O Felino troca de pele e reinventa-se entre tradição e vanguarda

Gente, vocês viram a nova propaganda da Jaguar? Se não, vejam aqui agora ou lá embaixo ao final do texto. Vamos falar um pouquinho dela?
Sempre fui aficionado por carros e Jaguar está na minha lista. Tive vários e posso testemunhar com autoridade sobre essa lendária marca, sinônimo de alta tecnologia aliada à linhas sempre elegantes, sóbrias e altamente requintadas, mas que, nessa terra de Marea, nunca fez muito sucesso.
Jaguar marcou gerações como símbolo excelso de requinte junto ao Rolls, Bentley, Aston, todos ingleses e talvez dois degraus acima das igualmente famosas Mercedes e BMW no tocante a charme e encantamento. Claro que existem outras marcas mundiais extraordinárias que deveriam estar nessa lista mas não é o escopo principal do texto.
O intento é a referida e improvável propaganda da marca que assombrou o mundo automotivo nos quatro cantos da Terra. A princípio pensei numa publicidade de maquiagem, de moda ou de dança. Lembrei-me também dos melhores momentos da Zara ou C&A o que fez Elon Musk questionar se a marca ainda vendia carros ou se tinha mudado de ramo.
Não havia nenhum automóvel. Havia um grupo de pessoas, que mais pareciam integrantes da cultura woke, dirigindo-se à sua turma numa mensagem muda de um “acordei” para uma nova vida colorida, leve, moderna e diversa das influências burguesas representadas pelo público alvo da marca.
Essa foi a minha primeira impressão, mas querendo desacreditar no que estava assistindo muito em função da história que transformou a Jaguar numa lenda viva representada pela força e elegância de sua marca registrada, um felino saltador, agora substituído por uma tipografia com letras minúsculas, arredondadas, espaçadas e sem qualquer charme.
Nessas horas é bom respirar fundo e deixar essas primeiras emoções se assentarem. Não existem mais doidivanas na arte da propaganda e não subestimo essa turma de marketing. Estratégia é a palavra chave e nas mãos mais experientes pode, além de mover montanhas, mudar concepções, paradigmas, estilos e conceitos os mais tradicionais em nome da renovação, do frescor e das novas tendências que movem e transformam o mundo.
Nunca a Jaguar chamou tanto a atenção ao longo de sua história como agora. A situação agonizante dos negócios da marca, como acontece veladamente em outras concorrentes nesses tempos sombrios, deu lugar a um sopro de oxigênio e uma esperança de uma nova vida.
“Esta é uma reinvenção que recaptura a essência da Jaguar, retornando-a aos valores que a consagraram”, disse Gerry McGovern, Chief Creative Officer (CCO) da Jaguar, responsável por mais de 2 milhões de visualizações da recente propaganda no YouTube e quase 200 milhões no “X” de Musk.
No dia seguinte ao lançamento, um teaser foi publicado prometendo novidades nos próximos dias sob a máxima “Confiem na marca e guardem os julgamentos até que nossos planos sejam completados”.
Dito e feito! 2 de dezembro a Jaguar apresentou seu novo carro conceito na Miami Art Week. Totalmente irreconhecível, a vanguarda exótica tomou o lugar do tradicional. A começar pelas cores, rosa e azul, as mesmas da “chocante” propaganda, cobriam os carros conceitos que darão origem aos futuros automóveis da marca, sempre elétricos, que serão direcionados a um público mais jovem comprador de luxo, vanguarda e requinte.
Em se tratando de tradição, não tenho dúvida da continuidade do sucesso. A Jaguar britânica parece fiel às teorias evolucionistas do darwinismo e à sua lei da seleção natural que prevê o ocaso de quem não se adapta à evolução.
Tenho a nítida impressão que, se vivo, o inglês Charles Darwin compraria esse novo Jaguar. A dúvida fica por conta da cor, se rosa ou azul.
Segue o vídeo: https://www.youtube.com/embed/rLtFIrqhfng

