21 de abril de 2026
Carlos Leão

Ainda tô aqui… incrédulo, mas tô!

“Ainda estou aqui” vence o Oscar como “melhor filme de ficção estrangeiro”.

Ainda tô aqui sem saber se evoluo nesse texto, mesmo porque escrever sobre hipocrisia e seus adeptos não é dos mais agradáveis ofícios. Mas vamos lá!

Impressiona-me como grande parte do povo brasileiro ainda é influenciável, ingênuo e volúvel, no melhor estilo “tolinho amestrado” ou no indefectível modo “Maria-vai-com-as-outras” diante das narrativas e da lógica perversa.

É transcendental a capacidade da esquerda, não só daqui mas do mundo todo, de criar narrativas, construir mitos, fabricar heróis improváveis usando o cinema militante como ferramenta de doutrinação. Foi assim com Tiradentes, com Zumbi dos Palmares, mais recentemente com Marielle Franco e agora, com Rubens Paiva.

Segundo o blog “Monarquia Já”, “Tiradentes é um herói inventado”, corroborando com a tese de vários historiadores, como Vagner Marques, que afirma no seu estudo que “Tiradentes foi preso porque participava de um esquema de desvio de ouro da Coroa”, o que chamamos hoje de corrupção, uma prática já muito comum entre os ricos e poderosos da época. Já Diego Bayer, em sua pesquisa histórica, sentencia que “Tiradentes não morreu como herói ou mártir. Ele morreu como um rebelde, como um traidor, o qual teve o infortúnio de levar a pior”.

Quanto ao Rubens Paiva, há muita controvérsia na sua história, muito embora nada nessa vida justifique o seu triste fim. Enquanto alguns textos afirmam sobre uma possível militância no Partido Comunista Brasileiro e ligações perigosas com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) liderada pelo sanguinário Carlos Lamarca, durante o período da ditadura, outros textos, estes coincidentemente ligados à esquerda, contestam veementemente esta versão, colocando o ex-deputado como um Tiradentes contemporâneo ou como um mártir de uma época nebulosa, apresentado ao mundo através do “Ainda estou aqui”.

De repente, quem sabe “Ainda estou aqui” possa influenciar cineastas de direita a criarem um longa em homenagem ao Clezão ou usarem a 1ª pessoa do plural, “Ainda estamos aqui”, em homenagem aos encarcerados do 8 de janeiro?

Mas foram duas entrevistas que circulam nas redes sociais desta semana que me inspiraram a escrever este texto. A primeira, do cineasta e diretor do “Ainda estou aqui”, após a inédita conquista do Oscar quando disse, em alto e bom tom, que a grande aceitação do seu longa nos Estados Unidos coincide com o atual momento político vivido pelos americanos pós-Trump. Insinuou que o país está se tornando um país ditatorial como foi o Brasil dos anos 70.

Será que o gajo esqueceu-se que os Estados Unidos são o berço da democracia, da liberdade de expressão, do livre comércio, do capitalismo, da igualdade e da justiça? Triste narrativa da esquerda caviar!

A segunda entrevista, ressuscitada do fundo do baú (santa Internet!!!), é preciosa e mostra a hipocrisia em sua máxima e esplendorosa essência. Fernanda Torres, já prevendo a derrota da mãe, Fernanda Montenegro, ao Oscar de melhor atriz de 1999 pelo filme Central do Brasil, afirmou que “O Oscar é a festa da injustiça. O Oscar é uma festa típica Americana como o carnaval é para o Brasil e se derem o prêmio para ela a honra será para a Academia”. E hoje, hein Fernanda?

Concluo afirmando que ainda tô aqui com força suficiente para evocar Michell Santana na máxima: “A presunção, a arrogância e a prepotência são uma superfluidade do indivíduo débil”.

Carlos Eduardo Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

Cirurgião Plástico em BH e Cronista do Blog do Leão

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