas que monitoram, respondem e atuam para deixar a condução mais segura e, os ocupantes, tranquilos”. Segundo a marca, esses recursos formam as “linhas de defesa” do “escudo de segurança” feito para proteger o carrinho.

Interior do Nissan Kait 2026 – divulgação

A lista de desses equipamentos inclui itens como os alertas de Tráfego Cruzado Traseiro (RCTA), de Ponto Cego (BSW), de Colisão Frontal (FCW) e Inteligente de Prevenção de Mudança de Faixa (LDW). E também assistentes de Prevenção de Mudança de Faixa (LDP), Inteligente de Frenagem e Detecção de Pedestre (P-FEB) e u Controle de Cruzeiro Adaptativo de Velocidade e Distância (ICC). Se nada disso der certo, há ainda seis air-bags e o legal é que a maior parte dessas coisas todas é de série desde a versão mais barata do carro.

Fechando a lista de novidades e retoques, a Nissan recalibrou a suspensão traseira do carro, que agora está um pouco mais macia e confortável para os ocupantes do banco de trás.

E a motorização do Nissan Kait?

Comentei ali em cima que o Kait tem uma dianteira com um estilo que lembra o dos mais recentes carros eletrificados, mas as aparências são… apenas aparências. A eletricidade ali só chama mesmo a atenção na iluminação (muito boa) em LED. No mais, o Kait não tem nada de elétrico.

O motor é o mesmo um 1.6 flex de até 113 cv e cerca de 15 kgfm de torque, que funciona acompanhado por um câmbio automático CVT que simula seis marchas e conta com um não muito operoso modo Sport. É exatamente o mesmo conjunto que movia o Kicks Play e seu antecessor, assim como o sedã Versa (confira a ficha técnica completa no final do post).

É suficiente para mover o carro direitinho, tem uma justa fama de ser “a prova de balas”, de não consumir muito e de custar pouco para se manter. Não por acaso, a gente vê tantos Kicks de primeira geração, especialmente das últimas séries, rodando como táxis nas ruas do Rio.

Mas, como em outros assuntos, aqui a segurança e tranquilidade que essa, digamos, opção mecânica conservadora garante ao Kait, é tira um pouco de sua competitividade e é justamente o seu principal ponto fraco em relação à parte da concorrência. Os rivais em porte – como Jeep Renegade, VW Nivus e T-Cross, Fiat Fastback e Chevrolet Tracker, por exemplo – contam com motores turbinados e com mais torque, o que faz com quem “andem” melhor e sejam mais gostosos de se guiar. E mesmo o novo Honda WRV, a despeito de ter motor aspirado, anda bem mais que ele.

A questão é que, se formos olhar pelo preço, essa concorrência coloca a maior parte das versões do Kait na mesma faixa de modelos um pouco menores – e menos espaçosos – que ele, como Fiat Pulse, VW Tera e Renault Kardian. E aí, mesmo sendo um pouco menos “voluntarioso”, o Kait leva vantagem como opção para ser o carro da família, especialmente agora, que não deve mais a nenhum deles em termos de atualização visual e de equipamentos.

Nosso test-drive com o Kait

Rodei com o Kait uns 400 km, incluídos aí o trânsito nosso de cada dia, uma viagem por boas rodovias e até pequenos trechos de estrada de terra. Tirando a maior facilidade de acesso às informações, proporcionada pelo painel de instrumentos digital, e por uma atuação mais dinâmica da central de multimídia – conectável sem necessidade de fio aos sistemas Android e Apple –, sinceramente não notei diferença alguma em relação aos vários exemplares do velho Kicks que dirigi ao longo da última década. E isso não é ruim.

Como é de se esperar, em termos de desempenho, o Kait está longe de ser um carro com qualquer tipo tempero esportivo. Mas também não é exatamente lento. Arrancadas, ultrapassagens e retomadas foram feitas a contento, sem riscos – embora com farta quantidade de decibéis. Sim, porque se é extremamente silenciosa até uns 2.500 rpm, quando ultrapassa os 4 mil, a cabine desse SUV é invadida por um rugido algo estridente e naquela escala de notas estilo escadinha do câmbio CVT, com níveis de rotação algo estacionários se revezando em tom tenor ao microfone.

No mais, a suspensão é bem ajustada, proporcionando conforto, com altura suficiente para não ter de pensar muito se aquele quebra-molas ou valeta vai fazer o fundo do carro raspar, e ao mesmo tempo firme o suficiente para fazer curvas de modo também despreocupado – até porque, a tendência no Kait é mesmo de uma condução comportada e serena.

Na parte viagem de meu teste, todas as bagagens couberam sem esforço nos 432 litros de capacidade do porta-malas, que tem acesso fácil e altura suficiente para poupar a sua coluna. Gostei da capacidade dos faróis, com lâmpadas de LED, comparativamente mais competentes que nos antecessores desse SUV. E gostei mais ainda, da visão de 360 graus simulada com a montagem da imagem das câmeras, disponível na tela da multimídia, que torna a já fácil tarefa de estacionar o Kait algo ainda mais tranquilo (acima).

Mas essa visão de 360 graus não é uma novidade – já estava disponível no primeiro Kicks que eu guiei, lá em 2016 (confira o vídeo do test-drive na janela abaixo), assim como a maior parte das qualidades de uso e acessibilidade do Kait, felizmente mantidas.

E então, o Nissan Kait é uma boa compra?

Sem enrolação: se você procura um SUV compacto espaçoso, confortável, com desenho bacaninha, bom nível de recursos de segurança, grande confiabilidade e baixo custo de manutenção; e se não se importa tanto assim com um desempenho mais estimulante ou com o prazer de dirigir, sim, o Nissan Kait é uma boa escolha. Especialmente se você levar em conta que os preços das versões mais simples e intermediárias dele (que começam em Preço inicial R$ 118 mil) são parecidos com o que é cobrado por modelos menores e, consequentemente, menos espaçosos.

NISSAN KAIT 2026 – ficha técnica

(dados da montadora, versões Active,Sense Plus, Advance Plus e Exclusive)

MOTOR

1.6.L, 16 válvulas, CVVTCS, bicombustível, 4 cilindros, 1.598 cm³

Potência Máx

110cv @5.600 rpm (gasolina)/113 cv @ 5.600 rpm (etanol)

Torque Máx

14,9 kgfm @4.000 (gasolina)/15,2 kgfm @ 4.000 rpm (etanol)

Sistema de injeção

Eletrônica indireta multiponto

Tração

Dianteira

TRANSMISSÃO

XTRONIC CVT®

SUSPENSÃO diant/tras

Independente MacPherson com barra estabilizadora

/Eixo de torção

FREIOS

Freios com ABS e EBD / Discos ventilados (dianteira)

/ Tambores (traseira)

RODAS/PNEUS

Liga leve 17”/205/55 R17

DIMENSÕES

Comprimento

4.304 mm

Largura (sem/ com espelhos)

1.760 mm /1.961 mm

Altura

1.611 mm

Distância entre-eixos

2.620 mm

Altura livre do solo

200 mm

CAPACIDADES

Porta-malas

432 litros

Tanque de combustível

41 litros

Ângulos de entrada / saída

19/28

Peso em ordem de marcha

1.139 kg / 1.157 kg (versão Exclusive)

PERFORMANCE

Cidade

7,8 km/l (etanol) /11,3 km/l (gasolina)

Estrada

9,4 km/l (etanol) / 13,7 km/l (gasolina)

0 a 100 km/h

11,4 segundos

DIREÇÃO

Elétrica com assistência variável (EPS)

Garantia

3 anos, sem limite de quilometragem

Fotos Hentique Koifman

Fonte: Rebimboca Comunicação

Henrique Koifman

Jornalista, blogueiro e motorista amador.

Jornalista, blogueiro e motorista amador.

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