Tarifaço: entre rompantes retóricos e diplomacia kamicase caminhamos para o isolamento.

E não é que o Trump — aquele mesmo, das louríssimas e naturalmente sedosas madeixas, um verdadeiro Robert Redford depois de três banhos de água oxigenada e uma ventania em Tulsa, resolveu mostrar que promessa feita é promessa cumprida? Tacou 50% de tarifa no Brasil, sem dó nem piedade.
Mas o melhor (ou pior) veio depois. Taxad, o nosso lord supremo da tributação criativa, consultou seu espelho mágico — aquele que nunca mente, só machuca — e perguntou: “Espelho, espelho meu, existe no mundo um taxador mais top que eu?”, ouviu em resposta: “Sim, meu amo! O PR Trump!”. Fim. Colapso. Punhalada no coração da autoestima tributária.
Mas sejamos justos: Trump não tem sangue de barata, não. Já o nosso herói e mandatário tupiniquim… ah, esse tem peito de aço inox e coragem de um Rambo com terno mal cortado. Comparou o laranjão a nazistas, fascistas, hobbits do mal. E, para selar a trégua com uma orquídea em chamas, a primeira-dama mandou um sinceríssimo “fuck you” pro Elon Musk. Classe, estilo e polidez de um jantar no Habib’s.
E não parou por aí: o paladino da audácia defende o Hamas em horário nobre, chama Netanyahu de vilão de novela turca e compara Israel ao nazismo. Sobra amor para Cristina Kirchner, manda o Uber da FAB buscar a ex-primeira-dama do Peru (uma autêntica Lady Di de tornozeleira) e ainda se faz representar na posse do presidente iraniano — evento tradicionalmente frequentado por ayatollahs, drones armados e pão sírio.
Ah! E não esqueçamos: há quem jure de pés juntos que o homem, com seu quirodáctilo a menos, pode ter dado pitaco na suspensão do “X” e em planos contra Google e Meta. O tipo de coisa que só se descobre em áudio vazado pelo Zap da tia do grupo da igreja.
Agora, desde que ele declarou seu amor irrestrito pela “Camila Harris” (sim, ele trocou Kamala pelo nome de uma vendedora de Mary Kay), o ranço com os EUA só fez crescer. E pra selar a amizade, recebeu navios iranianos no Rio — sim, porque se tem um lugar pacífico no Brasil, é o porto do Rio às 2 da manhã.
Mas, vamos falar sério (só por 5 segundos): você precisa ter muita coragem, ou um ego do tamanho de Brasília, pra querer ensinar os Estados Unidos sobre democracia, liberdade e prosperidade.
Os caras têm uma Constituição que cabe numa folha de sulfite sem nenhuma errata desde 1789. A Suprema Corte deles inspira séries de HBO. O PIB da cidade de Nova York dá rasteira no nosso com uma perna só.
E o Fed? É a haute couture dos bancos centrais. É tipo a Chanel da macroeconomia. Tudo que é banco central copia. Os caras fazem balé com taxa de juros e o mundo aplaude.
E o Brasil? Sonha em criar a “moeda do Brics” para substituir o dólar como moeda de reserva internacional. Nome provisório: “Bricscoin”, ou “Ilusão lastreada em nada”. Tanto faz. A ousadia é o ativo mais estável por aqui.
No fim das contas, fica a sugestão: não cutucar mais a onça com vara curta lembrando que prudência, caldo de galinha e diplomacia ainda são o melhor antídoto contra a hecatombe.
E o Bozo? Ah, o Bozo. Claro que é o culpado. Sempre é. Ponto final.

