
A inflação faz com que o dinheiro perca o poder de compra. Os preços sobem, ano após ano. Isso acontece em quase todos os países. Aqui, os preços já chegaram a subir mais de 80% em um único mês, em março de 1990.
O que nunca se diz é que a inflação é consequência dos gastos do governo.
Vamos explicar.
Primeiro, vamos lembrar que o sintoma da inflação é o aumento contínuo e generalizado de preços. O aumento temporário de preços – provocado, por exemplo, por escassez de um produto – não caracteriza inflação. Quando o produto volta ao mercado, os preços caem. O que caracteriza a inflação é o aumento contínuo e generalizado de preços.
O aumento dos preços é o sintoma da inflação. A causa do aumento dos preços é a desvalorização do dinheiro. E por que o dinheiro se desvaloriza? Porque o Estado aumenta a quantidade de dinheiro em circulação – o Estado “imprime” mais dinheiro – para pagar por seus gastos.
Vamos explicar esse mecanismo de forma objetiva.
O governo gasta mais do que arrecada. Isso gera um déficit – um buraco nas contas públicas. O governo então precisa pedir dinheiro emprestado para cobrir o déficit. Ele toma dinheiro emprestado vendendo títulos do tesouro.
Esses títulos são comprados principalmente por bancos. Os bancos podem, depois, vender os títulos para o Banco Central.
Nesse processo há um detalhe importante: o Banco Central compra os títulos com dinheiro que ele cria na hora. Como ele faz isso? Através de um lançamento contábil. Em termos práticos: o Banco Central digita valores em um computador e transfere esse dinheiro recém-criado para os bancos, em troca dos títulos.
Pronto: foi criado dinheiro. É a mesma coisa que imprimir um monte de cédulas.
Essa é uma operação triangular. Se abstrairmos a participação dos bancos, o resultado é que o déficit do governo foi financiado criando dinheiro do nada. Ou seja, o Estado imprimiu dinheiro (via Banco Central) para pagar por seus gastos.
Isso é gravíssimo, porque a criação de dinheiro faz com que a moeda perca o poder de compra. Esse efeito não é fácil de entender, mas ele funciona assim: quanto mais dinheiro o Estado imprime, menos o dinheiro vale. É como colocar água quente em uma xícara com café; a xícara fica mais cheia mas o café fica cada vez mais fraco.
Para o cidadão comum, esse processo de criação de dinheiro é invisível e difícil de entender. É preciso ler a explicação várias vezes, refletir, tirar dúvidas. Para piorar, há muitos “especialistas” em economia que usam termos complicados e adicionam detalhes desnecessários quando falam do assunto, tornando tudo muito difícil de entender – de propósito.
O Estado não faria o que faz se a população entendesse o que acontece. O Estado rouba o valor do dinheiro das pessoas para conseguir pagar por seus gastos irresponsáveis.
Como o Estado nunca para de imprimir dinheiro, os preços nunca param de aumentar. Por isso, uma dúzia de ovos custava R$ 1 em 1994, hoje custa R$ 12 e um dia vai custar R$ 500.
Como a criação de dinheiro é a causa da inflação, e o dinheiro é criado para cobrir os gastos do governo, basta o governo gastar menos e o dinheiro deixará de perder valor. Isso causará uma melhoria gigantesca na vida da população.
Percebam que, enquanto a maioria das pessoas perde com a inflação, ela beneficia extraordinariamente os políticos (que controlam o Estado e podem gastar o quanto quiserem) e os bancos (que lucram com as operações financeiras). As pessoas que têm investimentos e entendem do mercado financeiro conseguem proteger o seu dinheiro. O resto da população vê o seu poder de compra diminuir a cada dia.
Ao mesmo tempo em que rouba o valor do dinheiro, o Estado cria programas assistencialistas e aprova leis de reajuste salarial. Mas vejam a hipocrisia: de que adianta “reajustar” os salários se, em pouco tempo, esse reajuste é corroído pela inflação?
Fonte: Gazeta do Povo

